segunda-feira, março 11, 2013

ROGER CAILLOIS NA BIBLIOTECA AC-II






 caillois-2-ls> quarta-feira, 18 de Dezembro de 2002


UM TEXTO DE ROGER CAILLOIS:
A GUERRA NECESSITA
DE TODAS AS ENERGIAS

«A guerra representa bem o paroxismo da existência, nas sociedades modernas. Constitui o fenómeno total que as levanta e transforma inteiramente, cortando, por um terrível contraste, o curso calmo do tempo de paz.
É a fase de tensão extrema da vida colectiva, a da forte coesão das multidões e do seu esforço. Todos são roubados à sua profissão, ao seu lar, aos seus hábitos, ao seu lazer enfim. A guerra destroi brutalmente o círculo de liberdade que cada um prepara à sua volta para prazer próprio e que respeita no vizinho. Interrompe a felicidade e as quezílias dos amantes, a intriga do ambicioso e a obra prosseguida no silêncio pelo artista, o erudito, o inventor. Arruina indistintamente a inquietude e a placidez, nenhuma coisa privada subsiste, nem criação, nem alegria, nem a própria angústia: ninguém pode permanecer à margem ou ocupar-se de tarefa diferente porque não há ninguém que de um modo ou de outro não tenha de se lhe entregar. A guerra necessita de todas as energias.

O mesmo sucede com essa espécie de isolamento em que cada qual compõe a seu modo a própria existência, sem participar muito da coisa pública, numa altura em que a sociedade instiga todos os seus membros a um alerta colectivo que os situa logo lado a lado, os reúne, os empertiga, os aproxima de corpo e alma.
Chegou a hora em que a sociedade deixa bruscamente de ser tolerante, indulgente e como que ciosa de se fazer esquecer por aqueles cuja prosperidade protege. Agora apropria-se dos bens, exige o tempo, a fadiga, o próprio sangue dos cidadãos. O uniforme assinala de maneira visível que cada um deles abandona tudo quanto o distinguia dos outros para servir a comunidade, não como entende, mas consoante o que o uniforme lhe indica que deve fazer no posto que lhe atribui.
A analogia entre a guerra e a festa é portanto aí absoluta: ambas iniciam um período de forte socialização, de comunhão dos instrumentos, dos recursos, das forças; interrompem o tempo em que os indivíduos se afadigam cada um para seu lado numa multitude de domínios diferentes. Por sua vez, estes dependem uns dos outros, sobrepõem-se mutuamente, muito mais do que ocupam lugar definido numa estrutura rigorosa.
Nas sociedades modernas a guerra representa por este motivo o único momento de concentração e absorção intensa no grupo de tudo o que ordinariamente tende a manter uma certa zona de independência.»

Roger Caillois, in L'Homme et le Sacré



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quarta-feira, março 06, 2013

JAMES CHURCHWARD NA BIBLIOTECA AC

Sexta-feira, 22 de Julho de 2005

PISTAS DO MARAVILHOSO

Não é tarde nem é cedo para reconhecer um dos livros e autores que mais me fascinaram: James Churchward, com a sua obra «O Continente Perdido de MU». Escrevi vários files , talvez longos, levado pela vertigem das teses que Churchward propõe.
Podem ser consultados nos meus arquivos de manuscritos, dactil manuscritos e print de files word.
Guardo cinco títulos da sua autoria, na minha Biblioteca do Gato:
1.James Churchward – O Continente Perdido de M U – Ed. Hemus, São Paulo, 1972


2.James Churchward – The Sacred Symbols of M U – Ed. Be Books, Albuquerque - 1987




3.James Churchward – Lost Cities of Ancient – Lemuria & The Pacific – Ed. Adventures Unlimited Press, Stelle, Illinois, 1988



4.James Churchward –M U, Le Continent Perdu – Ed. J’ai Lu, Paris, Col. A 223, 1969

5.James Churchward – L’Univers Secret de M U – Ed. J’ai lu, Paris, Col. A 241, 1970


 Ver mais:

http://www.catbox.info/big-bang/jornaldogato/jc-1.htm
http://www.catbox.info/catbooks/+the-way-pdf+/Jc-1-3-LS.pdf
http://catbox.info/big-bang/jornaldogato/+files-a-z+.htm

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terça-feira, março 05, 2013

FRITJOF CAPRA NA BIBLIOTECA AC

sábado, 23 de Julho de 2005
CONVERGÊNCIA HOLÍSTICA NO SEU MELHOR

Data de 5-8-1990 o meu encontro decisivo com o livro «O Tao da Física», de um autor decisivo na convergência holística, Fritjof Capra.
A convergência entre uma sabedoria remota – o taoísmo – e a física moderna, levou-me a escrever (e a publicar) alguns artigos entusiásticos sobre estas leituras, que antecedem de três anos o meu encontro com a hipótese vibratória de Étienne Guillé, síntese de todas as sínteses (a suprema convergência holística entre sabedoria tradicional e ciência moderna).
Convido o leitor interessado nesta aventura a procurar esses artigos (algo polémicos, admito) nos meus arquivos manuscritos, dactil manuscritos e print de words.

Dois sites para os mais curiosos de Fritjof Capra e da sua capacidade para abranger várias ciências e sabedorias:

http://archipress.org/episteme/capra2.htm
http://www.geocities.com/Vienna/2809/Capra.html

Guardo na Biblioteca do Gato três títulos deste senhor:
1. Fritjof Capra – O Tao da Física – Ed. Presença, Lisboa, 1983




2. Fritjof Capra – O Ponto de Mutação – Ed. Cultrix, São Paulo, 1982




3. Fritjof Capra – La Trama de la Vida – Una Nueva Perspectiva de los Sistemas Vivos – Ed. Anagrama, Barcelona, 1996




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segunda-feira, março 04, 2013

LIVRO DOS MORTOS NA BIBLIOTECA AC-II



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domingo, março 03, 2013

SIDARTA GAUTAMA O BUDA NA BIBLIOTECA AC-II






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SIDARTA GAUTAMA O BUDA NA BIBLIOTECA AC-I

quinta-feira, 28 de Julho de 2005
 

SIDARTA GAUTAMA O BUDA

Agradeço ao Canal História, dia 27 de Julho de 2005, o reencontro com a figura de Sidarta Gautama, o Buda.
A minha viagem a Nyima Zong, em 1977, marca o meu primeiro encontro com o budismo Nyingma, a que não tenho dedicado o tempo e a atenção devidos.
O que escrevi sobre o Lama Kunzang Dorje veio publicado no jornal «A Capital» e num caderno destacável n’«O Século Ilustrado», que recordo.
Hora e meia no Canal História é muito importante: tive ocasião de relembrar algumas palavras-chave do percurso de buda e meu (desculpem-me a impertinência mas estou por ele autorizado a escrever: « cada um de nós pode tornar-se buda, todos podemos encontrar a iluminação. Quando se sabe isto, deixamos de ter medo») :
A via do meio termo
Ananda – discípulo mais próximo
Atingir a iluminação
Benares
Bodgaia
Buda = O iluminado
Escrituras budistas
Gaia
Impermanência
Lei de causa e efeito = karma
Parque das gazelas
Sangha = Comunidade monástica budista
Sermão de Sarnah
Vacuidade

Hoje, queria só assinalar um nome na minha galeria de grandes nomes e lembrar:

a)O que escrevi à volta do budismo pode ser lido nos meus arquivos
de manuscritos, dactil manuscritos e print de words.

b)E no meu site «O gato das Letras»

Na «Biblioteca do Gato» guardo, apesar de tudo, 9 títulos dos muitos que já tive sobre buda e o budismo:
1. Sogyal Rinpoche – O Livro Tibetano da Vida e da Morte – Ed. Prefácio, Lisboa, 2001
2. Alexandra David Neel – Inmortalidad y Reencarnacion – Ed. Dedalo, Buenos Aires, s/data
3. Chris Pauling – O Pensamento Budista – Ed. Presença, Lisboa, 1999





4. Thich Nhat Hanh – Buda Vivo – Cristo Vivo – Ed. Círculo de Leitores, Lisboa, 1999






5. Dalai Lama e outros – Espírito e Ciência – Ed. Relógio d’Água, Lisboa, 1999
6. Marcus Borg – Jesus e Buda – Ed. Piaget, Lisboa, 1998






7. Jean Claude Carrière – A Força do Budismo – Ed. Difusão Cultural, Lisboa, 1995
8. Gilles Van Grasdorf – Penchen Lama – Ed. Asa , Porto, 2001
9. M.Y. Evans-Wentz – O Livro Tibetano dos Mortos – Ed. Pensamento, São Paulo, 1985




http://road-book.blogspot.pt/2006/07/adarsha-1996.html

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sexta-feira, março 01, 2013

MICHIO KUSHI NA BIBLIOTECA AC













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MICHIO KUSHI:COMPANHEIRO INSEPARÁVEL

quinta-feira, 4 de Agosto de 2005

 MICHIO KUSHI:  
COMPANHEIRO INSEPARÁVEL

Michio Kushi: outro companheiro inseparável dos meus dias e das minhas leituras.
Assisti, em Lisboa, a todos os seus seminários, li, reli e tresli todos os seus livros traduzidos em português (são muitos, felizmente!) e até em inglês, de fio a pavio, essa obra-prima de Ecologia Humana que se chama «Aids, Macrobiotics & Natural Immunity»: pelo prefácio (dois terços do livro) de Martha C. Cottrell tanto como do próprio texto do Michio.
No meu site «Gato das Letras» transcrevo o possível de inéditos e publicados por mim sobre Michio.
O encontro com o seu livro sobre alquimia foi outro deslumbramento, pouco partilhado pelos gurus do meio macrobiótico. No meu site registei os títulos que guardo sobre Michio, Oshawa e dialéctica Yin-Yang.
Escusado dizer que com o meu código [-yy ] = yin-yang, existem duas centenas e meia de textos word, prova da perseguição cerrada que fiz, ao longo dos anos, ao Michio, a Oshawa e ao Yin-Yang em geral, a única bússola que não se partiu ao longo dos meus longos e persistentes nigredos, em que o de 2004 se destaca pelo episódio inédito de três ou quatro hospitalizações...
Ao escrutinador do meu espólio deixo a indicação da pasta dedicada a Michio Kushi: preta vulgaris, nº 45 (bola azul), com o célebre caderno «Transmutações Atómicas», editado pelo Instituto Kushi de Francisco Varatojo. Para quem tenho aliás e também uma imensa dívida de gratidão, especialmente se falarmos dos meus nigredos...
 

Escrito por gatodasletras el 04/08/2005 13:13 |

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segunda-feira, fevereiro 25, 2013

T. CLIFFORD: A ARTE DE CURAR NO BUDISMO TIBETANO


1-3 < 90-10-21-ls> leituras selectas - sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2003 - 


« A CURA DO DIAMANTE»(*)


(*) «A Arte de Curar no Budismo Tibetano - A Cura do Diamante» , Drª Terry Clifford, Editora Pensamento, São Paulo
21-10-1990
Se é verdade que o maior progresso da psicofarmacologia moderna, o primeiro grande tranquilizante, veio da pesquisa experimental, em laboratórios do Ocidente, sobre a «Rawolfia Serpentina», planta usada há séculos na Índia no tratamento da loucura, este indício pode sugerir o tipo de relações actualmente existente entre a medicina alopática moderna e os sistemas ou artes de curar mais antigos, como o chinês (acupunctura), o hindu (ayurveda), o helénico (hipocrático), para citar apenas as três grandes correntes de fundo que confluem na medicina sagrada tibetana.
A pesquisa operada sobre estes sistemas por parte dos laboratórios ocidentais, deve continuar activa e livros como o de Terry Clifford, « A Cura do Diamante»(*), são um manancial precioso para esses  laboratórios, embora cultural e editorialmente (ou por isso mesmo) convenha que livros como este passem despercebidos.
Aliás, não sei se ingenuamente, a autora convida os industriais do Ocidente ao estudo aturado dos tantras médicos, para o que têm apenas que aprender a língua tibetana: « Os tibetanos - escreve ela - desenvolveram vasto campo de psicofarmacologia e têm um número enorme de medicamentos psiquiátricos, nenhum dos quais já foi identificado ou experimentado cientificamente no Ocidente.» Ora aí é que a Drª Terry naturalmente se engana:  A secreta e laboriosa pesquisa a que os laboratórios ocidentais se dedicam de toda a ciência e arte milenária de curar, é aspecto de que a autora - não sei se ingenuamente - só levanta uma pontinha do véu, como se percebe pela transcrição antecedente. Não são os aspectos parcelares, acidentais e tecnológicos ( o chamado receituário) destas artes o que a ciência ocidental rejeita mas sim a essência da arte, o espírito que a inspira, aquilo que não pode copiar nem estropiar à vontade. Aquilo que não percebe.




  • Os aproveitadores
Subdividindo - «para finalidade de estudo» diz a autora - a medicina tibetana em «dármica ou religiosa, tântrica ou ióguica e somática ou comum», a Drª Terry não deixa de asinalar, porém, o artifício dessa divisão, já que «as três categorias se integram na prática real.» De facto e por mais que se subdivida, por razões metodológicas, a arte de curar tibetana permanece indivisível, íntegra, holística, conforme vem mostrar a Lisboa, em visita de surpresa, o médico-chefe da equipa do Dalai Lama, Dr. Tendzin Chodrak, ontem chegado ao aeroporto da Portela. E permanece íntegra, una, por uma razão física muito simples: a filosofia que a ilumina e de onde parte, começa por não separar nada, considerando, num apriori óbvio, que tudo é energia, para lá das dicotomias ocidentais entre espírito e matéria. As dicotomias da filosofia ocidental nunca existiram nos sistemas iniciáticos como o da medicina tibetana. Por isso não há necessidade de reunificar o que nunca foi desunificado.E por isso os maiores êxitos terapêuticos dos médicos tibetanos ocorrem no domínio chamado «psiquiátrico».
Esta concepção unitária do universo e da vida é que é o mais difícil ou mesmo impossível de compreender pelos analistas do Ocidente, de formação incuravelmente dualista. Doença esta que nenhuma arte de curar - tibetana, chinesa, hindu ou helénica - conseguirá curar.
  • Chineses sabem chacinar
Quando os chineses ocuparam  o Tibete, em 1959, cem mil tibetanos que conseguiram escapar a foram para o exílio, figurando entre eles grandes lamas mas poucos médicos. Apesar de poucos, eles fizeram a diáspora e o mundo foi tendo conhecimento de que a ciência não chega aos calcanhares da sabedoria. Em matéria de corpo humano, então, não chega sequer ao tornozelo. «Havia afinal mais mundos» como diz o poeta. Que estão agora aí nas nossa mãos.
  • Curar é libertar(descolonizar)
A maior acusação que se pode fazer às medicinas iniciáticas como a tibetana é que elas remetem para o doente a principal responsabilidade de cura, isentando de culpas o clínico, que se limita ao papel de professor de saúde. Quem quiser que aprenda a lição.
Como diz a drª Terry Clifford, neste estudo que foi sua tese de doutoramento em Psicologia e Religião, «a prática da medicina do Dharma de Buda depende dos nossos próprios esforços do reconhecimento da impermanência, do controle da mente e da diminuição do anseio». Sabendo que responsabilidade é sinónimo de liberdade, esta responsabilização do próprio paciente significa a sua libertação, o que é exactamente o contrário do que faz a medicina colonial em vigor, que põe em total toxicodependência do sistema o doente imprecavido. Deve-se a este facto, unicamente a este facto - liberdade é responsabilidade - o grande êxito da medicina moderna ocidental e o olho oblíquo que ela deita às medicinas eternas. Trocando por miúdos, quer dizer portanto que na «alienação» moderna (tal como o sentido psiquiátrico da palavra «alienado» ainda prova...) reside a raiz da questão terapêutica, que aplicada ao colectivo se chama política. Na qual questão, « libertar» ou «descolonizar» ainda não deixou de ser a palavra de ordem.
  • A reserva etnológica
A provar a sua perenidade, a medicina tibetana resiste inclusive às incursões «etnológicas» da Drª Terry Clifford que, colocada na perspectiva da sua especialidade universitária - «etnopsiquiatria - , deforma com essa postura a actuante actualidade deste sistema terapêutico. Segundo a autora, «o vasto campo da literatura médica tradicional, sua enorme farmacopeia, seus métodos de diagnóstico e tratamento, seus princípios éticos e seu suporte filosófico e psicológico» contribuem para «a história da medicina, da antropologia médica e da etnopsiquiatria».  De facto, é a actualidade prática e actuante das tecnologias holísticas de vida e de saúde que interessa acima de tudo sublinhar. Face à impraticabilidade crescente das tecnologias alienantes e desapropriadas da alopatia moderna, o que está em causa no renascimento de sistemas como o taoísmo, a acupunctura, o ayurveda, a fitoterapia tibetana - tudo aquilo a que a própria OMS apela e com urgência na campanha de saúde para todos no ano 2000 - é a sua profunda adequação ao ser humano, a sua indesmentível eficácia e a sua plena funcionalidade, já, no mundo actual. Não são peças de museu etnológico, como boa gente desejaria, mas técnicas (algumas de rigor geométrico) que estão para as curvas e para as curvas difíceis.
Se nos é lícito lembrá-lo, o adjectivo «holístico» colocado junto destas técnicas tradicionais, vem da Idade Média europeia e da tradição astrológica mais genuína. Quando se constata que o que está em baixo é igual ao que está em cima, quando se retoma a unidade homem/natureza, micro/macrocosmo, a concepção holística do homem e portanto da medicina, renasce. Com a ajuda da grande medicina tibetana que está aí à porta, vai crescer robusta, saudável e sem complexos.
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(*) «A Arte de Curar no Budismo Tibetano - A Cura do Diamante» , Drª Terry Clifford, Editora Pensamento, São Paulo♥♥♥

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ALEXANDRA DAVID-NEEL NA BIBLIOTECA AC




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YVES REQUENA NA BIBLIOTECA AC


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CAMILO CASTELO BRANCO: A DIVINDADE DE JESUS




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J. ALVES CORREIA NA BIBLIOTECA AC





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sábado, fevereiro 23, 2013

CIÊNCIA PROTOCHINESA NA BIBLIOTECA AC



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DALAI LAMA: A ALMA DO TIBETE

domingo, 14 de Agosto de 2005

A ALMA DO TIBETE
«Choro sempre que posso.»
Richard Gere

Agradeço ao Canal História (Biography Channel) mais um reencontro feliz com o meu sublime companheiro de jornada, o 14º Dalai Lama.
Vi três vezes o documentário da CBS News, produzido por Patti Hassler e lamento não o ter em vídeo para o reler (rever) de vez em quando.
Se de videoteca do gato falamos, tenho de contar com os dois filmes de Hollywood citados no documentário «A Alma do Tibete» e que são:
«Kundun», de Martin Scorcese
«Sete Anos no Tibete», com o actor Brad Pitt e de que não me lembro aqui o realizador.
Outras pistas de viagem confirmadas na belíssima biografia da CBS: Richard Gere, o actor que é amigo pessoal do Dalai Lama;
Gandhi, uma das figuras adoradas pelo Dalai Lama;
Indira Gandhi e Pandit Nehru que, apesar de tudo, o acolheram na Índia e aos 100 mil refugiados.
***
Pela síntese que consegue e a grafia correcta de algumas palavras em tibetano (?), o texto da jornalista Sónia Correia dos Santos, no «Diário de Notícias» de 12 de Agosto de 2005, merece todo o destaque.
Até porque foi por ele que eu soube do documentário no Biography Chanel. Agradeço à Sónia e dedico-lhe esta página do meu blog.

««Dalai Lama Tenzin Gyatso nasceu em 1935, oriundo de uma família de camponeses, numa pequena aldeia situada no Nordeste tibetano.
Com apenas dois anos foi reconhecido como a reencarnação do seu predecessor. Os dalai-lamas são manifestações vivas do Buda da Compaixão, que tomou a decisão de renascer para servir, uma vez mais, a humanidade.
Dalai significa Oceano em mongol e Lama é Tibetano para alta reencarnação, e várias vezes referido por "Oceano de Sabedoria", um título dado pelo regime mongol à Altan Khan (o terceiro Dalai-Lama) e agora aplicado a cada encarnação.
Os dalai-lamas são mostrados como sendo a manifestação de Avalokiteshvara, o Bodhisattva da Compaixão, cujo o nome é Chenre-zig em tibetano. Bodhisattvas são seres de uma sabedoria elevada que se propuseram atingir o nirvana e escolheram renascer para servir a humanidade.
Apesar destas referências pelo mundo todo, os tibetanos, geralmente referem-se a Sua Santidade como Yeshe Norbu, a Jóia, ou Kun-dun, a Presença.
A cerimónia de reconhecimento do XIV Dalai-Lama teve lugar a 22 de Fevereiro de 1940 em Lassa, a capital do Tibete. Dez anos depois, quando a China invadiu o território tibetano, com apenas 16 anos e mais nove de estudos religiosos por completar, Sua Santidade teve que assumir o poder político total.
Em Março de 1959, durante o Levantamento Nacional do Povo Tibetano contra a ocupação militar chinesa, partiu para o exílio.
Desde então, tem vivido nos Himalaias, em Dharamsala, na Índia, sede oficial do Governo tibetano no exílio, uma democracia constitucional instituída em 1963.
Na última década, o Dalai-Lama tentou estabelecer o diálogo com os chineses. Propôs o Plano de
Paz em Cinco Pontos em 1987/88, que poderia ter estabilizado toda a região asiática, e foi louvado por estadistas e especialistas em legislação no mundo inteiro.
O 14.° Dalai-Lama, ao contrário dos seus antecessores, que nunca viajaram no Ocidente, continua as suas viagens à volta do mundo, apelando à bondade, à compaixão, ao respeito para com o meio ambiente e sobretudo à paz no mundo.
Para além de uma extensa bibliografia, o líder espiritual já recebeu vários prémios honorários nos diversos países em que discursou, sendo o mais importante de todos o Prémio Nobel da Paz, recebido em 1989, graças ao reconhecimento da Academia Norueguesa relativamente às tentativas e esforços do Dalai-Lama em benefício da paz mundial.
Tenzin Gyatso continua a exercer a sua função de líder espiritual do budismo tibetano, que nos últimos anos encontrou famosos seguidores, como Richard Gere.»»

Além das palavras-chave registadas no texto de Sónia Correia dos Santos, registo algumas outras:
100 mil refugiados
doutoramento da divindade
criação de uma nação (governo) no exílio
Pandit Nehru não compromete a Índia a apoiar abertamente o Tibete contra a China
Guerra sino-indiana
Religião é um veneno (mao-tse-tung)
Resistência activa não-violenta
Um homem só contra o Golias da China
Massacre da Praça de Tianamen
Escrituras tibetanas

Os livros relacionados que conservo na biblioteca do gato já se encontram registados em outra notícia deste blog intitulada «buda».
Também referi o Dalai Lama no meu site «gatodasletras».

 *

1-2 90-09-06-ls> leituras do afonso - quinta-feira, 10 de Abril de 2003- novo word - dalailam  > - notas de leitura

MILHÕES DE AMIGOS (*)


[(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital», «Leituras de Verão», 6-9-1990]

24/8/1990 - Depois que lhe foi atribuído, o ano passado, o Prémio Nobel da Paz, o 14º Dalai Lama, chefe político e religioso do Tibete (país ocupado, há quatro décadas, pela República Popular da China), tornou-se uma figura popular, vedeta dos «media» e um escritor conhecido.
Ainda que não estivesse inédito em livro, pois circulavam várias obras suas, em diversas línguas ocidentais, sobre doutrina e prática budista, só depois do Prémio Nobel essas obras passaram a ocupar lugar de relevo nos editores e escaparates de todo o Mundo.
Entre as editoras mais atentas aos «novos ventos da História», a Pensamento de São Paulo (Brasil) tem marcado pontos. Nada lhe escapa de importante e de essencial. Longe vai o tempo em que se considerava medíocre a edição brasileira. Hoje, em matéria de vanguarda, bate aos pontos as melhores editoras de Lisboa e Porto.
É assim que acaba de surgir, quase na mesma hora em que saiu em Nova Iorque a edição norte-americana, « Bondade, Amor e Compaixão»(*), discursos do Dalai Lama nos E.U.A., compilados por Jeffrey Hopkins e Elizabeth Napper. Onde quer que ia e fosse qual fosse o País que visitava (numa peregrinação que em alguns aspectos se assemelha à do Papa João Paulo II) ele conquistava milhões de amigos para si, para o seu povo mártir e para o «dharma» budista. Agora, com estes discursos de larga influência que pronunciou para vastas audiências e abertos a todos os credos, ele conquistará também o coração de milhares de leitores, falando uma linguagem que, de tão universal e intemporal, já quase se encontrava esquecida do mundo contemporâneo.
Com efeito, a mensagem de Sua Santidade Tenzin Gyatso - denominação que hierarquicamente lhe é devida na ordem iniciática a que pertence - , não se destina unicamente a crentes budistas mas a todas as pessoas que acreditam na possibilidade de transformação do homem como indivíduo e membro da sociedade. Entre outros assuntos, o chefe do povo tibetano no exílio fala sobre adestramento e transformação da mente através da meditação, sobra as divindades do budismo tibetano e sobre a arte de captar, além das aparências, a verdadeira natureza das pessoas e dos fenómenos.
O organizador e tradutor desta colectânea, Jeffrey Hopkins, é professor na Universidade de Virgínia, onde rege um curso de estudos budistas, tendo acompanhado o Dalai Lama em suas viagens pelos E.U.A., Sueste da Ásia e Austrália.
De leitura também interessante para o grande público é a obra « Minha Terra e Meu Povo»(**), testemunho sobre as vicissitudes do povo tibetano, em resistência contra o invasor chinês desde 1950.
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(*)«Bondade, Amor e Compaixão», Décimo Quarto Dalai Lama, Editora Pensamento, São Paulo
(**)«Minha terra e Meu Povo», Décimo Quarto Dalai Lama, Editora Palas Athena, São Paulo
(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital», «Leituras de Verão», 6-9-1990

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sexta-feira, fevereiro 22, 2013

FRITJOF CAPRA: ENTRE DOIS PARADIGMAS


1-6 quinta-feira, 6 de Novembro de 2003 - caos-1-nucleo12-acetatos – frontespícios – autoterapia – da epistemologia à naturologia – em demanda do novo paradigma


                                               O CAOS DOS CIENTISTAS

19-8-1996

Ao analisar, a ciência profana reduz e, portanto, mata.
O holístico, o global, o sistémico, o total não resiste à sistemática fragmentação a que a ciência analítica o submete. À fragmentação do Todo em partes separadas. Especialmente se é do universo humano que falamos.
O que separa jamais volta a unir o que separou, por mais que diga o contrário.
A abordagem holística coloca problemas de método que a ciência experimental nunca conseguirá ultrapassar.
As boas intenções de Fritjof Capra são pouco mais que boas intenções, embora para o estudioso das ciências sagradas seja lisonjeiro ver um físico atómico a dizer que o taoísmo já tinha pensado o que a física atómica hoje pensa.
Mas o discurso da chamada área quântica diz bem que os dois modos - Analítico e Holístico - são inconciliáveis, irreconciliáveis .
Caos verdadeiro e irreversível é a teoria do caos e todas as teorias surtas no âmbito da área que a ciência designa de quântica.
+
87-07-18-ls
 
O DESAFIO DE FRITOJOF CAPRA
INVESTIGAR O FUTURO (*)

[ 18-7-1987, in «A Capital»] - Investigadores, bibliotecários e arquivistas do passado, queixam-se do abandono a que foi votado o património documental do País.
As maiores autoridades no domínio da arquivística pronunciaram-se no colóquio realizado durante a 57.ª Feira do Livro de Lisboa, a respeito da indiferença geral que reina sobre os nossos maiores tesouros documentais, fontes históricas insubstituíveis, sem as quais o País perde a sua memória colectiva e, portanto, a identidade.
Sem as quais o País se desintegra. Após muitos anos em que Estado e governos ignoraram olimpicamente uma parte importante da nossa própria existência como povo e como País (a outra é o território físico) parece agora esboçar--se, com a reorganização da Torre do Tombo, a cuja comissão preside o prof. José Mattoso, uma viragem nesta situação de catástrofe. É possível que ainda vamos a tempo de salvar do dilúvio universal alguns arquivos e documentos importantes.
Encaminhada a recuperação da nossa memória colectiva, com a ajuda da informática, ocorreu-me que não seria talvez gratuito aparecer alguém, entre investigadores, bibliotecários e arquivistas do futuro, a reivindicar também uma acção urgente com o objectivo de não perdermos o nosso sentido de orientação como povo: A Imaginação Criadora, na qual se deve considerar incluída, por definição, a Investigação Cientifica.
Talvez o material de trabalho destes investigadores não se encontre, como o dos outros (os do passado), encaixotado algures num barracão, nem sejam tão nítidas as fronteiras do que importa preservar e salvaguardar para que, diante do apocalipse, a linha de rumo não se perca.
Talvez as balizas que delimitam os arquivos do futuro não sejam tão nítidas (e com certeza não são) como aquelas que definem os arquivos do passado.
Mas isso não retira importância à Historiografia Prospectiva ou Ciência do Futuro, e ao material arquivístico que é necessário coordenar para sistematizar esse novo campo da Ciência.
É que, de repente, tudo o que as ficções mais ou menos científicas tinham colocado num limbo de relativa (in)vero-similhança ou (im)probabilidade, torna-se um facto brutalmente instalado na nossa vida real quotidiana.
Com a crise ecológica e a ameaça de holocausto nuclear, o inverosímil torna-se verosímil e o improvável torna-se provável.
A verdade quase comezinha, quase lapaliciana, é de repente posta sem que muitos tenham tido tempo ainda de a assimilar: pode não haver futuro, o tempo e a história deixaram de poder ser considerados uma realidade inesgotável em expansão infinita.
Ora, se não houver futuro, de nada serve preservar o passado, de nada serve a memória conservada, no Tombo ou algures. Destruído o futuro, eis que o passado é também automaticamente destruído.
Não sei, porém, se esta realidade comezinha já terá tocado verdadeiramente os chamados cérebros responsáveis do nosso tempo, que vemos continuarem agindo como se tivessem a eternidade à sua frente e o apocalipse não estivesse já inscrito, na história dos acontecimentos, como hipótese a considerar. A Hipótese.
Mas para que o fim da história não se torne uma noção paralisante das pessoas e dos povos, tão paralisante como o excesso de passadismo, teremos de cultivar, em primeira prioridade, não só a memória do que foi mas a imaginação do que pode ser.
Sem imaginação eco-alternativa, que nos permita ultrapassar, como espécie humana, o impasse da tecnocracia moderna (que só pode conduzir à autodestruição do Planeta, como a Termodinâmica demonstra de maneira física irrefutável), arriscamo-nos a perder o precioso passado que tantos investigadores, arquivistas e bibliotecários justamente tanto acarinham.
Mesmo que essa tecnocracia se afadigue, por óbvio, a informatizar "up to date", a microfilmar e a reduzir a ficha automática milhões de documentos até agora inacessíveis, talvez convenha não confundir essa actividade com o nosso futuro e sobrevivência.
Por mais que se informatize o passado, terá que se desinformatizar bastante o futuro para que este simplesmente venha a ser possível. Sem a desintoxicação de tecnologia informática e de computadores, o planeta sucumbirá e com ele a humanidade.
Os «arquivistas do futuro», como lhes chamei, descobriram e sentem que a humanidade, finalmente, vive a prazo e que o futuro já não é inesgotável (tal como se descobriu que as grandes massas oceânicas ou a estratosfera ou at-mosfera não eram inesgotáveis).
Tal como um doente incurável, a Humanidade terá de reorganizar o seu espaço em função do tempo que ainda lhe resta.
Arquivistas do futuro são aqueles investigadores que procuram descobrir onde foi o ponto de rotura, onde é que esta «civilização» entre aspas, que traz o rei na barriga e a destruição na alma, errou.
Não há ainda uma editora especializada nesta área temática, a que, à falta de melhor, chamaremos de «novo underground»: mas multiplicam-se os testemunhos e as obras-chave que apontam para a nova consciência planetária de auto-conservação da espécie, campo aberto que poderíamos designar por Ciências Holísticas, quer dizer, as ciências que, embora aprofundando recintos particulares, o fazem sempre em referência ao todo, ao global (do globo terrestre) e ao universal (do universo imenso das galáxias).
Tal como o professor José Mattoso dizia dos arquivos do passado, «é cada vez mais nítida e generalizada a consciência de que os nossos problemas começam estruturalmente muito antes», também o arquivista do futuro poderá declarar: «É cada vez mais nítida e generalizada a consciência de que os nossos problemas começam estruturalmente muito depois de nós."
Sem dúvida que para explicar o presente podemos pedir explicação ao passado. Mas para agir no presente, teremos que pedir explicações ao futuro.
Na medida em que o presente tende a afunilar-se num beco sem saída, não podemos estar entregues exclusivamente a interrogar o passado: antes de explicarmos o que somos, pode ser que deixemos de ser, pura e simplesmente.
Evitá-lo é o objectivo fundamental do pensamento eco-alternativo, apoiado em todas as ciências da área holística ou ciências holísticas, movimento e pensamento estes provocados pelo imperativo categórico da crise ecológica
Se chegámos a ela e à eventualidade de um holocausto, que pode até não ser nuclear, que poderá mesmo ser climático, holocausto que acabaria não só com o presente mas com todos os vestígios do passado, a primeira prioridade de uma cultura não suicida, de um povo não suicida, de uma edição não suicida, é saber o que nos levou a esta crise e como ultrapassar dialecticamente o património ideológico que, através dos séculos, filosofias e sistemas, lá (cá) nos conduziu.
Entre os arquivistas do futuro que sistematizaram as causas passadas destes efeitos críticos, está Fritjof Capra, que podemos hoje apontar como o teorizador e diagnosticador da Doença estrutural chamada Civilização Tecno-Industrial.
É em edição brasileira que o vamos encontrar, nas suas duas obras de fundo: «O Tao da Física» e «O Tempo da Transformação».
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(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital», «Crónica do Planeta Terra», em 18 de Julho de 1987

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capra - livros na mão - notas de leitura

UMA HERESIA COM VINTE ANOS
A DANÇA CÓSMICA DE FRITJOF CAPRA (*)

5/8/1990 [ 7-8-1990, in «A Capital» ] - Há livros tão carregados de energia e consequências, que estabelecem à sua volta, após a fase de pânico, uma espécie de vácuo protector, de silêncio tácito, única forma que o sistema de referências e valores tem de se defender contra o implacável desafio que lhe é proposto e que o abala desde os alicerces.
«O Tao da Física», publicado em Londres, em 1975, pelo físico atómico Fritjof Capra - e que a editora Presença teve agora, vinte anos depois, a coragem de lançar em tradução portuguesa - , é um desses livros raros que só pode esperar dos poderes constituídos, nomeadamente da respeitável instituição científica, o vazio do silêncio, o silêncio do vazio (como diria um discípulo de Lao Tsé).
No entanto, cada página, cada parágrafo de «O Tao da Física»(*) - subintitulado «uma exploração dos paralelos entre a física moderna e o misticismo oriental » - suscita questões de tal maneira decisivas, importantes e vertiginosas para o futuro do sistema (que vive de ir matando os ecossistemas) e do próprio planeta Terra, com toda a carga humana a bordo, que se esperaria um debate constante, nos grandes «media», em torno deste explosivo concentrado de teses «revolucionárias», de questões de «alta voltagem energética»
O sistema leva um certo tempo a digerir o que o contesta - é certo - mas, num caso destes, vinte anos decorridos não será tempo demais para hesitarem ainda em dar o prémio Nobel ao físico atómico Fritjof Capra, exorcismando-o assim de todos os malefícios? Seria o suficiente para o neutralizar, darem-lhe uma cátedra na Universidade de Berkeley? Não será uma distracção muito perigosa para o poder científico - que inclui a microfísica no topo das suas glórias, e respectivas bombas termonucleares daí advenientes - não ter ainda conseguido calar este herege, recuperar este filósofo maldito, neutralizar este investigador suspeito de grave heresia, calar, pura e simplesmente calar este autor do diálogo entre a física do Tao e o Tao da física?...
Não serei eu, neste modesto espaço de jornal, a poder quebrar tamanha conspiração de silêncio, e muito menos a poder esgotar o inesgotável manancial de ideias que constitui o livro-manifesto de Capra. Tanto mais que ele, entretanto, já acrescentou, ao seu currículo, outro livro-manifesto, talvez ainda mais explosivo do que este - «Le Temps du Changement», na edição francesa da Rocher(1983) (**) - no qual analisa aquilo a que chama a abordagem «holística» da realidade, indo, neste caso, buscar a palavra «holística» à tradição hermética da Astrologia ... Pior a emenda que o soneto, como se vê.
Um sistema ideológico como o ocidental, tão homogéneo e totalitário na sua inquebrantável tirania, que leva vinte anos a digerir uma tese destas - o paralelismo óbvio entre ciência de ponta e o erradamente chamado «misticismo» oriental (hinduísmo, budismo, pensamento chinês, taoismo e zen, ocupam, em exaustivas descrições, toda a segunda parte da obra) - coloca-se definitivamente em causa, pelo menos quanto à sua capacidade digestiva e metabólica. Por muito duro e redondo que seja o «pedregulho» dado a comer pelo rebelde filósofo inglês, a verdade é que a truculenta instituição científica sempre revelou, para estas coisas, um estupendo estômago, mostrando que tem sabido recuperar quase tudo aquilo que a contesta. Quando não pode calar, compra. E quando não pode comprar, manda perseguir, até que o autor seja «calado»(enjaulado num «gulag» psiquiátrico, por exemplo). Os poucos investigadores que escaparam a esta lei da «linchagem» - como é o caso, por exemplo, de Ivan Illich, que continua a constituir a maior carga subversiva que alguma vez o sistema teve de suportar - , vivem como autores de livros uma existência larvar, na semi-clandestinidade.
Capra parece-me gozar desse estatuto privilegiado: a seu respeito continua a manter-se um «muro de silêncio», muro que só a sua outra qualidade, de especialista na área da microfísica nuclear, impede que seja tão espesso e intransponível.
«O Tao da Física» está aí, em tradução portuguesa, (bastante correcta, diga-se de passagem, nos pontos nevrálgicos), sujeito a todas as contingências do marketing editorial, que tanto promove como derruba, conforme a «conjuntura. Aí está «O Tao da Física», silenciado mas capaz das mil leituras e das mil discussões que os espíritos livres dos investigadores independentes (se é que ainda os há) teriam o maior gozo, prazer e empenho em realizar. O resto não é com Capra. É pura e simplesmente connosco e com o nosso senso mínimo da dignidade intelectual.

CLARIDADE CARTESIANA

De uma claridade cartesiana, o discurso de Fritjof Capra ilustra racionalmente a realidade. Mas não conclui que todo o real é racional e que todo o racional é real, como fizeram hegelianos e neo-hegelianos das últimas fornadas na filosofia ocidental. Capra aceitou o desafio daquilo a que chama, de forma um tanto abusiva e simplista, as «místicas» orientais, e postula zonas do real que se espraiam, como um oceano de ritmos, para lá das praias amenas que a ciência estuda, para lá das baias limitativas e simplórias do racionalismo cartesiano, do idealismo hegeliano e «tutti quanti». Quer o Zen quer o Tao, são exactamente o contrário da mística e da metafísica, e mesmo o seu melhor e único antídoto.
No prefácio da primeira edição, o autor confessa, de forma quase lírica, como a intuição dessa realidade profunda (que é uma profunda unidade de todas as coisas, feita de relações mais do que de conteúdos) o apanhou, numa tarde Verão, à beira-mar, e o tocou, sem alterar as suas convicções de físico atómico, antes as confirmando e ampliando: «Sendo um físico - escreve Capra - eu sabia que areia, rochas, águas e ar que me rodeavam são feitas de moléculas e átomos vibrantes (...) Tudo isto me era familiar pela minha investigação na física das altas energias, mas até ali só tinha sentido isso através de gráficos, diagramas e teorias matemáticas. Sentado na praia, as minhas anteriores experiências vivificavam-se: «vi» cascatas de energia descendo de um espaço externo, onde as partículas eram criadas e destruídas ritmicamente; «vi» os átomos dos elementos e os do meu corpo participando nesta dança cósmica de energia; «senti» o meu ritmo e ouvi o seu som, e nesse momento soube que era a Dança de Shiva, o Senhor dos Dançarinos adorado pelos hindus.»
Definida assim, pelo próprio autor - em palavras que mais ninguém podia subscrever, porque a «experiência interior» é pessoal e intransmissível - a intuição central de Capra tem, como se calcula, incalculáveis consequências para ele ( apanhado em um daqueles momentos-limite existenciais que decidem de uma vida inteira) mas também para a ciência que cultiva e para o sistema cultural a que deve obediência. Um verdadeiro drama. A estes momentos únicos de hecatombe interior há quem chame momentos de «iluminação».
Neste sentido, Capra é um autor sincero, pois bem podia ter ficado calado, continuando a jogar conforme as regras do jogo estabelecido, em vem de obedecer às motivações profundas da sua consciência moral, abalada nos alicerces. Só assim se poderá compreender que ele ousasse desafiar, com teses heréticas e extremamente perigosas para a sua segurança pessoal, o sistema, permanecendo assalariado do próprio sistema: o mundo organizado, pré-programado e totalitário da instituição científica.

INSTITUIÇÃO IMPERTURBÁVEL

Mas a instituição parece não ter ainda percebido o enorme serviço que Capra lhe prestou com esta sua «ousadia». É que, feitas as contas, medindo os prós e os contras, não se sabe quem mais beneficiou deste súbito «aggiornamento»: se a ciência ocidental (à beira do descrédito pelas desastrosas consequências ecológicas já hoje indisfarçáveis), nomeadamente na sua especialidade de ponta, a microfísica nuclear, - se a sabedoria oriental, que nunca oscilou um milímetro, ao longo de mais de sete milénios. Limitou-se a ser ignorada dos filósofos socráticos e pós socráticos, o que só a prestigia e em nada a afecta. Antes, com Heraclito e Parménides, o próprio Capra não deixa de identificar as inúmeras afinidades entre estes pensadores ditos pré-socráticos, e a dialéctica do taoísmo, essencialmente movimento.
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(*) «O Tao da Física», Fritjof Capra, Ed. Presença
(**) «Le Temps du Changement», Fritfoj Capra, Editions du Rocher, Monaco, 1983
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(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital», em «Livros na Mão», série do autor, a 7 de Agosto de 1990
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NA «ERA DA TRANSMUTAÇÃO»
O PARADIGMA PERDIDO (*)
[ 26-11-1988, in «A Capital»] – 1 - Na transição para o terceiro milénio e para a era do Aquário, é a abordagem holística, imediatamente após a abordagem ecológica, o instrumento metodológico adequado à complexidade dos problemas que a civilização tecnológica, completamente cega ao ambiente que a rodeia, tem provocado.
A abordagem ecológica é, no momento de transição, a pedra angular para não perder o pé da realidade e poder realizar o salto para o espírito sem cair no angelismo idealista dos pseudo-espiritualismos que hoje igualmente inflaccionam o mercado.
2 - A abordagem holística da realidade põe fim a uma ilusão estrutural do próprio sistema que vive de ir matando os ecossistemas.
Consiste essa ilusão em «correr constantemente para metas que constantemente se vão afastando».
É o espectáculo pornográfico da concorrência, alimentado por teorias «científicas» como o darwinismo, que invadiu praticamente todo o panorama do mundo contemporâneo, a Leste e a Oeste, onde o paradigma logarítmico do desenvolvimento provoca necessariamente a destruição maciça e inevitável dos recursos naturais.
No mito das metas a alcançar, reside um dos vícios fundamentais em que assenta a civilização tecnológica: e nada adiantam reformas sectoriais no Ambiente, com políticas reformistas de anti-poluição, se todo o sistema continuar a ser minado por vícios estruturais como esse.
«Os Cavalos também se Abatem», romance de Horace Mc Coy (1962), ilustra este vício estrutural da civilização industrial, sem renunciar ao qual essa civilização poucos mais anos poderá sobreviver à falta de recursos naturais que explorar.
Sem um paradigma (ecológico à partida, enquanto radicalização da realidade histórica e holístico nos objectivos e nos programas de acção política), que retome os mais antigos paradigmas das mais altas civilizações da Terra, o planeta continuará a sua marcha para o abismo da autodestruição. Não é por acaso que filósofos como Garaudy apelam às fontes orientais da Sabedoria e historiadores, como Toynbee, ao diálogo das civilizações.
Não é por acaso, também, que um dos mais conhecidos «contemporâneos do futuro», o profeta Ernest Frederich Schumacher, apontou, na sua obra «Small Is Beautiful», a «economia budista» como modelo alternativo de vida à economia tecnocrática actual.
3 - A crise ecológica e os problemas de ambiente não surgem por acidente, no contexto da civilização europeia e devem ser consideradas questões estruturais do modelo ideológico (ou «paradigma», Edgar Morin) que, através dos séculos, preside à história do mundo ocidental (ver Fritjof Capra, in «A Era da Transmutação»).
A abordagem ecológica da realidade implica assim, incessantemente, uma intervenção de maior ou menor alcance no modelo cultural vigente, ou, dito de outro modo, na ideologia dominante.
Não se trata de mudar alguma coisa à superfície para deixar, na essência, tudo na mesma, mas de dar um contributo à «mudança».
Note-se que a mudança, no sistema totalitário que caracteriza a cultura europeia e ocidental, só poderá fazer-se pela criação de alternativas paralelas (de autarcia e auto-suficiência) à sociedade estabelecida.
4 - Conta-se a ciência entre os subsistemas do sistema cultural vigente, pelo que a crítica da ciência estabelecida, servindo esta incriticamente o sistema, se inscreve entre as primeiras «démarches» da abordagem ecológica.
Não se trata de ir contra a ciência, mas de mostrar que a ciência actual, submetida como está às forças económicas e políticas, não pode ter a independência suficiente para se distanciar dessas forças a quem deve total submissão.
A ciência é financiada pelo Estado ou pelas multinacionais, que são entidades super-estados. O mecenato constitui-se hoje como política dos países europeus que dizem, assim, servir a cultura e as artes.
A Ecologia não poderá, enquanto constelação de ideias, incluir-se então nesse conceito de cultura «dependente», já que a independência do sistema económico é condição «sine qua non» de uma abordagem ecológica, necessariamente crítica do sistema estabelecido, sistema que é «causa rerum» da chamada crise ecológica.
5 - A ideologia, traduzida através do discurso dominante em todos os «mass media», é outro objecto fundamental da abordagem ecológica, enquanto análise do sistema que vive de ir matando os ecossistemas.
A abordagem ecológica da realidade política, económica, cultural, artística, literária, desportiva, implica uma análise crítica do discurso e das mitologias que efectivamente sustentam o sistema biocida.
Mathias Finger, da Eco-Ropa (organização fundada por Denis de Rougemont) fala de uma «tanatocracia», da palavra «tanatos», morte, que na «Frente Ecológica» temos designado por «biocídio» nas suas variantes de homicídio e etnocídio qualificados.
6 - A procura holística da unidade universal no mundo fragmentário dos reducionismos e
sectarismos, tem, como qualquer outra construção do espírito, riscos que a capacidade humana não consegue, por vezes, evitar.
O «holismo» é necessário, é mesmo condição «sine que non» da sobrevivência planetária e humana, mas espreitam-no perigos e erros, acidentes de percurso: «abstraccionismo», «materialismo espiritual» (Chogyam Trungpa), «dogmatismo», «angelismo», «irrealismo», etc. são alguns desses erros.
Correndo esses riscos, o «holismo» terá, como corrente fundamental deste nosso tempo, que reforçar o seu peso na mentalidade contemporânea, corrigindo os excessos de divisionismo e fraccionamento que levou, de facto, longe de mais a pulverização da realidade, a «atomização da realidade» (Lanza dal Vasto).
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(*) Este texto de Afonso Cautela, foi publicado no jornal «A Capital», em 26 de Novembro de 1988
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1-13 quinta-feira, 6 de Novembro de 2003 

 http://www.archipress.org/index.php?option=com_content&task=view&id=129&Itemid=49
 
Sagesse des Sages, conversations avec des personnalités remarquables
Fritjof Capra (L'Age du verseau, Paris, 1988)

"Depuis quinze ans, Fritjof Capra plaide pour l'abandon d'une conception trop mécaniste -voire cartésienne- du monde". Ce livre est une rencontre avec des personnes tels que Werner Heisenberg, Krishnamurti, Ronald D. Laing, Alan Watts, Gregory Bateson et surtout Hazel Henderson. "Capra a approfondi une réflexion singulière (...) Notre avenir, notre survie même, passent par une nouvelle sagesse : celle d'individus susceptibles de travailler à l'élargissement de leur propre conscience".
L'auteur est physicien diplômé de l'université de Vienne. Il a écrit Le Tao de la Physique et Le temps du changement .

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