sexta-feira, fevereiro 22, 2013

FRITJOF CAPRA: ENTRE DOIS PARADIGMAS


1-6 quinta-feira, 6 de Novembro de 2003 - caos-1-nucleo12-acetatos – frontespícios – autoterapia – da epistemologia à naturologia – em demanda do novo paradigma


                                               O CAOS DOS CIENTISTAS

19-8-1996

Ao analisar, a ciência profana reduz e, portanto, mata.
O holístico, o global, o sistémico, o total não resiste à sistemática fragmentação a que a ciência analítica o submete. À fragmentação do Todo em partes separadas. Especialmente se é do universo humano que falamos.
O que separa jamais volta a unir o que separou, por mais que diga o contrário.
A abordagem holística coloca problemas de método que a ciência experimental nunca conseguirá ultrapassar.
As boas intenções de Fritjof Capra são pouco mais que boas intenções, embora para o estudioso das ciências sagradas seja lisonjeiro ver um físico atómico a dizer que o taoísmo já tinha pensado o que a física atómica hoje pensa.
Mas o discurso da chamada área quântica diz bem que os dois modos - Analítico e Holístico - são inconciliáveis, irreconciliáveis .
Caos verdadeiro e irreversível é a teoria do caos e todas as teorias surtas no âmbito da área que a ciência designa de quântica.
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87-07-18-ls
 
O DESAFIO DE FRITOJOF CAPRA
INVESTIGAR O FUTURO (*)

[ 18-7-1987, in «A Capital»] - Investigadores, bibliotecários e arquivistas do passado, queixam-se do abandono a que foi votado o património documental do País.
As maiores autoridades no domínio da arquivística pronunciaram-se no colóquio realizado durante a 57.ª Feira do Livro de Lisboa, a respeito da indiferença geral que reina sobre os nossos maiores tesouros documentais, fontes históricas insubstituíveis, sem as quais o País perde a sua memória colectiva e, portanto, a identidade.
Sem as quais o País se desintegra. Após muitos anos em que Estado e governos ignoraram olimpicamente uma parte importante da nossa própria existência como povo e como País (a outra é o território físico) parece agora esboçar--se, com a reorganização da Torre do Tombo, a cuja comissão preside o prof. José Mattoso, uma viragem nesta situação de catástrofe. É possível que ainda vamos a tempo de salvar do dilúvio universal alguns arquivos e documentos importantes.
Encaminhada a recuperação da nossa memória colectiva, com a ajuda da informática, ocorreu-me que não seria talvez gratuito aparecer alguém, entre investigadores, bibliotecários e arquivistas do futuro, a reivindicar também uma acção urgente com o objectivo de não perdermos o nosso sentido de orientação como povo: A Imaginação Criadora, na qual se deve considerar incluída, por definição, a Investigação Cientifica.
Talvez o material de trabalho destes investigadores não se encontre, como o dos outros (os do passado), encaixotado algures num barracão, nem sejam tão nítidas as fronteiras do que importa preservar e salvaguardar para que, diante do apocalipse, a linha de rumo não se perca.
Talvez as balizas que delimitam os arquivos do futuro não sejam tão nítidas (e com certeza não são) como aquelas que definem os arquivos do passado.
Mas isso não retira importância à Historiografia Prospectiva ou Ciência do Futuro, e ao material arquivístico que é necessário coordenar para sistematizar esse novo campo da Ciência.
É que, de repente, tudo o que as ficções mais ou menos científicas tinham colocado num limbo de relativa (in)vero-similhança ou (im)probabilidade, torna-se um facto brutalmente instalado na nossa vida real quotidiana.
Com a crise ecológica e a ameaça de holocausto nuclear, o inverosímil torna-se verosímil e o improvável torna-se provável.
A verdade quase comezinha, quase lapaliciana, é de repente posta sem que muitos tenham tido tempo ainda de a assimilar: pode não haver futuro, o tempo e a história deixaram de poder ser considerados uma realidade inesgotável em expansão infinita.
Ora, se não houver futuro, de nada serve preservar o passado, de nada serve a memória conservada, no Tombo ou algures. Destruído o futuro, eis que o passado é também automaticamente destruído.
Não sei, porém, se esta realidade comezinha já terá tocado verdadeiramente os chamados cérebros responsáveis do nosso tempo, que vemos continuarem agindo como se tivessem a eternidade à sua frente e o apocalipse não estivesse já inscrito, na história dos acontecimentos, como hipótese a considerar. A Hipótese.
Mas para que o fim da história não se torne uma noção paralisante das pessoas e dos povos, tão paralisante como o excesso de passadismo, teremos de cultivar, em primeira prioridade, não só a memória do que foi mas a imaginação do que pode ser.
Sem imaginação eco-alternativa, que nos permita ultrapassar, como espécie humana, o impasse da tecnocracia moderna (que só pode conduzir à autodestruição do Planeta, como a Termodinâmica demonstra de maneira física irrefutável), arriscamo-nos a perder o precioso passado que tantos investigadores, arquivistas e bibliotecários justamente tanto acarinham.
Mesmo que essa tecnocracia se afadigue, por óbvio, a informatizar "up to date", a microfilmar e a reduzir a ficha automática milhões de documentos até agora inacessíveis, talvez convenha não confundir essa actividade com o nosso futuro e sobrevivência.
Por mais que se informatize o passado, terá que se desinformatizar bastante o futuro para que este simplesmente venha a ser possível. Sem a desintoxicação de tecnologia informática e de computadores, o planeta sucumbirá e com ele a humanidade.
Os «arquivistas do futuro», como lhes chamei, descobriram e sentem que a humanidade, finalmente, vive a prazo e que o futuro já não é inesgotável (tal como se descobriu que as grandes massas oceânicas ou a estratosfera ou at-mosfera não eram inesgotáveis).
Tal como um doente incurável, a Humanidade terá de reorganizar o seu espaço em função do tempo que ainda lhe resta.
Arquivistas do futuro são aqueles investigadores que procuram descobrir onde foi o ponto de rotura, onde é que esta «civilização» entre aspas, que traz o rei na barriga e a destruição na alma, errou.
Não há ainda uma editora especializada nesta área temática, a que, à falta de melhor, chamaremos de «novo underground»: mas multiplicam-se os testemunhos e as obras-chave que apontam para a nova consciência planetária de auto-conservação da espécie, campo aberto que poderíamos designar por Ciências Holísticas, quer dizer, as ciências que, embora aprofundando recintos particulares, o fazem sempre em referência ao todo, ao global (do globo terrestre) e ao universal (do universo imenso das galáxias).
Tal como o professor José Mattoso dizia dos arquivos do passado, «é cada vez mais nítida e generalizada a consciência de que os nossos problemas começam estruturalmente muito antes», também o arquivista do futuro poderá declarar: «É cada vez mais nítida e generalizada a consciência de que os nossos problemas começam estruturalmente muito depois de nós."
Sem dúvida que para explicar o presente podemos pedir explicação ao passado. Mas para agir no presente, teremos que pedir explicações ao futuro.
Na medida em que o presente tende a afunilar-se num beco sem saída, não podemos estar entregues exclusivamente a interrogar o passado: antes de explicarmos o que somos, pode ser que deixemos de ser, pura e simplesmente.
Evitá-lo é o objectivo fundamental do pensamento eco-alternativo, apoiado em todas as ciências da área holística ou ciências holísticas, movimento e pensamento estes provocados pelo imperativo categórico da crise ecológica
Se chegámos a ela e à eventualidade de um holocausto, que pode até não ser nuclear, que poderá mesmo ser climático, holocausto que acabaria não só com o presente mas com todos os vestígios do passado, a primeira prioridade de uma cultura não suicida, de um povo não suicida, de uma edição não suicida, é saber o que nos levou a esta crise e como ultrapassar dialecticamente o património ideológico que, através dos séculos, filosofias e sistemas, lá (cá) nos conduziu.
Entre os arquivistas do futuro que sistematizaram as causas passadas destes efeitos críticos, está Fritjof Capra, que podemos hoje apontar como o teorizador e diagnosticador da Doença estrutural chamada Civilização Tecno-Industrial.
É em edição brasileira que o vamos encontrar, nas suas duas obras de fundo: «O Tao da Física» e «O Tempo da Transformação».
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(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital», «Crónica do Planeta Terra», em 18 de Julho de 1987

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1-3
capra - livros na mão - notas de leitura

UMA HERESIA COM VINTE ANOS
A DANÇA CÓSMICA DE FRITJOF CAPRA (*)

5/8/1990 [ 7-8-1990, in «A Capital» ] - Há livros tão carregados de energia e consequências, que estabelecem à sua volta, após a fase de pânico, uma espécie de vácuo protector, de silêncio tácito, única forma que o sistema de referências e valores tem de se defender contra o implacável desafio que lhe é proposto e que o abala desde os alicerces.
«O Tao da Física», publicado em Londres, em 1975, pelo físico atómico Fritjof Capra - e que a editora Presença teve agora, vinte anos depois, a coragem de lançar em tradução portuguesa - , é um desses livros raros que só pode esperar dos poderes constituídos, nomeadamente da respeitável instituição científica, o vazio do silêncio, o silêncio do vazio (como diria um discípulo de Lao Tsé).
No entanto, cada página, cada parágrafo de «O Tao da Física»(*) - subintitulado «uma exploração dos paralelos entre a física moderna e o misticismo oriental » - suscita questões de tal maneira decisivas, importantes e vertiginosas para o futuro do sistema (que vive de ir matando os ecossistemas) e do próprio planeta Terra, com toda a carga humana a bordo, que se esperaria um debate constante, nos grandes «media», em torno deste explosivo concentrado de teses «revolucionárias», de questões de «alta voltagem energética»
O sistema leva um certo tempo a digerir o que o contesta - é certo - mas, num caso destes, vinte anos decorridos não será tempo demais para hesitarem ainda em dar o prémio Nobel ao físico atómico Fritjof Capra, exorcismando-o assim de todos os malefícios? Seria o suficiente para o neutralizar, darem-lhe uma cátedra na Universidade de Berkeley? Não será uma distracção muito perigosa para o poder científico - que inclui a microfísica no topo das suas glórias, e respectivas bombas termonucleares daí advenientes - não ter ainda conseguido calar este herege, recuperar este filósofo maldito, neutralizar este investigador suspeito de grave heresia, calar, pura e simplesmente calar este autor do diálogo entre a física do Tao e o Tao da física?...
Não serei eu, neste modesto espaço de jornal, a poder quebrar tamanha conspiração de silêncio, e muito menos a poder esgotar o inesgotável manancial de ideias que constitui o livro-manifesto de Capra. Tanto mais que ele, entretanto, já acrescentou, ao seu currículo, outro livro-manifesto, talvez ainda mais explosivo do que este - «Le Temps du Changement», na edição francesa da Rocher(1983) (**) - no qual analisa aquilo a que chama a abordagem «holística» da realidade, indo, neste caso, buscar a palavra «holística» à tradição hermética da Astrologia ... Pior a emenda que o soneto, como se vê.
Um sistema ideológico como o ocidental, tão homogéneo e totalitário na sua inquebrantável tirania, que leva vinte anos a digerir uma tese destas - o paralelismo óbvio entre ciência de ponta e o erradamente chamado «misticismo» oriental (hinduísmo, budismo, pensamento chinês, taoismo e zen, ocupam, em exaustivas descrições, toda a segunda parte da obra) - coloca-se definitivamente em causa, pelo menos quanto à sua capacidade digestiva e metabólica. Por muito duro e redondo que seja o «pedregulho» dado a comer pelo rebelde filósofo inglês, a verdade é que a truculenta instituição científica sempre revelou, para estas coisas, um estupendo estômago, mostrando que tem sabido recuperar quase tudo aquilo que a contesta. Quando não pode calar, compra. E quando não pode comprar, manda perseguir, até que o autor seja «calado»(enjaulado num «gulag» psiquiátrico, por exemplo). Os poucos investigadores que escaparam a esta lei da «linchagem» - como é o caso, por exemplo, de Ivan Illich, que continua a constituir a maior carga subversiva que alguma vez o sistema teve de suportar - , vivem como autores de livros uma existência larvar, na semi-clandestinidade.
Capra parece-me gozar desse estatuto privilegiado: a seu respeito continua a manter-se um «muro de silêncio», muro que só a sua outra qualidade, de especialista na área da microfísica nuclear, impede que seja tão espesso e intransponível.
«O Tao da Física» está aí, em tradução portuguesa, (bastante correcta, diga-se de passagem, nos pontos nevrálgicos), sujeito a todas as contingências do marketing editorial, que tanto promove como derruba, conforme a «conjuntura. Aí está «O Tao da Física», silenciado mas capaz das mil leituras e das mil discussões que os espíritos livres dos investigadores independentes (se é que ainda os há) teriam o maior gozo, prazer e empenho em realizar. O resto não é com Capra. É pura e simplesmente connosco e com o nosso senso mínimo da dignidade intelectual.

CLARIDADE CARTESIANA

De uma claridade cartesiana, o discurso de Fritjof Capra ilustra racionalmente a realidade. Mas não conclui que todo o real é racional e que todo o racional é real, como fizeram hegelianos e neo-hegelianos das últimas fornadas na filosofia ocidental. Capra aceitou o desafio daquilo a que chama, de forma um tanto abusiva e simplista, as «místicas» orientais, e postula zonas do real que se espraiam, como um oceano de ritmos, para lá das praias amenas que a ciência estuda, para lá das baias limitativas e simplórias do racionalismo cartesiano, do idealismo hegeliano e «tutti quanti». Quer o Zen quer o Tao, são exactamente o contrário da mística e da metafísica, e mesmo o seu melhor e único antídoto.
No prefácio da primeira edição, o autor confessa, de forma quase lírica, como a intuição dessa realidade profunda (que é uma profunda unidade de todas as coisas, feita de relações mais do que de conteúdos) o apanhou, numa tarde Verão, à beira-mar, e o tocou, sem alterar as suas convicções de físico atómico, antes as confirmando e ampliando: «Sendo um físico - escreve Capra - eu sabia que areia, rochas, águas e ar que me rodeavam são feitas de moléculas e átomos vibrantes (...) Tudo isto me era familiar pela minha investigação na física das altas energias, mas até ali só tinha sentido isso através de gráficos, diagramas e teorias matemáticas. Sentado na praia, as minhas anteriores experiências vivificavam-se: «vi» cascatas de energia descendo de um espaço externo, onde as partículas eram criadas e destruídas ritmicamente; «vi» os átomos dos elementos e os do meu corpo participando nesta dança cósmica de energia; «senti» o meu ritmo e ouvi o seu som, e nesse momento soube que era a Dança de Shiva, o Senhor dos Dançarinos adorado pelos hindus.»
Definida assim, pelo próprio autor - em palavras que mais ninguém podia subscrever, porque a «experiência interior» é pessoal e intransmissível - a intuição central de Capra tem, como se calcula, incalculáveis consequências para ele ( apanhado em um daqueles momentos-limite existenciais que decidem de uma vida inteira) mas também para a ciência que cultiva e para o sistema cultural a que deve obediência. Um verdadeiro drama. A estes momentos únicos de hecatombe interior há quem chame momentos de «iluminação».
Neste sentido, Capra é um autor sincero, pois bem podia ter ficado calado, continuando a jogar conforme as regras do jogo estabelecido, em vem de obedecer às motivações profundas da sua consciência moral, abalada nos alicerces. Só assim se poderá compreender que ele ousasse desafiar, com teses heréticas e extremamente perigosas para a sua segurança pessoal, o sistema, permanecendo assalariado do próprio sistema: o mundo organizado, pré-programado e totalitário da instituição científica.

INSTITUIÇÃO IMPERTURBÁVEL

Mas a instituição parece não ter ainda percebido o enorme serviço que Capra lhe prestou com esta sua «ousadia». É que, feitas as contas, medindo os prós e os contras, não se sabe quem mais beneficiou deste súbito «aggiornamento»: se a ciência ocidental (à beira do descrédito pelas desastrosas consequências ecológicas já hoje indisfarçáveis), nomeadamente na sua especialidade de ponta, a microfísica nuclear, - se a sabedoria oriental, que nunca oscilou um milímetro, ao longo de mais de sete milénios. Limitou-se a ser ignorada dos filósofos socráticos e pós socráticos, o que só a prestigia e em nada a afecta. Antes, com Heraclito e Parménides, o próprio Capra não deixa de identificar as inúmeras afinidades entre estes pensadores ditos pré-socráticos, e a dialéctica do taoísmo, essencialmente movimento.
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(*) «O Tao da Física», Fritjof Capra, Ed. Presença
(**) «Le Temps du Changement», Fritfoj Capra, Editions du Rocher, Monaco, 1983
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(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital», em «Livros na Mão», série do autor, a 7 de Agosto de 1990
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NA «ERA DA TRANSMUTAÇÃO»
O PARADIGMA PERDIDO (*)
[ 26-11-1988, in «A Capital»] – 1 - Na transição para o terceiro milénio e para a era do Aquário, é a abordagem holística, imediatamente após a abordagem ecológica, o instrumento metodológico adequado à complexidade dos problemas que a civilização tecnológica, completamente cega ao ambiente que a rodeia, tem provocado.
A abordagem ecológica é, no momento de transição, a pedra angular para não perder o pé da realidade e poder realizar o salto para o espírito sem cair no angelismo idealista dos pseudo-espiritualismos que hoje igualmente inflaccionam o mercado.
2 - A abordagem holística da realidade põe fim a uma ilusão estrutural do próprio sistema que vive de ir matando os ecossistemas.
Consiste essa ilusão em «correr constantemente para metas que constantemente se vão afastando».
É o espectáculo pornográfico da concorrência, alimentado por teorias «científicas» como o darwinismo, que invadiu praticamente todo o panorama do mundo contemporâneo, a Leste e a Oeste, onde o paradigma logarítmico do desenvolvimento provoca necessariamente a destruição maciça e inevitável dos recursos naturais.
No mito das metas a alcançar, reside um dos vícios fundamentais em que assenta a civilização tecnológica: e nada adiantam reformas sectoriais no Ambiente, com políticas reformistas de anti-poluição, se todo o sistema continuar a ser minado por vícios estruturais como esse.
«Os Cavalos também se Abatem», romance de Horace Mc Coy (1962), ilustra este vício estrutural da civilização industrial, sem renunciar ao qual essa civilização poucos mais anos poderá sobreviver à falta de recursos naturais que explorar.
Sem um paradigma (ecológico à partida, enquanto radicalização da realidade histórica e holístico nos objectivos e nos programas de acção política), que retome os mais antigos paradigmas das mais altas civilizações da Terra, o planeta continuará a sua marcha para o abismo da autodestruição. Não é por acaso que filósofos como Garaudy apelam às fontes orientais da Sabedoria e historiadores, como Toynbee, ao diálogo das civilizações.
Não é por acaso, também, que um dos mais conhecidos «contemporâneos do futuro», o profeta Ernest Frederich Schumacher, apontou, na sua obra «Small Is Beautiful», a «economia budista» como modelo alternativo de vida à economia tecnocrática actual.
3 - A crise ecológica e os problemas de ambiente não surgem por acidente, no contexto da civilização europeia e devem ser consideradas questões estruturais do modelo ideológico (ou «paradigma», Edgar Morin) que, através dos séculos, preside à história do mundo ocidental (ver Fritjof Capra, in «A Era da Transmutação»).
A abordagem ecológica da realidade implica assim, incessantemente, uma intervenção de maior ou menor alcance no modelo cultural vigente, ou, dito de outro modo, na ideologia dominante.
Não se trata de mudar alguma coisa à superfície para deixar, na essência, tudo na mesma, mas de dar um contributo à «mudança».
Note-se que a mudança, no sistema totalitário que caracteriza a cultura europeia e ocidental, só poderá fazer-se pela criação de alternativas paralelas (de autarcia e auto-suficiência) à sociedade estabelecida.
4 - Conta-se a ciência entre os subsistemas do sistema cultural vigente, pelo que a crítica da ciência estabelecida, servindo esta incriticamente o sistema, se inscreve entre as primeiras «démarches» da abordagem ecológica.
Não se trata de ir contra a ciência, mas de mostrar que a ciência actual, submetida como está às forças económicas e políticas, não pode ter a independência suficiente para se distanciar dessas forças a quem deve total submissão.
A ciência é financiada pelo Estado ou pelas multinacionais, que são entidades super-estados. O mecenato constitui-se hoje como política dos países europeus que dizem, assim, servir a cultura e as artes.
A Ecologia não poderá, enquanto constelação de ideias, incluir-se então nesse conceito de cultura «dependente», já que a independência do sistema económico é condição «sine qua non» de uma abordagem ecológica, necessariamente crítica do sistema estabelecido, sistema que é «causa rerum» da chamada crise ecológica.
5 - A ideologia, traduzida através do discurso dominante em todos os «mass media», é outro objecto fundamental da abordagem ecológica, enquanto análise do sistema que vive de ir matando os ecossistemas.
A abordagem ecológica da realidade política, económica, cultural, artística, literária, desportiva, implica uma análise crítica do discurso e das mitologias que efectivamente sustentam o sistema biocida.
Mathias Finger, da Eco-Ropa (organização fundada por Denis de Rougemont) fala de uma «tanatocracia», da palavra «tanatos», morte, que na «Frente Ecológica» temos designado por «biocídio» nas suas variantes de homicídio e etnocídio qualificados.
6 - A procura holística da unidade universal no mundo fragmentário dos reducionismos e
sectarismos, tem, como qualquer outra construção do espírito, riscos que a capacidade humana não consegue, por vezes, evitar.
O «holismo» é necessário, é mesmo condição «sine que non» da sobrevivência planetária e humana, mas espreitam-no perigos e erros, acidentes de percurso: «abstraccionismo», «materialismo espiritual» (Chogyam Trungpa), «dogmatismo», «angelismo», «irrealismo», etc. são alguns desses erros.
Correndo esses riscos, o «holismo» terá, como corrente fundamental deste nosso tempo, que reforçar o seu peso na mentalidade contemporânea, corrigindo os excessos de divisionismo e fraccionamento que levou, de facto, longe de mais a pulverização da realidade, a «atomização da realidade» (Lanza dal Vasto).
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(*) Este texto de Afonso Cautela, foi publicado no jornal «A Capital», em 26 de Novembro de 1988
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1-13 quinta-feira, 6 de Novembro de 2003 

 http://www.archipress.org/index.php?option=com_content&task=view&id=129&Itemid=49
 
Sagesse des Sages, conversations avec des personnalités remarquables
Fritjof Capra (L'Age du verseau, Paris, 1988)

"Depuis quinze ans, Fritjof Capra plaide pour l'abandon d'une conception trop mécaniste -voire cartésienne- du monde". Ce livre est une rencontre avec des personnes tels que Werner Heisenberg, Krishnamurti, Ronald D. Laing, Alan Watts, Gregory Bateson et surtout Hazel Henderson. "Capra a approfondi une réflexion singulière (...) Notre avenir, notre survie même, passent par une nouvelle sagesse : celle d'individus susceptibles de travailler à l'élargissement de leur propre conscience".
L'auteur est physicien diplômé de l'université de Vienne. Il a écrit Le Tao de la Physique et Le temps du changement .

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segunda-feira, fevereiro 18, 2013

PAPUS: O PRINCÍPIO HOLOGRÁFICO DA SABEDORIA

1-4 - sexta-feira, 11 de Outubro de 2002 – editar on line – leituras selectas – ciências do sagrado
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Sublinhados em Papus (*)

O PRINCÍPIO HOLOGRÁFICO
DA SABEDORIA
 
«Aquele que não matou em si mesmo o desejo do ouro não será nunca rico, alquimicamente falando.» (Papus)

Lisboa, 17/11/1996 - Como as 12 ciências do Espírito se encaixam umas nas outras , à maneira das caixas chinesas, ou das bonecas russas ditas matrioskas, é uma das questões filosóficas mais árduas com que se enfrenta a Noologia.
Toda a formação e conformação mental operada pelas ciências do profano (pela hiperanálise da ciência ordinária ) vai no sentido de separar (dividir) e não de holisticamente integrar.
A démarche holística é das mais problemáticas hoje em dia e vai registando fracassos após fracassos.
O regresso aos clássicos da Noologia, como Papus, apesar de tudo e apesar dos muitos equívocos que têm sido difundidos, ainda nos pode ajudar neste puzzle  impenetrável de termos e de conceitos/preconceitos.
A integração de 7 (pelo menos) das 12 ciências sagradas (ciências superiores como ele lhes chama) -
1 - Alquimia
2 - Magia
3 - Astrologia
4 - Numerologia
5 - Hispagíria
6 - Kaballa
7 - Geometria sagrada
8 - Teurgia 

- dada por Papus na sua obra (*), entre as páginas 55-78 , presta-nos um bom serviço de simplificação.
Como repetidamente diz a Noologia, a maior parte das explicações que  encontramos em livros e autores ditos esotéricos ou ocultistas, complicam muito mais do que explicam.
Apesar das demasiadas longas citações que faz de Alveydre e de Olivet - que tanto pecaram também pelo discursivismo -  com o objectivo erudito de tornar o livro mesmo grosso e digno de se chamar «tratado» - podemos apurar referências claras para a clarificação de tão complexo problema: como se articulam (algumas d´) as ciências sagradas entre si.
Algumas alíneas não são esquecidas por Papus e não devem ser esquecidas pelo estudioso da Noologia:
a) Lei da analogia - «Tudo é análogo - escreve Papus - a lei que rege os mundos rege a vida do insecto.» (pg. 56). Ou: «Estudar a maneira como as células se agrupam para formar um órgão , é estudar a maneira como os reinos da Natureza se agrupam para formar a Terra, este órgão do nosso mundo, é estudar a maneira como os indivíduos se agrupam para constituir uma família , este órgão da Humanidade .» (pgs 56-57).
Mais duas subalíneas se podem, a propósito, sublinhar :
aa) A noção moderna de Holos (ver dicionário de ciência) vem na linha do que os artigos chamam lei da analogia
aaa) Entre Homologia e Analogia há uma subtil diferenciação, que só a prática nos ajudará a detectar
b) Pitágoras ajuda Papus nesta ronda pelos «holos» do universo humano: «A fim de que elevando-te no éter radioso , tu mesmo sejas um Deus no seio dos imortais» teria dito (escrito) Pitágoras segundo Papus.
De qualquer maneira é uma bela metáfora e do que não nos podemos queixar é da falta de metáforas , quer dizer, de abundante literatura nos textos que alegadamente tratam de ciências ditas esotéricas .
É uma bela frase, essa de Pitágoras, e faz muito sentido , levando-nos a novas subalíneas:
bb) Pitágoras aprendeu com Hermes e, portanto, está próximo da fonte
bbb) Pitágoras, pela sua simples presença, remete-nos para a ciência sagrada dos Números - outra das 12 - e dos Números para  outra ciência : a Geometria Sagrada
bbbb) Papus já, no seu tempo, ia até à célula como unidade do microcosmo, o que é uma antecipação notável e mesmo genial
c) De acordo com o legado pitagórico , que vem do legado egípcio, que vem do legado atlante, que vem do legado lemuriano, Papus descreve os diversos níveis de organização dos seres vivos, desde a amiba ao Cosmos (pode consultar-se o quadro que , a este propósito, Etienne Guillé apresenta no seu livro «Le Langage Vibratoire de La Vie», Ed du Rocher, Paris, 1990)
d) De sublinhar o que Papus lembra da tradição: Osíris - Ísis - Hórus - santíssima trindade egípcia: «O sacerdote egípcio prosterna-se e adora Deus nele, Deus no mundo, Deus no Universo, Deus em Deus» (pg.60) . Ninguém saberia definir melhor o princípio holográfico que preside, como um eixo, à estruturação da Noologia.
e) O diático que leva ao triádico (à triunidade, uma das 12 ciências sagradas segundo Patricia Kerviel)) expressa-se nestes termos:
Activo -> Passivo -> Neutro
Passivo -> Negativo-> Equilibrado
+            ->        -       ->  Infinito (oito deitado)
Aos que estudam Noologia taoísta, basta recordar o yin-yang para integrar este esquema de Papus.
e) À luz desta triunidade, Papus sublinha as 3 leis do movimento:
1 - Involução ou materialização progressiva
2 - Equilíbrio
3 - Evolução ou  espiritualização
f) Na sequência da triunidade anteriormente evidenciada, Movimento sugere de imediato a Papus um novo salto qualitativo para a Alquimia, outra das 12 ciências sagradas:
«A vida progride através do vegetal» afirma Papus, deixando implícita, entre muitas outras informações, a importância da Hispagíria de Paracelso, como porta de acesso às 4 Alquimias.
g) Admirável e muito subtil uma equivalência que nos dá na página 68: « Os seres , sejam quais forem, são formados em última análise de 3 partes constituintes:
1) Corpo
2) Vida ou Espirito
3) Alma
Para o estudante de Noologia , esta Vida = Espírito é a sopa no mel, é a confirmação da via certa. Assim como esta nota de rodapé , breve mas altamente significativa :
«Sendo diversos autores que tratam da alma é preciso estar atento ao sentido que eles atribuem a esta palavra. Uns chamam alma ao que eu chamo aqui de Vida/Espírito - diz Papus - e Espírito ao terceiro termo a que chamo Alma.
 A ideia é a mesma , por toda a parte, só o emprego dos termos varia.»
h) Descendo das abstracções , é o momento de Papus nos pôr na rota da grande ROTA, ou seja da Kaballa com o quadro /diagrama que, como ele diz, «nos permite ver o sistema no seu conjunto». .
Ora esse esquema ou quadro é a árvore sefirótica simplificada, ou seja, apenas com referências mínimas e sem os conteúdos psicologístico-literários com que regra geral nos surge nas adaptações modernas. 
Nos comentários à árvore sefirótica , Papus sublinha:
1 - «O ensino do templo reduzia-se unicamente  ao estudo da  força universal nas suas diversas manifestações» ( Obrigado Papus: acabaste de dar uma boa definição de Noologia).
2 - Falando do «aspirante à iniciação» diz Papus que ele estudava no templo, os vários mundos dentro deste mundo (esquema holográfico perfeito), as várias esferas dentro da grande esfera: « Era então que ele penetrava no estudo da Natureza Naturante aprendendo as leis da vida (...), o conhecimento da vida dos mundos e dos universos dava-lhe as chaves da Astrologia, o conhecimento da vida terrestre a chave da Alquimia.»
Sublinhe-se
- a vastidão cósmica da palavra Astrologia tal como Papus a enquadra
- A ligação indissolúvel desta Astrologia à Alquimia - 2 das 12 ciências sagradas.
Mas a Kaballah das sefirotes é, segundo Patrice Kerviel, outra dessas 12 ciências sagradas.
Ainda Papus:
«Poucos atingiam a prática e o conhecimento das ciências superiores  - que conferiam poderes quase divinos . Entre estas ciências  que tratavam da essência divina e da sua aplicação na Natureza pela sua aliança com o homem, encontravam-se ( 4 ciências sagradas!) :
- a Teurgia
- a Magia
- a Terapêutica sagrada (Hispagíria)
- A Alquimia
Assim vê Papus a iniciação e o aspirante à iniciação. Citando Saint-Yves d'Alveydre, socorre-se da palavra YHWH , sob a corruptela IEVE , dizendo:
« A primeira letra de IEVE correspondia a uma outra hierarquia de conhecimentos , marcado pelo número 10».
Lembre-se:
a) 10 é o número da árvore sefirótica
b) A leitura teosófica de 10 é 1, um segundo 1 de ordem qualitativa diferente do primeiro 1
c) A letra de outra «hierarquia de conhecimentos» (Y e não I), citada por Papus,  corresponde na grelha das letras de Etienne Guillé ao mundo que este designa de transcendente no quadro dos 3 mundos da  grelha das letras:
a) Incarnação
b) Manifestação
c) Transcendental
Como contributo valioso na sistematização das 12 ciências sagradas - unidas pelo princípio holográfico universal - , Papus, apoiado na Kaballah e no seu comentarista Saint-Yves d'Alveidre, dá um quadro de como o ensino da  ciência antiga se resumia aos 4 graus seguintes:
1 º- Estudo da força universal nas suas manifestações vitais
->  Ciências fisiogónicas
2 º - Estudo dessas forças nas suas manifestações humanas
->  Ciências androgónicas
3 º-  Estudo desta força nas suas manifestações astrais
-> ciências cosmogónicas
4º - Estudo desta força na sua essência e prática dos princípios descobertos -> ciências teogónicas»
Eis dado por Papus o que é um dos quadros de síntese da totalidade mais prodigiosos que conhecemos.
 A distribuição parece-nos pelo menos lógica, tanto mais que se em cada um destes 4 grandes grupos de ciências (no plural) considerarmos 3 singulares , obtemos as 12 (4x3) ciências sagradas em que  fala Patrice Kerviel.
II
As 12 ciências sagradas não só se integram desta forma holográfica , como caixas chinesas, mas nelas também prática e teoria são indissociáveis. E nelas - como genialmente descobriu Einstein  - observador e observado coincidem.
Quer dizer, todas as 12 ciências sagradas dependem intrìnsecamente de todas, a partir da prática alquímica.
Axioma de Ouro para conclusão:
Sem  alquimizar (metabolizar) a informação, o conhecimento nunca se transmudará/transmutará  em sabedoria.
E sem sabedoria não existe ciência do sagrado, nem iniciação.
O que só vem, evidentemente, tornar mais complexa a complexa palavra iniciação.
Quando se diz que não há conhecimento sem iniciação, equivale a dizer que não há conhecimento sem alquimia - sem alquimização do conhecimento, sem alquimização de todas as informações.
O conhecimento, para valer como sabedoria, tem que ser alquimizado.
Por isso a Alquimia é a base das doze ciências sagradas e todas elas têm de passar por ela.
Os 9 números nascem de 1 como as ciências sagradas nascem da Alquimia, que é , ao mesmo tempo, 1 e todos os números, (d) o Todo.
Com a ajuda de Papus podemos dizer que do Ponto nascem todas as figuras geométricas - que são, ao mesmo tempo, o Ponto e  N pontos .
III
Mais uma vez a Kaballah parece constituir o grande carrefour onde várias ciências sagradas convergem e de onde irradiam.
Se Kaballah for tomada como a «ciência sagrada» por antonomásia, talvez não seja exagero.
Como diz Papus, a Kaballah é fundada no mesmo princípio : «todas as letras nascem de uma só, o iod, da qual exprimem todos os aspectos como a Natureza exprime os diversos aspectos do Criador» (definição de Holograma)
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«Traité Élémentaire de Science Occulte», Papus,  Ed. Dangles, Paris, s/d


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sábado, agosto 11, 2012

PUBLICADOS AC:1956-1991-I


SURREALISMO & SURREALISTAS

35 ANOS DE CAMPANHA



  • Aqui fica a cronologia possível com a maioria dos textos publicados (1956-1991) onde refiro nomes, obras e factos relacionados com o «surrealismo» e os «surrealistas».

1956.5.1 – In « A Planície», «Moral de Epicuro com Citações de S. Paulo»

1959. 4. 2 - In «Diário de Notícias», Suplemento literário , «Uma Nova Teoria da Criação Humana», texto sobre o livro «Luz Central», de Ernesto Sampaio
1959.4.30 - In «Diário Popular», suplemento literário, «Cultura Imóvel e Cultura Fascinante», responde ao artigo de João Palma Ferreira, no mesmo suplemento, em 16.4.1959

1963.3. 00 - In «Surreal-Abjeccionismo», antologia organizada por Mário Cesariny de Vasconcelos, o texto intitulado «A Falência do Neo- Realismo», já publicado no caderno «Zero» nº1
1963 (?) - In «Notícias da Amadora», sob o pseudónimo de Henrique Pires Ventura - «Surrealismo-Abjeccionismo, uma antologia de indesejáveis»
1963.5. 63 - In "Jornal do Fundão" - «A Antologia – um Poema Colectivo»
1963.5.16 - In « Jornal de Notícias», suplemento literário, «1924-1964: surrealismo-Abjeccionismo»
1963. 4. 10 -In «Jornal de Letras e Artes», «Surrealismo-Abjeccionismo, uma sessão na Casa da Imprensa»
1963.8.14 - In semanário " Letras e Artes", «O Surrealismo é uma Filosofia»
1963.11.6 – Fernando Barros contra A.C. in «Jornal de Letras e Artes», «A Filosofia não é um Surrealismo»
1963.12.4 – In «Jornal de Letras e Artes», «Filosofia e Surrealismo», resposta de A.C. a Fernando Barros
1963.12.12 – In "Jornal de Notícias" (Porto), suplemento literário, «O Surrealismo e o que se traduz»,
1963-12-12- In «Diário de Notícias», suplemento literário, «Arte e Anti-Arte»
1963+- In « Bandarra-Artes e Letras Ibéricas», «Surrealismo e Lugar-Comum»

1964. 1.23 – In «Jornal de Notícias»(Porto), «suplemento literário, «O Teatro e a Morte»
1964.11.13 – In Jornal "República", «O Surrealismo em Portugal»

1965.8.24 – In Jornal "República ", «Planète» e os Cometas de Cauda»,
1965.7.28 – In « Jornal de Letras e Artes», «Surrealismo, a mais Importante Encruzilhada Intelectual do Nosso Tempo»

1966.3.20 - In Jornal "República" , suplemento «Bastidores», «Do Fantástico Surrealista à Antecipação Abjeccionista» ( ou «O Surrealismo e a Reabilitação do Fantástico»?)
1966.4.7 - In “Jornal de Notícias”, (Porto), «O Surrealismo e a Reabilitação do Fantástico»
1967.6.22 – “Jornal de Notícias”, Porto, suplemento literário, «Alguns Apontamentos sobre Surrealismo Ainda»

1968.7.19 – In Jornal « A Capital» , recensão de livros, «A Literatura e o Mal», de Georges Bataille

1971. 5. 8 – In semanário «Notícias da Amadora», «Georges Bataille nas Mãos das Bruxas»
1971.11.3 – In «Jornal da Costa do Sol», suplemento «Seara», «Os Temas de Antecipação»

1972.2.6 – In « Diário de Coimbra», Suplemento Juvenil, «1942-1966: Cronologia Incompleta do Surrealismo Em Portugal»
1972.3.29 – In Jornal « A Capital/ Literatura e Arte» «As Leis da Imaginação, o Acaso Objectivo»
1972.4.11 – In «Diário do Alentejo», «Crime na Catedral»

1973.1.16 – In «Diário do Alentejo» , «Georges Bataille: descer aos Infernos sem Escafandro»

1975.0.00 – In «Cronos – Cadernos de Literatura e Arte», «A Posição Histórica do Surrealismo» (1975.7.28 )

1989. 8. 19 – In Jornal «A Capital» , Afonso Cautela entrevista Mário Cesariny

1991.3. 26 – In Jornal «A Capital» coluna «Livros na Mão», «Bataille Desafia Habermas»

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2012.7. 31 - Inédito até agora, sábado, 4 de Agosto de 2012 mas já publicado no Blogger -> «Voltas e reviravoltas do abjeccionismo»

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sexta-feira, março 20, 2009

SILÊNCIOS 1991

1-1-media-manifest- chave ac

PARA UM MANIFESTO MULTIMÉDIA

14/5/1992 - Interface (#) importante para os textos aqui citados é tudo o que já ficou teclado in file «plurimed» de directório , e onde se faz a cronologia de acontecimentos que expressam uma abertura gradual dos «media» (e da própria OMS) às terapêuticas holísticas, como placa giratória de uma nova «revolução pacífica».
Destacando-se do magma geral do diário, este conjunto de textos poderá ficar na primeira linha para mais um caderno da colecção «Notícias da Clandestinidade», ainda na oficina de Magalhães.
Outro interface(#) importante dos textos aqui enunciados é o das Memórias AC, de que também constituem um destaque de certa importância e dimensão (incluem-se textos sobre a experiência de ser jornalista «outsider» e «franco-atirador», especialmente no campo das lutas desinteresseiras mas interessantes.)

1988-1989

Durante o ano de 1989, o tema dos «média» surgiu frequentes vezes no diário ac, podendo constituir esses textos uma base para a elaboração de um manifesto multimédia em que, segundo se diz no frontespício, «um grupo de intelectuais independentes toma posição relativamente à futura atribuição de canais privados de televisão.»
Nessas páginas, diversamente datadas, correm-se temas tais como:
-O neo-cinismo da «nova imprensa» (modelo:«O Independente») ou a chamada mentalidade vídeo-clip
-Detectando o cinismo que hoje vende bem
-Ecodireitos do leitor, ouvinte, telespectador
-O direito de ser informado
-Uma manhã a telefonar para a Direcção Geral dos Cuidados de Saúde Primários ( ver diário geral, 13/8/1984)
-Com a verdade me enganas ( ver diário geral, 27/10/1989)
-Mensagem de intelectuais independentes ao grupo multimédia que os quiser ouvir (duas páginas de 1989)
-Carta a todos os industriais do ramo - O plano de Informação ecológica que ninguém quis (1989)
-O jornalista face aos temas-tabu e proibidos = Os temas ainda mais explosivos da Ecologia Humana
-O maternal-paternalismo é indissociável do diário quotidiano(10/11/198?)

O discurso em «eu» de quase todos estes textos torna-os mais indicados para um «testemunho ac» sobre a sua própria profissão de jornalista do que para um Manifesto, que necessitaria maior distanciamento e objectividade.
Acresce que muitas dessas páginas foram escritas na perspectiva do «lutador» pela causa holística e de ecologia humana, durante as várias investidas que ac efectuou para «vender» a ideia de uma agência de informação ecológica.
Estes textos - escritos, na sua maioria, em 1988 e 1989 - ficarão, portanto, ordenados cronologicamente. Desse dossiê «militante» e umbilicalmente ligado ao «diário», poderão aproveitar-se para o Manifesto Multimédia algumas passagens.
+
1-1- media-2- marco26&- diario91- os silêncios que falam - contributo às «reflexões sobre a crise»

AS CENSURAS COMO CONCEITO ALARGADO

Lisboa, 26/3/1991 - Em directo ou em diferido, há dias, desde que se iniciaram as hostilidades no Golfo pérsico, que ouvimos a retórica alegadamente libertária sobre a censura à notícia de guerra. E são muitos a queixar-se, sem que haja censura, o que pode levar a desconfiar da fartura.
Mas se nos distanciamos um pouco dessa súbita retórica em louvor da liberdade noticiosa e recuarmos no tempo, até ao primeiro choque petrolífero, em 1973-74, começamos a compreender que a famosa liberdade noticiosa do jornalismo é conforme as circunstâncias e as conveniências, extremamente elástica. Tal como a democracia.
Verificamos, por exemplo, que em Portugal e logo após o choque petrolífero do 25 de Abril, foram ficando, pelo caminho, silêncios e silenciamentos que nunca ninguém denunciou, em nome da liberdade de expressão de pensamento. Na minha modesta perspectiva, os silêncios e silenciamentos mais pesados verificaram-se sobre aquelas iniciativas, tecnologias, energias, acções, actividades, indústrias, ideias, movimentos, etc., etc., que traziam ou defendiam as tecnologias democráticas e efectivamente libertadoras ou apropriadas.
[São tão numerosos os silêncios e silenciamentos operados pela democracia formal sobre as tecnologias democráticas, que se torna impossível enumerá-los todos. Mas, para que se faça um dia o inventário das ta's (tecnologias apropriadas), que, desde 1974, se impunham como antídotos das guerras, das crises, das ditaduras e dos totalitarismos, tentemos lembrar algumas e alguns , como exemplo:]
(...)
A censura imediata à notícia em directo é um dos atentados ao direito de informar. Mas também é um atentado ao direito de informar, calar as alternativas que podiam, se desenvolvidas e levadas à sua máxima expressão, ter evitado a guerra, obliterando o estrangulamento a que o sistema em geral e o sistema energético em particular tende a submeter as democracias. Porque -- há que repeti-lo -- esta guerra, que dura há semanas, começou em Setembro de 1973, com o chamado primeiro grande choque petrolífero. Durante estes anos há os que trabalharam no sentido da paz - que é o das iniciativas alternativas e tecnologias de paz, as artes de viver -- e há os que se renderam à lógica de guerra -- que é a submissão e subordinação à monodependência de uma única fonte energética -- proibindo, portanto, o desenvolvimento das múltiplas saídas para a crise.
Porque não falar aí de censura, de silêncios e silenciamentos?
Será que o sistema precisa mesmo de crises para se manter? De muitos mortos -- no terreno -- para sobreviver?
+
media-1

QUEM, QUEM, QUEM?

Lisboa, 29/9/1991 - Quem ateia ou manda atear os fogos de Verão?
Quem quer salvar a Amazónia?
Quem lança interferências nas ondas e nos canais de televisão?
Quem convida os jornalistas a fazer reportagens no Peru, na Colômbia e em Nova Iorque?
Quem dá as informações sobre assuntos em segredo de justiça?
Quem controla a publicidade de automóveis e de cosmética nas grandes revistas em papel couché?
Quem acciona as campanhas publicitárias a favor de certos filmes como «Um Mar de Fogo» e «O Silêncio dos Inocentes»?
Quem afoga cinematografias e cineastas que se encontram fora dos circuitos de produção e distribuição norte-americanos?
Quem? +
1-1- invent1- media-3-diario91-diario- ficções - diario de ideias- eu-clandestino-polémico

VIVA LA MUERTE

Lisboa, 6/4/1991 - Se algum dia, para bem da Pátria e da economia, for necessário demolir os Jerónimos, ocupar o Rossio de buldozzers, plantar um milhão de eucaliptos no Saldanha, incendiar de novo o Chiado, (...), tenhamos a certeza de que tudo se fará na melhor ordem, em silêncio, com uma notícia discreta, se tanto, dada nos jornais, o encolher de ombros indignado das oposições, o risinho trocista dos ecologistas de serviço, o empenhamento reflexivo e ensaístico dos nossos melhores intelectuais e arquitectos, enfim, com os constitucionalistas a garantir que tudo é constitucional, que a destruição é legal e portanto legítima, que a destruição é estetica e eticamente necessária, que a destruição é providencial, que a destruição é o primeiro passo para uma reconstrução saudável, rentável, maleável.
Tenhamos fé, homens de Deus e de Alá: a construção civil sempre se fez sobre os ossos, a pele, o sangue, os cadáveres dos civis.
A reconstrução sempre foi o outro lado dialéctico da destruição.
Viva a destruição.
Viva la muerte.
+
1-2-media-4- pervers-diario-diario91 - manifesto da unideologia # manifesto multi-media - lógica da perversão - media- texto chave de ac

O SISTEMA QUE VIVE DE IR MATANDO OS ECOSSISTEMAS

Lisboa, 1991 - O sistema existe para gerir o desperdício, pois dele vive. Mas há, durante o ano, um Dia Mundial da Poupança, em que o sistema manda os jornalistas escrever comoventes elogios da poupança.
O sistema vive de gerir a Doença, porque a doença dá inenarráveis lucros às Indústrias, porque reproduz em cadeia mil outras indústrias, mas, uma vez no ano, festeja, com estrondo, o Dia Mundial da Saúde.
O sistema vive de gerir a Pobreza e a Miséria, mas não há nenhum político, em campanha eleitoral, que não prometa ir combater a Pobreza e a Miséria: se de facto acabassem com elas, o que é que iriam prometer nas próximas eleições?
O sistema vive de gerir o Desemprego, porque se recusa a diminuir horas de trabalho, porque se recusa a dar mais férias e reformas mais cedo, porque se recusa a humanizar o trabalho. Mas, uma vez no ano, assinala o Dia Mundial do Trabalho.
O sistema vive de desperdiçar, mas defende todos os crimes e alienações e opressões em nome da «batalha da produção».
O sistema vive de gerir o Ódio, como se pode ver por todo o romanesco das séries televisivas ou de 99,9% da produção cinematográfica norte-americana, mas de repente é capaz de criar, uma vez no ano, o Dia Mundial do Amor, conforme aos melhores preceitos do Evangelho.
O sistema vive de incentivar o Bairro da Lata, as periferias, os excluídos do Banquete, mas, todos os anos, celebra o Dia Mundial dos Direitos do Homem.
O sistema vive de explorar a Mulher, mas assinala o Dia Mundial da Mulher, tanto como o da Terceira Idade ou o da Criança.
O sistema vive da destruição do Mar, atirando ao Oceano tudo o que é produto químico e radioactivo, cargueiros são afundados propositadamente com cargas tóxicas e perigosas, mas, uma vez no ano, ele canta o Dia Mundial do Mar, e possivelmente entoa um requiem às valentes Baleias e aos inteligentes Golfinhos.
O sistema vive de gerir a mais implacável mania da Competição e da Inveja social (em que assenta a luta e a dialéctica de classes), mas depois é capaz de vir um M. S., encomendado pelo sistema, a proclamar que a Solidariedade é uma coisa nova e porreiríssima e que faz um bem enorme à Constipação.
O sistema vive de gerir a Desconfiança, com filmes e serviços de espionagem espalhados por todos os serviços, mas depois é capaz de mandar o escriba de serviço tecer loas heróicas à Confiança, às virtudes da sinceridade, da honestidade, da verticalidade, da inteireza de carácter.
O sistema vive de gerir a Opressão, mas depois invoca a Liberdade de Expressão de Pensamento e, mais uma vez, é capaz de invocar a Carta Universal dos Direitos do Homem.
O sistema vive de incentivar a Caça a todas as espécies animais, nomeadamente as que dão lucros internacionais, como o Elefante ou a Baleia, mas vai com certeza patrocinar, com o mecenato das companhias industriais, um Dia de Amor aos Animais, que os jornais, sempre atentos, veneradores e obrigados, ilustram a cores.
O sistema vive de ir matando os ecossistemas, mas todos os servidores impenitentes do sistema, jornalistas e arredores, dão a vida pela Vida, pela Natureza e pelo Ambiente, no Dia Mundial do Ambiente, em favor dos animais, das plantas e dos rios.
O sistema vive de ir pilhando, destruindo e poluindo o Planeta Terra, a que já nem falta a Antártida, um dos últimos redutos, mas de repente vira defensor da Terra, do Planeta, dos Recursos Naturais.
O sistema vive de incentivar o Cancro -- todo o ambiente hoje é cancerígeno, com os índices crescentes de poluição química e radioactiva -- mas depois diz que está investigando uma nova vacina...contra o Cancro.
O sistema vive de incentivar a Imunodeficiência ( e a imunodepressão, ou imunosupressão) mas depois inventa a SIDA, causada por um vírus que vem da África e dos Macacos Verdes...

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domingo, março 01, 2009

PUBLICADOS AC ANOS 50/80

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7-1-1991

ANOS 50-ANOS 80

IDEIAS AC: PROVAS DOCUMENTAIS PUBLICADAS

 OS «MEUS» TEMAS
 AS «MINHAS» TESES
 LISTA DE INTUIÇÕES AC A REPESCAR
 QUASE TODOS PUBLICADOS
 TESES «LOUCAS» QUE CONTINUAM «VIRGENS»
 BOAS IDEIAS - COM ÍNDICES ACIMA DE *****
 ECOHERESIAS - AC -
 AUTOANTOLOGIA AC - SELECÇÃO DA SELECÇÃO


ANOS 50
7/Julho/1957 - A Escola em beleza - In « A Voz de Loulé»
-Carta de um Campónio para a Cidade - Em defesa da pátria local - Escute-se a voz dos indivíduos - Inédito de 1958
-Modernidade e História - Ensaio crítico sobre um livro de Natália Correia «Poesia de Arte e Realismo Poético» - In Revista «Ocidente», 16/Junho/1959
ANOS 60
25/Outubro/1963 - Hipnotismos - In « Diário do Alentejo»
-À margem do livro «Monsieur Gurdjieff», a ciência da civilização - In « Diário de Notícias», 29/8/1963
-A propósito do Kabuki - Para que se não perca a sabedoria que a ciência do Ocidente esqueceu - In jornal« República», 30/Outubro/1965
-Do fantástico surrealista à antecipação abjeccionista - In«República», 20/Março/1966
- 1967
-A dificuldade de ser jovem - In «República» , cortado pela censura, 13/Março/1967
-Um leitor na multidão - In « República», 24/Abril/1967
-Cooperam hoje os inimigos de ontem - In «República», 13/Julho/1967
-Inquieta o mundo o fogo que na América se ateia - In « República», 4/Agosto/1967
-A fé nas ideias - in « República», 14/Setembro/1967
-Para um diálogo sobre o «pequeno cinema» - In « República», 14/Setembro/1967
-O mundo em projecto - In «República», 18/Setembro/1967
-Enquanto é tempo - In «República», 18/Outubro/1967
-Na linha de Hipócrates a ciência médica progride - In «República», 28/Outubro/1967
-Os sobressaltos da carreira - In « República», 19/Dezembro/1967
-O filme «Camelot» - In «República», 26/Dezembro/1967
1968
-O mês das profecias - In « República», 2/Janeiro/1968
-As parcelas da soma - In « República», 11/Fevereiro/1968
-A história em movimento - In « República»,28/Outubro/1968
-O prémio Nobel da paz a René Cassin - In «República», 30/Outubro/1969
-Mercados para a gripe - In «República», 24/Dezembro/1968

ANOS 70
-Porque está atenta a indústria das distracções - In «Notícias da Amadora», página «Desenvolvimento», 31/Janeiro/1970
-Europa 2000 - In « Notícias da Beira», 10/Junho/1970
-A FAO contra a fome - In « Notícias da Beira», 28/Junho/1970
-Apóa os primeiros 10 anos a prospectiva acelera - In « Notícias da Beira» , 29/Junho/1970
-Empresas francesas financiam um novo grupo de investigação prospectiva - In «Notícias da Beira», 30/Junho/1970
-Luz verde pra a destruição - in « O Século», 22/Julho/1970
-Etapas para o Ano 2000 - Prémio Erasmo para o arquitecto Scharoun - In « O Século», 3/Agosto/1970
-Etapas para o ano 2000 - Relações humanas na cidade futura - In «O Século», 10/Agosto/1970
1971
-Raposa no espeto - In «República» («Jornal da Crítica»), 9/Janeiro/1971
-«A Criança e a Vida» - In « Notícias da Amadora», 9/Janeiro/1971
-Com o pé direito - 30/Janeiro/1971
-Júlio Roberto, O ITAU e a fome, esse lugar-comum, in « Notícias da Amadora», 6/Fevereiro/1971
-«Planète» e o pensamento planetário - In «O Século Ilustrado», 6/Fevereiro/1971
-O sismo da nova utopia - In « Notícias da Beira», 24/Fevereiro/1971
-Um esclarecimento de Eduardo Prado Coelho, in « Notícias da Amadora», In «Notícias da Amadora», 25/Fevereiro/1971
-Sobre Danilo Dolci - In « O Século Ilustrado», 6/Março/1971
-Contra a tecnocracia o livro «para uma contra cultura» - In « O Século Ilustrado», 27/Março/1971
-Uma sociedade (auto) marginal - Sobre o livro «O Universo dos Hippies» - In « O Século Ilustrado», 3/Abril/1971
-Pão caseiro, uma certa saudade - In « Diário do Alentejo», 5/Maio/1971
-Teilhard de Chardin - In «Notícias da Beira», 6/Julho/1971
-Revista «Actual» - In «Notícias da Beira», 28/Julho/1971
-Depois do apocalipse - In « O Século Ilustrado», 31/Julho/1971
-Discordar é loucura - In « Notícias da Amadora», 6/Agosto/1971
-Entre a catástrofe e a esperança - In «O Século Ilustrado», 7/Agosto/1971
-Adiando a morte - In «Notícias da Beira, 9/ Agosto/1971
-Cultura asfixiante - In « Notícias da Beira», 11/Agosto/1971
-O marialvismo de «Tempo Escandinavo» - In « Notícias da Amadora», 4/Setembro/1971
-A aposta europeia de Louis Armand - In « Diário do Alentejo», 6/Setembro/1971
-As (outras) ciências que a ciência desconhece - In « O Século Ilustrado», 18/Setembro/1971
-Europocentrismo e civilizações exógenas - In « Notícias da Beira», 24/Setembro/1971
-Equívoco da estética informacional - in «O Século Ilustrado», 2/Outubro/1971
In « Notícias da Beira», 15/Outubro/1971
-«O Futuro do Futuro» - In «Diário de Coimbra» (Sup «Juvenil»), 4/Novembro/1971
-Aos excelentíssimos fornecedores - In «Notícias da Amadora»,18/Dezembro/1971
1972
-Ou há moralidade ou comem todos - In « Notícias da Amadora», 8/Janeiro/1972
-O alarme da varíola - In «Notícias da Beira», 25/Maio/1972
-Electrodomésticos dão cá cada choque - In «Notícias da Amadora», 24/Junho/1972
-Margem Esquerda - Que infelicidade nascer chinês - In « Diário do Alentejo», 23/Setembro/1972
-Margem Esquerda - Mortes - In « Diário do Alentejo», 27/Setembro/1972
-A tomada do poder por Luís XIV - Um Problema de ecologia - In « A Capital», 9/Dezembro/1972
-As verdadeiras causas para lá dos suspeitos interesses - In « Diário do Alentejo», 20/Dezembro/1972
1973
-Progresso e Meio Ambiente - In «Diário do Alentejo», 9/Fevereiro/1973
-Peão em Lisboa - In « O Século Ilustrado», 11/Agosto/1973

1974
-Defender a vida, entre católicos e esquerdistas - in «Diário do Alentejo», 5/Fevereiro/1974 - *****
-Figo Maduro - In « O Século Ilustrado», 9/Fevereiro/1974
-Política mais barata - In colecção «Mini-ecologia» nº 7 , 30/3/1974
-Tribunal ecológico para delitos contra o ambiente, in colecção «Mini-Ecologia», nº 4
-Não à neutralidade tecnológica - In «O Raio», 28/Junho/1974
-Homem & Ambiente - Água - até quando? - In « Diário do Sul», 29/Junho/1974
-Pedreira italiana - In «O Século Ilustrado», 10/Agosto/1974

-A esperteza (saloia?) dos tecnocratas - Contra o neomaltusianismo de alguns ecologistas - In « Diário do Alentejo», 28/Agosto/1974
-Da natureza romântica à natureza ecológica - Prefácio AC ao livro de Michelet, Novembro/1974
1975
-Nós, os fósseis de amanhã - Considerações sobre Ivan Illich - In «Encontro», Fevereiro/1975
-O movimento ecológico na revolução educativa e cultural - 8 temas para um ecomilitante, 2/Maio/1975
-Ecologia e revolução, in « O Século», 5/Junho/1975
1976
-Estratégia ecológica contra centrais nucleares - In «Expresso», 3/Abril/1976
1977
-Envenenado com mercúrio o mito amarelo das laranjas, inédito de 1977 (?)
-O deserto avança em duas frentes - ou o que as reuniões da ONU nunca dirão - In «Telex», 6/Abril/1977
-Professor denuncia situação de causa-efeito - eua desviam furacões - mexicanos sofrem de seca
1978
-Amazónia - último pulmão verde da terra - In « A Capital», CPT, 4/Julho/1978
-Crise de energia ou crise de imaginação - 20 questões indiscretas - In «Página Um», 3/Março/1978
-Da esquerda à esquerda - Onde está o país deste país - In « Página Um», 17/Março/1978
-Autosuficiência implica soluções ecológicas e uma ciência do meio concreto (não abstracta) - In «A Capital», 15/Julho/1978
-Carta de Portugal à humanidade vítima do genocídio sísmico-nuclear, in colecção «100 dias» ? Ou in « A Capital»? - 18/10/1978
1979
-Política de consumos e moral económica - In « A Capital», 19/Abril/1979
-Cidade-Cancro - In «Arteopinião» - Abril/1979
-Dilema português - Soluções há muitas - Dinheiro é que não - In « Diário Popular», 23/Abril/1979
-Descentralização e ecodesenvolvimento - In « Diário Popular», 1/Junho/1979
-As vítimas do progresso urbano - In « Diário Popular», 10/Agosto/1979
-Nós, cobaias - até quando? - In colecção « », Agosto/1979
-O chumbo que respiramos - In « A Capital», 8/Setembro/1979
-Um planeta chamado Necroterioville - In « A Capital», 20/Setembro/1979
-Petróleo ou Oceano? - In «Madeira Hoje»,21/Setembro/1979
-A angústia será desestabilizadora? - In «A Capital», 10/Outubro/1979
-Se o desemprego não existisse, teria que ser inventado - In « A Capital», 20/Outubro/1979
-Nova ordem mundial? - In « A Capital», 27/Outubro/1979
-O charme discreto do café - In «Portugal Hoje», 8/Novembro/1979
-A angústia será desestabilizadora? - In « A Capital», 10/Novembro/1979
ANOS 80
1980
-Nem só de medicina vive o homem - In « A Capital», 20/Janeiro/1980
-A que horas começa a guerra nuclear? - In « A Capital», 9/Fevereiro/1980 - Protecção Civil - Apocalipses - Selecção CPT - Abrigos de Pequim, os melhores do Mundo - O nosso luminoso futuro de toupeiras - A que horas vai a guerra rebentar? - Os «virtuosos» do crime - São o fim do mundo
-As outras olimpíadas - In « A Capital», 22/Março/1980 (?) - Com as estatísticas nos enganam - Morte rodoviária ainda dá lucros - Lagarto verde estraga prestígio de Barnard - As mães que tomavam brometo - O mistério das manchas vermelhas
-Há estudos desde há trinta anos mas não se tomam medidas - «Alto risco» no ar respirado pelo lisboeta - In « Portugal Hoje», 11/Maio/1980
-Portugal não receia concorrência da CEE na protecção contra acidentes com indústrias perigosas - In « Portugal Hoje», 17/Maio/1980
-Será sempre o consumidor a pagar as despesas antipoluição- In «Portugal Hoje», 18/Maio/1980

-Ciência humorística e alterações climáticas - In « A Capital», 30/Agosto/1980
-Alerta contra as «doenças da civilização», in «Portugal Hoje», 13/Dezembro/1980
-Nem só de trabalho vive o homem - In rádio, 1980
1981
-Será difícil adivinhar o que vai ser a década de 80? - In «Região de Leiria», 20/Março/1981
-Ecologia - Luta do Povo - In, «Voz do Povo», «A Capital», «Diário de Coimbra», 21/Março/1981
-Trabalho e Ecologia - in « Come e Cala», 31/Julho/1981
-Dosciplinar o consumo - In « A Capital», 1/Agosto/1981
-O maior laboratório experimental do mundo - In «Diário de Notícias», 6/Agosto/1981 - Índice de novidade:*****
-Neoescravatura - Os ignorados porões da história, In « », 9/Setembro/1981
-Manipula o teu próximo - In «A Capital», 10/Outubro/1981
-No dia a que chamou de alimentação, a FAO lembra: « Há 36 anos a combater a foma, a humanidade tem cada vez menos alimentos», in «Portugal Hoje», 18/Outubro/1981
1982
-Silêncio sobre a Polónia - Os que a história (não) vai emudecendo - In « A Voz da Amadora», 5/Fevereiro/1982
-Depois do Apocalipse - In « A Capital», 13/Fevereiro/1982 - Sobre a saída vertical ou mística - Ref. a yin-yang -
-Vegetarianos à força - In « A Capital», 17/Maio/1982
-Os satélites que nos espiam - In «A Capital», 29/Novembro/1982
1983
-Delitos: pequenos, médios e grandes - In « A Capital», 15/Janeiro/1983
-Moliço e jacinto de água: energia há muita, falta é vontade política, in «A Capital», 28/Fevereiro/1983
-Será a guerra nuclear a suprema expressão da luta de classes? - In « A Capital», 9/Julho/1983
-E a guerra sísmica? - Os travestis da paz - In «A Capital», 19/11/1983

1984
-Medicinas livres em movimento - In « A Capital»,21/Abril/1984
-As duas medicinas dão as mãos - In «A Capital», 25/Abril/1984
-Ecologia humana, ciência maldita - In «A Capital», CPT, 8/Setembro/1984
-Doenças da macrocefalia - Mais um caso de Ecologia Humana em Portugal - In « A Capital», 6/Outubro/1984
-Congestionamento da informação e estratégia intelectual, in « Jornal de Notícias», - O que é supérfluo e o que é fundamental para quem trabalha com as ideias e para quem vive de escrever, pensar, imaginar? Para quem vive contra o tempo num constante contra-relógio?
-O paranoico livro de João Bernardo - Exemplo a guardar com cuidado, como paradigma das parvoeiradas de pretensa e pseudo-esquerda atiradas sobre o que eles chamam «ecologismo» e que se repete nas parvoeiradas agora da direita como as que a revista «k
apa» bolsou sobre o mesmo nebuloso nome de «ecologia», «ecologismo» e outros eco-equivocos - Inédito de 1979
1985
-Teoria das Placas - A arte de assustar meio mundo - In «A Capital», 12/Janeiro/1985- Adrenalinas (conceito alargado) - Banalização do terror - As ameaças - A manipulação pelas ameaças - Bruxas e adivinhos
-A fome que fabricamos - In « A Capital», 19/Janeiro/1985 ew 26/Janeiro/1985
-Sinalização de segurança - In « A Capital», 4/Abril/1985
-Perigos do não alinhamento - Como descalçar a bota? - In « A Capital», 6/Abril/1985
-Reunião sobre produtos perigosos - In « A Capital», 12/Junho/1985
-Perversões modernas - A ideologia triunfante - In « A Capital», 13/Julho/1985
-Sais de bismuto provocam encefalopatias - In « A Capital», 22/Agosto/1985
-Prevenção alimentar do cancro - In « A Capital», 31/Outubro/1985

- Professores de saúde - reivindicação máxima do movimento holístico - cartaz «alternativa a la medicina: aprender a vivir

1986
-O mistério sísmico-nuclear - In «A Capital», 27/Setembro/1986
-Perigos da Informática - In « A Capital», 11/Outubro/1986■

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IDEIAS AC 1965-75

1-6-ineditos-ac-mg =if= inéditos favoritos domingo, 15 de Setembro de 2002
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CHAVE PARA AC 1964: 
A ECOLOGIA HUMANA EM 1964 ? (*)
 
 INTUIÇÕES DE ECOLOGIA HUMANA
- NARRATIVA FABULOSA
- INVENTÁRIO AC
- CONCEITOS ALARGADOS
- LINHAS DE INVESTIGAÇÃO AC

«Diz-me o que comes -- em sentido lato -- e dir-te-ei quem és...»

Em 1964, já AC procurava o «sentido lato» (conceito alargado) e portanto a metáfora do «ar que se respira», sendo claro ao seu espírito que o «ar que se respira» é também o ideológico, o mitológico, o industrial, o químico, o físico.
Poucos anos depois, viria o sentido lato da expressão «o que comemos» e, portanto, o sentido lato da palavra «alimentos».
Mais tarde, encontraria, emocionado, em Simone Weil, a confirmação desta intuição do conceito alargado (ou plural) de alimento/alimentos.
E o inventário surgia, espontâneo, como o processo literário de dar a soma/ ou o somatório dos diversos factores ou «parcelas da soma».

[INÉDITO PARA TECLAR DESPONTUADO E/OU TEXTO ABERTO]

Nem só os físicos atómicos e a sua herança contribuíram para definir a espécie de ar que hoje se respira e, por maioria de razão, se há-de respirar amanhã.
Nem só as poeiras radioactivas
nem só a poluição do ar atmosférico pelas explosões termo-nucleares em testes na atmosfera
Nem só a água do mar onde caem bombas perdidas (as que se sabe e as que não se sabe) de onde são ou não são retiradas
Nem só o clima de histeria internacional criado pela corrida aos armamentos
Outros factores e ingredientes o constituem: a propaganda em torno das mitologias ou ideologias políticas, a demagogia pró-paz, os jornais, as agências, a rádio e a televisão
Outros factores e ingredientes o constituem: a atmosfera de industrialização maciça; a superpopulação e o isolamento dos indivíduos em unidades fechadas;
o ruído difuso que corrói, o ruído directo que lacera; o incremento de objectos domésticos e electro-domésticos, a alienação intelectual e afectiva a esses objectos; o espaço fechado dos arranha-céus;
a desproporção entre o indivíduo e os espaços monstruosos edificados nunca a pensar nele; a respiração física e moral dentro de ambientes viciados; o tédio intrínseco às super-organizações e respectivas hierarquias; a velocidade;
a agressividade do trânsito automóvel sobrepondo-se ao peão, ferindo, golpeando, empurrando; a devassa da vida privada, a que procedem as polícias;
as devassas à intimidade do domicílio (livros, roupas, papéis, gavetas, etc.) com pretexto em trabalhos de investigação; a censura oficial de actos, palavras, escritos, a chantagem e a delacção, os interrogatórios e a lavagem ao cérebro, os tribunais e as câmaras de tortura;
a espionagem e a contra-espionagem, não só ao nível das relações internacionais -- deteriorando na origem qualquer hipótese de convívio ou diálogo entre países -- mas ao nível das relações individuais, no trato quotidiano e profissional
a pena de morte efectiva ou a pena de morte disfarçada de funcionalismo médio ao serviço do capital financeiro e do Estado;
os investimentos financeiros postos ao serviço do armamento e retirados à bolsa do contribuinte que, além desse, esportulará mais o imposto de sangue e quantos impostos a cadência inflacionária de todos os regimes lhe impõe;
Mas nem só, nem só estes «pequenos nadas» constituem a paisagem que rodeia, modela e determina o indivíduo;
os valores, os chamados valores que filósofos fabricam nas universidades, discursam nas academias, inserem nas revistas da especialidade; as chamadas controvérsias ou colóquios de Genebra; as chamadas doutrinas ou teorias, ou humanismos, são ainda e também o habitat do homem civilizado.
Arterioesclerose, depressão nervosa, cancro, alcoolismo, intoxicação pelas drogas medicamentosas ou alucinogénicas, suicídio, acidentes de viação, acidentes de aviação, criminalidade -- parecem ser os surtos endémicos protagonistas da comédia humana nesta fase da História.
Agredido, bombardeado, atacado pelo «ar que se respira», posto à prova nas suas defesas, na sua resistência e no seu poder de superação, as doenças epidémicas são apenas a única forma que resta aos indivíduos de reagir e sobreviver: doente, mas sobrevivente.
As drogas ou «paraísos artificiais» já não chegam para atenuar a dor de existir em tal tempo e mundo; álcool, morfina, cocaína, LSD, tranquilizantes, narcóticos, já não chegam para atenuar a morte; por isso adoece, que é a única forma de estar vivo numa civilização doente de morte.


9184 caracteres de inéditos escritos em 1963/1964 e que foram redigidos sob clara influência de algumas leituras.
Nestes textos paira a influência de leituras como:
- Simone Weil, «As Doenças da Alma», in «l'Enracinement»
- Mesmer, «O Magnetismo Animal»
- Karen Horney, «A Personalidade Neurótica do Nosso Tempo»
- Louis Pauwels, «Monsieur Gurdjieff»
- Aldous Huxley, «As Portas da Percepção»
- Erich Fromm, «A Sobrevivência da Humanidade»
- Voltaire, «Cândido ou o Optimismo»
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ac - ele - perfil - 11.449 caracteres

INTERFACES DA ECOLOGIA HUMANA:

1 -DIVERSIDADE CULTURAL
2 -SAÚDE
3 -ECONOMIA
4 -DIREITOS HUMANOS

10 ANOS PARA AMADURECER (?)1962-1972: AC EM PUBLICADOS DURANTE OS ANOS 1972-74
1972
Datam de 1972 alguns dos artigos publicados que foram marcantes na «descoberta» de intuições (de Ecologia Humana) ainda hoje, vinte anos depois, por validar ou invalidar. São as chamadas «teses impopulares», que me parece estar condenado a levar por toda a vida como uma cruz e que talvez nunca saiba se valeram ou não a pena. Quer dizer, se efectivamente tinha razão em defendê-las, sozinho, contra tudo e contra todos. É costume dar sentenças fáceis, aconselhando cada um a manter-se fiel às suas próprias convicções, neste caso às suas próprias intuições.
Outro aspecto a sublinhar é que essas intuições vão radicar -- vão encontrar raízes -- numa intuição central, surgida (EM 1962?) após a experiência surrealista e existencialista e a que, para facilitar, tenho chamado «perspectiva de escala». desde a perspectiva do animal à do extraterrestre, do louco ao toxicodependente, do pobre ao hipermilionário, desde a cultura aborígene dos maias ao modus vivendi de uma Europa medieval; cada «behavior» condicionado pelo meio, acho que foi sempre o centro à volta do qual girei, como um pião doido, pois a relatividade das culturas (das «perspectivas de escala») é um redemoínho anti-dogmático, capaz de consumir quem nele aposte ou se meta.
Mas haverá ciências humanas sem esta perspectiva de escala?, pergunto eu ao investigador de ciências humanas Carlos Filipe Marreiros da Luz.
1963
Quando publiquei alguns artigos, em 1972, impulsionado por esta intuição básica, nuclear, chave, deixava para trás muitos inéditos, que, desde 1963, falavam de idênticas obsessões. É de 1963, o ensaio «A experiência subterrânea - Poesia como Sinónimo de Iniciação», assinalando a influência esmagadora que tivera sobre mim a leitura desse texto imenso de algumas páginas que é «A Voz Subterrânea», de Dostoiewski.
Acho que foi este escritor eslavo o responsável pelas minhas manias ecologistas, apenas explícitas dez anos mais tarde. Também de 1963 (Abril), são vários inéditos sobre surrealismo e, como intuição básica, o ensaio(só muito parcialmente publicado) «Os Equívocos do equívoco neo-realista». [«Neo-realismo» era o eufemismo de que então se serviam alguns clandestinos como eu para designar o gulag nas artes e nas letras.]

1963
Creio que é também de 1963 (como se o meu ritmo fosse de 10 em 10 anos!) um outro texto-chave das (minhas) intuições, a que chamei «Definição do Homem Obsceno».
Curiosamente, acaba de ser publicado pela editora Hiena, em 1991, o ensaio de Henry Miller, que na altura me bateu forte e me levou a escrever essas 19 páginas A4, rigorosamente inéditas até hoje. É de notar apenas que a palavra «obsceno» tem continuado a servir para tudo, menos para designar aquilo que, filosoficamente, Henry Miller e eu significámos... Como se 19 pgs A4 fosse pouco, existe ainda um outro ensaio (rigorosamente inédito), intitulado «Acção Obscena e Reacção Literária» .
Também de 1963 -- como ano a que hoje chamaria «compact», pelo concentrado de produção que originou - , há um outro longo ensaio, inédito até hoje, inspirado na leitura absorvente (do niilismo) de Samuel Beckett, «Exercício dialéctico -- Entre a política da metafísica e a metafísica da política».
Parcialmente publicado (creio que no «Jornal de Notícias», suplemento literário) é também de 1963 (ano de oiro ou ano da desgraça?) «A Voz Trágica», escrito, creio eu, sob a influência quase demoníaca de Nietszche, cuj «A Origem da Tragédia» foi para mim também uma tragédia, pela forma como me bateu forte na cabeça. Ou antes, em todo o ser e não só no intelecto. Quando falo de experiência existencial -- ou de «aventura surrealista», ou de «homem obsceno» -- é isso que também quero dizer.

VOLTANDO A 1972-73
1972
São de 1972, as 12 pgs A4 sobre «O Dr. José Castro ou a Juventude do Naturismo», «compact disc» das minhas intuições sobre a interface «Saúde» da Ecologia (expressão que data, se bem me lembro, desse tempo). Enviado para a «Gazeta do Sul», é de confirmar se terá sido publicado neste semanário do Montijo ou se terá vindo a inserir-se, por iniciativa do Dr. Rocha Barbosa, director desse semanário, no livro «Ecologia e Medicina» por ele produzido e editado.
Dez anos depois destes pontos vitais, creio que me aplicava mais terra a terra ao concreto, deixando na prateleira os escritores e todo o seu veneno letal. Chama-se «Contributo à Revolução Ecológica», um livro publicado em condições bastante curiosas -- impresso e composto em Coimbra, por influência do meu compadre Matos-Cruz --: foi um bico de obra conseguir tirá-lo de lá, pois os tipógrafos resolveram achar que o texto não era suficientemente revolucionário . Mais um episódio deste calvário , foi este do meu livro «Contributo à Revolução Ecológica», cujo exagero do título está de acordo com os tempos de exagero que então se viviam.
É só para dizer que nesse livro se encontram impressas algumas intuições que me gabo de ter tido e que até hoje não vi ...confirmadas nem desmentidas. Cito, por exemplo, títulos como: «Generalizando Conceitos para compreender certos preconceitos» (10/7/1972), «Melhorar o Mal - Primores do Reformismo» (12/7/1972), «Desprezo pela qualidade da existência» (19/8/1972).
Insólito e nunca visto é, por exemplo, o que aparece dito nesse livro em 19/4/1972, sobre os organismos especializados da ONU, nomeadamente FAO e OMs.
Aparece publicado no «Diário do Alentejo» (o jornal que mais aberto se mostrou às teses esquisitas), um artigo de 5 pgs A4, «Aspectos esquecidos pela Campanha Internacional contra a Poluição». Irá aparecer em livro incluído em «Ecologia e Medicina», um texto carregado de maus presságios (intuições...), « Tristes recordações de um Dia Mundial» (10 pgs A4), escrito no Dia Mundial do Ambiente, 5 de Junho.
Nesse texto, abordava-se o tema ainda hoje tabu da medicina preventiva confundida com «vacinas». Data de alguns dias antes -- 28/5/1973 --, o texto mais virulento sobre vacinas -- posteriormente aparecido em colecção «Textos de Apoio» -- que se intitulava «A Cada um o seu sarampo e a vacina para todos». Para o bem e para o mal, continuo a achar que esse texto -- longo de 21 pgs A4 --, essa tese e essa intuição, continua intocável. E que é um ponto-chave da alavanca na subversão do sistema.
Já em 1973, o Dia Mundial do Ambiente ficaria novamente assinalado com um texto de 10 pgs A4, ainda mais subversivo, «As Cobaias do Barreiro e a Agonia de um Método», em jeito de carta dirigida ao Prof. Delgado Domingos, que já então dava troco a alguns ecologistas fanáticos como eu. Mereceu inclusive uma carta dele, que devo guardar, creio, nos lotes (atados) «Cronologia», na respectiva data.
São de 1973, na maioria, os textos que viriam a sair publicados no livro «Ecologia e Medicina», onde me defendi, conforme pude, acolhendo-me sob a autoridade do Dr. Rocha Barbosa e do Alain Bosquet (André Gorz). Tema fulcral entre outros que nunca mais vi abordado nem sequer por ecologistas, é o das «Doenças do Consumo», que consome várias páginas das 33 A4 de tão longo e polémico ensaio.
São também de 1973, textos incluídos no livro «Contributo» e que constituem um «pesado contributo» à subversão que na altura parecia possível efectivar: «Um Problema de Lixo» (22/4/1973), 3 pgs A4 e «Contra a demagogia das Poluições», a noção de ecosfera no centro da unidade dialéctica», 5 pgs A4, em que se inclui uma citação de Barry Commoner, um dos ideólogos do movimento mais esquecidos e que, anos mais tarde, viria a fundar, sem êxito, o Partido dos Cidadãos nos EUA.
A vertente ou interface «económica» da ecologia aparece em força também em 1973, com o ensaio dos ensaios (um «compact disc» da «minha música») que é «Depois do Petróleo, o Dilúvio - Ecologia e Dialéctica da Crise», publicado -- e portanto esmagado -- em pleno Abril de 1974. Depois disso -- receio bem... -- não fiz mais do que me repetir.
1974
São 19 pgs A4, o ensaio «Tribunal Ecológico para delitos Contra o Ambiente: Tarefa de Hoje para os Que vierem amanhã», «compact disc» da vertente ou interface «direitos humanos» da ecologia, vertente que os ecologistas completamente omitiram, no pensamento e na prática. Uma intuição, publicada in col «Mini-ecologia» nº 4. que caiu também e portanto em cesto roto.
São de 1974, as 18 pgs A4, publicadas no livro «As Feiticeiras», «compact disc» de uma intuição sobre uma interface da ecologia, a das «culturas arcaicas». Destruí, creio, o último original dactilografado, pelo que resta apenas o texto publicado no livro da editora Afrodite
São 17 pgs A4 o «Manual Prático de Resistência Passiva & Acção Quotidiana, pacífica, não violenta, escrito em 25 de Janeiro de 1974 e publicado, posteriormente ao 25 de Abril, em colecção «Mini-Ecologia», nº 2.
Na sequência desta, outras intuições do movimento ecologista (não confirmadas nem desmentidas até hoje...) aparecem em textos, tais como:
-«A Ecologia é uma fase evoluída da marcha histórica» 15/2/1974, (in «Contributo»?), 3 pgs A4
- «O Paraíso dos Gadgets ou Algumas histórias da tecnologia boa - Pedagogia do Consumidor», 15/4/1974, 27 pgs A4
- «Cristóvão Colombo no meio de Chacais - Crítica da Ciência Sofística», 4 pgs A4, in colecção «Mini-ecologia», nº 9
- «A Luta contra o Obscurantismo passa pela imaginação criadora», 7 pgs A4, 12/8/1974, in «Diário de Lisboa», 12/8/1974
- «Emancipar o Consumidor, desinstitucionalizar os serviços», 23/11/1974, 9 pgs A4, in colecção «Mini-Ecologia»?

TEXTOS CONJUNTURAIS E CIRCUNSTANCIAIS - 1974-1975

[«Breve Experiência da Liberdade - Intervenção Cívica do Jornalista», 4 publicados de 1974]
- «Em legítima Defesa do Jogo democrático», in «Diário de Lisboa», 31/7/1974, 5 pgs A4
- «Mobilizar Capacidades - Descolonizar o Povo», in «Diário do Alentejo, 12/7/1974
- «Os Arrivistas do Proletariado», in «Diário do Alentejo», 27/7/1974, 2 pgs A4
- «Brigadas de Boa Vontade - Aproveitar já todos os recursos humanos», 10 pgs A4, in «Diário do Alentejo», 3/10/1974
- «Organizados em Movimento Unitário - Trabalhadores intelectuais repudiam pluralismo que integre forças contra-revolucionárias e apoiam poder popular» , in «O Século», 7/10/1975, 2 pgs A4
- «Que partido escolher?», in «Diário do Alentejo», 16/9/1974, 1 pg A
1975
- «Com o MFA: Contra os alarmismos apocalípticos de certa imprensa estrangeira (e nem só)» , in «Diário do Alentejo», 13/2/1975, 2 pgs A4
Talvez inédito e com certeza insólito surge um texto de 16/7/1975, 11 pgs A4, «Manifesto Contra a Liberdade -- Eu Anarquista me Confesso admirador da ordem e da disciplina pela ditadura da Natureza»
[ Com este título, de certeza que não o publiquei em parte nenhuma, nem sequer nos cadernos da clandestinidade que foram as edições «Frente ecológica»
- Na mesma onda, juntam-se mais 5 pgs A4, onde aludo à assembleia do MFA. Penso que posso datar daí -- 25/7/1975 -- os primeiros confrontos com a «censura pós 25 de Abril»
- Há um título de arrumação, aliás, «Os Censurados de Abril -- 11 impublicados de 1974 e 1975», suficientemente explicativo para necessitar mais comentários

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sábado, fevereiro 21, 2009

IDEIAS AC 1957

1-1 69-02-17-sa-eu-esc-1- autobiografia do afonso - domingo, 13 de Abril de 2003

[texto pouco brilhante e significativo - mero apontamento memorandum - eventualmente a reteclar (texto aberto)

PROSPECTIVA E INICIAÇÃO LITERÁRIA

17/2/1969 - Se há matéria que se devia ensinar à juventude, a Prospectiva é com certeza essa matéria. Na literatura, algumas estreias recentes mostram como estão viciadas dos mesmos ingredientes que tornaram obras literárias de há 30 anos (muito consideradas na altura) em monos de antiquário.
O literário pelo literário prevalece e abunda. Não se vive e depois escreve. Escreve-se e depois vive-se (ou nem depois). O escrever impede de viver. Respira-se literário no sentido mais livresco. As páginas juvenis acusam esse teor. Nada já dizem. Acostumaram-se a uma repetição monocórdica de alguns «mestres» e nada revelam de audácia, de originalidade, de autêntica experiência e de arrojo na descoberta.
Talvez porque o método e ponto de arranque estejam errados. Talvez.
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eu-prec
+
19-4-1992

INÉDITOS + PUBLICADOS AC EM SELECÇÃO A4

 25 anos de intuições AC (*): 1963 (Maio) a 1975(Junho)
 Linhas de arrumação por fases (etapas ou entre-datas):
- Diário da Heresia (1963)
- Diário de uma Descoberta (Ecologia Humana)
- Intuições fundamentais de Ecologia Humana (1971-72-73)
- Intuições AC de EH e RF (realismo fantástico)

DA ECOLOGIA HUMANA À HOLÍSTICA

Intuições AC:
- arrumadas aqui por ordem cronológica (1957-1986)
- já lançadas em c.r. (computador da redacção)
- inclui originais de publicados e recortes de publicados
- provas documentais, portanto, de algumas heresias AC, algumas das quais já deixaram, entretanto, e com o progresso da ciência, de ser heresias
-----
(*) Teses «loucas» de AC - Ver atado «Antinuclear» - onde se incluem textos AC sobre o que chamei de «sindroma sísmico-nuclear», tese que até hoje (19/Abril/1992) ninguém adoptou, à excepção de Hans Kaminsiki, de Bochum (e mesmo assim só parcialmente). Ver «Imbróglio Celulósico-Florestal» (outra tese «louca» AC) no dossier «Temas Sazonais»
+
eu-esc-6

A NECESSIDADE QUE ELE TINHA DE HETERÓNIMOS

Lisboa, 29/6/1992 - Literatura não é Arte e exclui, portanto, o virtuosismo inerente a todas as artes. Não faz sentido pretender o virtuosismo no escritor, tal como se exige e espera do Violinista, do Pianista, do Tenor, do Maestro, do Compositor, do Pintor, do (...).
Não faz sentido subordinar a literatura - lugar comum do lugar comum - a géneros, como se comprova pelo anti-livro que se chama «Livro do Desassossego». O (anti-) livro é o último reduto dos que já não podem pensar nem escrever em mais nenhuma outra parte - nem sequer nas portas dos lavabos, nem sequer nos rolos de papel higiénico - último reduto dos que perderam tudo, menos a esferográfica e um papel de embrulho.
«Só o livro é livre» escreveu o sonhador e utopista Afonso Cautela . Ilusões. A grande questão dos heterónimos do escriturário Fernando Pessoa é apenas esta evidência. Para quem escreve - e não tem rigorosamente nenhum talento artístico de espécie nenhuma - a saída da ficção romanesca é uma falsa e estreita saída: os personagens, dentro de uma intriga romanesca, só se permitem trocar banalidades.
Vamos imaginar um romance à maneira onde o Fernando Pessoa despejasse o discurso que despejou no Bernardo Soares, no Álvaro de Campos, no Ricardo Reis, no (...)? Só a heteronimia o salvou de morrer asfixiado. O romance, com as regras catalogadas por David Mourão Ferreira, Eduardo Prado Coelho e todos os outros críticos, só dá saída a uma relativa normalidade, sinónimo de mediocridade, como todos eles concordam. Onde caberá o resto, se não em heterónimos?
Um escriturário com a obrigação predestinada e obstinada de traduzir o Universo, não podia escrever literatura de acordo com todas as regras impostas pelos professores de Literatura e outrosagentes da ordem cultural estabelecida.
Há quase meio século que eles andam a ruminar Fernando Pessoa e, como se sabe, ainda não o metabolizaram.
+
3072 BYTES-eu-esq-7

2 MANUSCRITOS DE 1971

Lisboa, 7/5/1971
- ( será este texto mesmo de 1971 ou uma repescagem tardia? ele serve, claro, de texto aberto para reteclar um dia, ele serve de base a MEMÓRIAS AC mas também tem interfaces com) :
- # - Diário da resistência

- # - Intuições AC
- # - As teses malditas de AC

1 - Nesta imensa solidão intelectual que é Portugal, tentei algumas vezes, a pretexto de entrevistas, escutar alguns intelectuais que me pareciam mais responsáveis e que, por isso, deviam ter, a meu ver, opinião sobre a civilização, as doenças da civilização e a civilização como doença. Quase todos e a quase todas as perguntas se furtaram, enquanto as classificavam, na maior parte, de «preconceitos» meus. Não interessa nomear, apontar quem foi. Limito-me a deixar arquivadas as perguntas que poderão porventura vir a servir, no futuro, em tempos mais felizes e propícios, a outros entrevistadores que queiram saber dos entrevistados «para onde vai a civilização do lixo».
[ intuições ac - as minhas teses malditas - ]

2 - Lisboa, 26/12/1970 - Quando o mais medíocre dos homens - que eu, sem falsas modéstias, sei ser - se sente, em certos instantes, obrigado ao papel de profeta, tenho de concluir que o nosso tempo é de facto um tempo de arrasadora mediocridade . (cf. «Le Manifeste Différencialiste», de Henri Lefèbvre). Quando as pessoas, televisionadas , não querem ver as evidências que se metem pelos olhos da cara, quando os absurdos se repetem nos mais pequenos pormenores quotidianos, que fazer? Que pensar?  Que fui eu a perder a razão, ou que todos eles a perderam? É triste que, com tanta gente sábia de volta, a guerra para reabilitar alguns lugares-comuns, algumas evidências, algumas coisas mais do que óbvias, seja esta guerra que aqui se trava, quotidiana e contrariadamente. Com tal gente, não se progride nada, estagna a espiral da evolução [??]. Que fazer?
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eu-esq- diario ac anos 70 - rigorosamente inédito (ri) - diariamente a crueldade de existir  - as relações humanas texto aberto - ensaios de karma yoga (iniciação à sabedoria) - diário de um suicida - atribulações de um cidadão comum - # obsessões ac = intuições ac - leituras moraes = contos morais

DIÁRIO DA CRUELDADE

A dependência em que alguém possa estar de alguém, é o princípio de todos os despotismos e de toda a corrupção. Diariamente o confirmamos. Se as humilhações recebidas servem, às vezes, para nos revigorar o ânimo, na maior parte o limiar de resistência é ultrapassado. Se alguém analisar lá bem no fundo da sua consciência, não consegue de facto encontrar nenhum pecado tão pesado para expiar, pelo qual precise de receber tanta bofetada, tanta pisadela, tanto encontrão e tanta canelada, tanta crueldade ao longo dos dias, das semanas, dos anos.
Se é verdade que a teoria da metempsicose nos dá uma certa tonicidade moral e nos ajuda a suportar a diária humilhação de quantos, tendo o poder, nos podem atirar as pedradas, se é verdade que, segundo a lei do carma, «tudo se paga», neste mundo ou no outro, e que nada fica atrasado na contabilidade cósmica, quem diariamente enfrenta a crueldade de existir -- sobre o Planeta Terra, no ano de 1974 depois de Cristo - dificilmente encontra na metempsicose algum consolo...
É que mal um arranhão está a cicatrizar, já nos fizeram mais dois; mal estamos a recuperar de uma bofetada sem mão de um minidéspota qualquer e já outro se assanha, sob a forma de transeunte diário, irmão e camarada de infortúnio, compatriota e conterrâneo... Claro que ninguém tem coragem de se confessar. Todos receiam mostrar que são vítimas diárias desta «pouca sorte»... Inibem-se. Iludem-se, exibem o seu melhor sorriso de clorofila. Ao que se queixa, até talvez se chame refilão, protestante, contestatário. Para lá do mais, o bicho não só deve aguentar no pelo a água a ferver, como não deve queixar-se, tugir nem mugir, grunhir sequer. Quando alguma coisa boa e pura nos acontece -- a ternura de um filho, de um irmão, de um amigo, por exemplo -- ele chega a pensar que não é com ele, nem tem coragem de acreditar e julga que foi engano do destino. Quando se abre uma clareira de tréguas neste massacre quotidiano, o doente já nem aprecia a paz, antevendo que a seguir será ainda pior... Uma hora de sorte em mil de azar, pode ser interpretada como prenúncio de uma ofensiva ainda mais dura, mais desumana, mais cruel do destino.

ALGUNS SÃO MESMO FELIZES

Suspeito, no entanto, de que a felicidade exibida de muitos, não é fictícia. Eles são efectivamente homens de sorte. Nem caneladas, nem empurrões, nem lâmina de ingratidões. São escolhidos de deus, eleitos da sorte. E a pergunta impõe-se: como é que está afinal (des)organizada esta economia cósmica, para assim suceder: toda a patifaria contra uns e nenhuma para outros. Sem querer, um tipo torna-se maniqueísta. Não há dúvida que o mundo está dividido: vítimas de um lado e os que fazem vítimas do outro. Sem que os papéis mudem um só instante, sem que haja repouso, ou piedade, ou tréguas para os vencidos, os da mó de baixo, para o azarento, o nervoso, o magro, o subdesenvolvido. O mais confuso desta (in)justiça universal é que nem só o dinheiro faz vítimas; pode muito, mas as formas de violência surgem às vezes e mais vezes do próprio interior das pessoas. Quem quiser formar um clube de azarentos, ponha um dedo no ar! Muitas vezes o marginal pensou em se auto-excluir, muitas vezes sonhou com a ataraxia e a abstenção de agir. Muitas vezes sonhou que, evitando contactos, conversas, telefones, conferências, entrevistas, cafés, se safava . Belo sonho desfeito, esse. O destino vai atrás dele mesmo que ele fuja do destino. Quando um pobre do submundo da infelicidade é perseguido pelos «maus espíritos», vão explorá-lo a todos os lados, até ao outro mundo vão. E talvez por isso o suicídio não seja saída nem remédio. Quanto mais o pobre «out» julga abster-se, mais está a colidir com as respeitáveis trajectórias  de respeitáveis senhores repletos de felicidade. Não fosse esta convicção hinduísta do carma -- tudo se paga e a hora do triste trapo há-de chegar, nem que seja na outra reencarnação -- , não fosse a fé na transmigração das almas e na justiça do Juízo final e - oh! meu falecido e sempre lembrado Fernando Pessoa! - já tinha mesmo dado um fim a isto, quer isso fosse ou não um grande atraso de vida na outra vida, no grande circuito espiral das transmigrações!
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DEFESA INSTINTIVA CONTRA O INEVITÁVEL - 1/3/1969 - [ a reteclar - texto aberto] - Uma defesa «psicológica» quase instintiva contra o fenómeno inevitável dos sismos: culpar as experiências atómicas subterrâneas, porque são obra humana. Ou os senhorios das habitações; ou o governo que não cria as condições de segurança das populações, ou a Imprensa que não educa o público sobre a maneira como se há-de defender das derrocadas...

[19/2/1992 - Repes. - De facto, os fatalismos da Natureza assustam-nos mais do que quaisquer obras humanas. E temos que atribuir a causas humanas os cataclismos naturais para encontrarmos uma estrutura emocional e intelectual de apoio; temos que racionalizar o irracional; temos que encontrar um alvo responsável para descarregar a crítica, o ódio, o pavor, a nossa covardia, enfim, face ao desconhecido. Ao que não se rege por nenhuma norma plausível e previsível de ritmo ou retorno ou sazonalidade. Se um dia o sol nascesse a Ocidente, ou dançasse no céu, ou a temperatura começasse a subir sem controle, ou os anos passassem a ter 100 dias, ou [---] isso faria enlouquecer multidões. É a relativa ordem do universo que mantém uma relativa ordem na mente humana e no seu equilíbrio psico-físico. Mas abre-se um infinito à ficção se eu conceber cenários que quebram exactamente essas regras inamovíveis. Se um sismo tiver hora marcada, por exemplo; ou se as aves passarem a rastejar; ou se um burro voa; ou se na rua andarmos de cabeça pra baixo; ou se um cão nascer com cabeça de gato ou um gato nascer com cabeça de cão; ou se um rio correr da foz para a nascente; ou se o português se escrever da direita para a esquerda; ou se um divórcio se processa antes de um casamento; ou se um casal divorciado se torna a casar; [como se costuma dizer do que é e não uma notícia interessante: se um cão morde um homem, é banal e sem interesse; mas se um homem morde um cão, é notícia].
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1-2 segunda-feira, 14 de Abril de 2003-[2685 caracteres eu-es-83-diario

ECOS AC 1983 INÉDITOS REPESCADOS EM 1992
21-2-1992
Lisboa,1983

# O MITO DO PROGRESSO
# A PERSPECTIVA SURREAL ABJECCIONISTA PARA COMPREENDER O PAÍS SURREAL-DADAÍSTA


O SURREAL-DADAÍSMO PORTUGUÊS E A DETERIORAÇÃO NAS RELAÇÕES HUMANAS

Ninguém ouve ninguém
Ninguém fala a ninguém
Ninguém dialoga com ninguém
Ninguém confia em ninguém
Ninguém ama ninguém
Ninguém desculpa ninguém
Ninguém é grato a ninguém
Ninguém respeita ninguém

Esta situação é, em Portugal, uma questão prévia às questões ecológicas e eu gostaria de poder provar em que medida as questões do equilíbrio natural têm que ver com o estado de sítio verificado nas relações humanas em Portugal, antes e depois do 25 de Abril.
Assista-se a um plenário ou assembleia
Leiam-se e ouçam-se os noticiários do dia
Atente-se no quotidiano português

[+ AS SITUAÇÕES DO QUOTIDIANO OBSERVÁVEIS]
Aí, no quotidiano e na vida das pessoas - mais do que na política das instituições - é que se situam os pequenos grandes problemas da ecologia Humana.
[autocrítica entre ecologistas]
Os próprios «grandes temas do dia» que é costume dar por atacado ao público, as próprias prioridades que os ecologistas da Europa ou dos Estados Unidos apontam, passam-nos por cima, mas isso não impede que os nossos ecologistas continuem adoptando por procuração os temas prioritários dos outros e esquecendo os nossos.

O COMPLEXO NACIONAL DA CAUDA E O SURREAL ABJECCIONISMO PORTUGUÊS
[a ideologia do progresso afinal não ataca só o tecnocrata mas também os alegados ecologistas que, de um momento para o outro, nos prégam o sermão do progresso e do nosso atraso, subdesenvolvimento, etc...]
Não só o tecnocrata nos compara constantemente com a Europa para nos envergonhar de sermos quem somos e ter o que temos, nossos atrasos e vilezas relativamente ao «progresso» que vai por esse mundo fora de vento em popa. Também os alegados ecologistas estão sempre a comparar o ecologismo que temos com o que se faz [ obra] lá fora. Também aí - concluem eles, progressistas - estamos na cauda. É o nosso complexo nacional da cauda, que tanto nos tipifica.

[A questão, porém, talvez seja outra, se vista de uma perspectiva não oficial, se vista de um ângulo surreal-abjeccionista, que é aquele em que me coloco:] Temos questões específicas, sim, somos um poema dadaista surrealista no contexto das sociedades ditas civilizadas, mas por razões completamente diversas das que, eurocratas e burocratas, nos apontam: o estarmos sempre na cauda. E essas razões, provavelmente, são, antes de mais nada, eles próprios, eurocratas e burocratas. E eco-cratas, depois.
[A tese pessoal e intransmissível, a tese surreal-abjeccionista que eu quero registar aqui é bem diferente das teses do progressismo militante e delirante:]

Falso problema, pois, talvez seja a eterna desculpa de que estamos sempre vinte anos atrasados em relação ao progresso que vai de vento em popa por esse mundo fora. Talvez seja o complexo da cauda. E talvez seja incurável.
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eu-esq-6 

TODOS EXIGEM A LUA

Lisboa, 19/6/1969 - Optimismo, perfeição, ordem aprumo, cumprimento do dever: levo os dias ouvindo estes convites e incitamentos à competência, à infalibilidade, à omnisciência. Todos exigem a lua. Todos pedem rapidez de raciocínio e de reflexos e - principalmente - rigor, exactidão, prontidão de memória. Como as máquinas.

Porto, 16/6/1969 - [ em 19/2/1992 : de repente irrompe em mim o tecnocrata que pelos vistos há em todos nós: e dá este discurso completamente manipulado, mitificado com o mito do desenvolvimento e com a expressão classista/racista que é essa do «subdesenvolvimento»; e embarquei; mas não rasgo esta página, acho que deve ficar a mostrar que não foi e como não foi fácil livrar-me dos mitos da ideologia e do discurso dominante; até onde ainda estarei hoje, sem ter consciência disso, atolado desses mitos? Mas não estaremos sempre?] - A experiência neste trabalho de equipa que tem sido a «Vida Mundial» não me deixou grande optimismo: de facto, não estamos preparados para substituir os nossos hábitos egoístas de acção por uma acção conjunta. Em tudo e nisso também, o nosso subdesenvolvimento se revela. Mas o curioso é que, em comparação connosco, países que suporíamos altamente organizados em matéria de gestão, sofrem críticas idênticas. A França é acusada por J.J.-Servan-Schreiber de ficar colocada, em breve, na cauda do desenvolvimento. Perante isso, que diremos nós de nós, do nosso caso e do nosso subdesenvolvimento?

Lisboa, Setembro/1969 - Não se podia inventar forma mais eficaz de destruir a revista: por dentro e a dinamite. de modo a não ficar nem um bocadinho. Aparece, com efeito, nítido o propósito de começar a destruir a redacção, possivelmente para a substituir por outra. Como um despedimento maciço ou peça a peça criaria talvez problemas de ordem profissional (junto do sindicato, embora não haja sindicalização na revista) preferem-se os despedimentos indirectos: ou seja, amargurar de tal forma a vida das pessoas, que elas se vejam constrangidas a sair. [ isto parece escrito na Travessa do Poço da Cidade - 19/2/1992] .
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Formas de constranger: trabalho em catadupa, divisão e conflito entre os camaradas, pela intriga e pela atribuição a uns de encargos que estavam destinados a outros; a atmosfera de suspeita e tensão; lisonja de una e derrotismo de outros; ordens para redigir notícias que são contra a consciência de cada um; censura apertada a todos os textos escritos, acabando por inibir completamente o redactor; um estado de caos que desoriente as pessoas e lhes faça perder o ritmo de trabalho.
Por profissionalizar a revista entende-se, ao que parece, substituir por profissionais todos os elementos que estão . Temos visto também que a revista agora passa a ser o órgão dos rancores pessoais de duas ou três pessoas. Utiliza-se para servir clientes e não para servir o público: para satisfazer rancores pessoais e não objectivos que sempre o nortearam. O que se pretende é isto: jogar uma cartada decisiva: ou a revista vinga em moldes completamente contrários àqueles em que estava, ou se afunda. E as pessoas que vieram usufruir de um trabalho de dois anos dos pioneiros, parece não se importarem nada com esse afundamento, antes pelo contrário: parece que o desejam e que foram até incumbidos de tal.

7/11/1969 - [19/2/1992 : está aqui uma intuição de EH central - o horror ao desperdício de recursos e valores e méritos humanos, ainda que sob a batuta da inveja ] - Sei os meus limites mas também sei o que sei e posso. O problema não é de valer mais do que os outros que talvez valham menos ou não. O problema é de troca [ ? ] de oportunidades. Tiram-me do que posso fazer menos mal e colocam-me onde outro qualquer podia fazer o que eu faço tão bem como eu ou melhor. O facto é que a «Vida Mundial» começou a suscitar invejas. E quando suscitamos invejas, somos obrigados a reconhecer que temos algum valor, ou mais valor, pelo menos, do que aqueles que nos invejam. Porque só os medíocres invejam. Mas só os medíocres, também, têm força e são em número suficiente para se coligarem e constituirem uma poderosa força. Unem-se, vencem, depois instalam-se onde estavam aqueles que invejavam, ou não os deixam, previamente, ir para lá. Assim é que nesta terra onde tanto há para fazer ainda há tanta gente sem que fazer. Gente que talvez servisse muito melhor em muitos lugares onde estão medíocres -- que por sua vez talvez servissem melhor nos lugares que lhes serviam. Será a inveja uma questão de adequação de lugares? É que eu não acredito [???] que neste País não haja lugares para todos e que seja necessário atirar borda fora com tanta gente que até podia fazer coisas, que até estava a fazer coisas. Não acredito que seja necessário tanto ódio contra o que de pouco e reles se vai fazendo, se vai conseguindo fazer, através de tantas dificuldades, vencendo tantos atritos e tantas resistências, neste pântano que se chama vida portuguesa. Tanta coisa a fazer, neste país, e as pessoas continuam a derrubar-se, a destruir-se, a devorar-se.
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