domingo, junho 15, 2008

APOCALIPSE À VISTA

3840 bytes -ogdg-2> 1ª linha de edição no jornal do gato – última revisão: 25-12-2001

ATÉ QUANDO VAI HAVER CHORO E RANGER DE DENTES?

Quando temos os concertos para flauta e orquestra de Carl Philipp Emanuel Bach
Quando temos as suites de João Sebastião Bach ou os Brandenburgueses
Quando temos os 20 Km de sagrado alquimicamente puro nas fragas xistosas do Rio Côa
Quando temos o Alentejo pejado de estações de «relais» (megalitos) entre Céu e Terra
Quando temos Santiago de Compostela, a estrada das Estrelas, aqui mesmo ao pé da fronteira
Quando temos as divinas árvores que continuam a ensinar- nos, através dos milénios, o alfabeto ogâmico dos velhos druidas
Quando temos a grelha das letras criada por Etienne Guillé que é uma latinização do alfabeto das árvores
Quando temos a grelha dos metais igualmente criada por Etienne e podemos «medir» as frequências vibratórias, ou seja, aprender a ouvir a música de todas as energias
Quando temos a companhia divina dessa criatura adorável que são os gatos
Quando temos os Remédios Florais do Dr. Bach e as próprias flores para nos erguer o tónus três oitavas acima da vulgaridade, da desordem, dos charcos do Virtual
Quando temos em milhares de fotografias, de centenas de livros, o percurso do sagrado no legado egípcio, no legado maia, no legado azteca, no legado atlante e no legado lemuriano (Continente Mu), mas também no legado dos aborígenes australianos
Quando temos a Nova Idade de Ouro à mão de semear, com o nascimento do Novo Canal Cósmico em 26 de Agosto de 1983
Quando a nova ordem do universo é visível, audível e tocável (palpável) atrás de todo o horror e tecno-terror com que o dinheiro, o poder e a política nos enchem os 5 sentidos
Quando o fim da Era Zodiacal é um facto consumado e as ratazanas têm mesmo que aproveitar o dia 13 para se imiscuirem nos negócios internos de cada um
Como é possível andar ainda a rastejar pedindo especialistas, mestres, catedráticos, enfim, todos os cargos e funções que fizeram o Velho Cosmos, a Velha Ordem, a Velha Era?
Como é possível tanta queixa e tantas neuroses e tantas aflições e tantas lamúrias, tanto choro e ranger de dentes?
Como é possível estar tão enredado na teia dos próprios egos, na estupidez, na resignação, na raiva, na inveja, no ressaibiamento, na depressão?
Como é possível continuar a correr para o sr. doutor, o sr. especialista, o sr. catedrático, sem ver que a vida e a saúde estão nas mãos de cada um?
Quando estão reunidas todas as condições cósmicas para poder voar e subir na vertical, porque há quem insista em rastejar e em obrigar os outros a rastejar com eles?

Etiquetas:

LUTA DE CLASSES 1977

socicultur-1-ml>LEGENDA E CAPA DO LIVRO!

segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Este texto de Afonso Cautela foi publicado na contracapa do livro «Ecologia e Luta de Classes em Portugal», edição Socicultur, 1977,Nº 3 da colecção «Sobreviver», impresso sobre um fundo azul escuro que o deixou totalmente ilegível. Aqui o recupero, preto no branco, trinta anos depois de ter sido escrito e publicado.

O LIVRO
Era urgente encetar o dossiê da luta de classes no campo da Ecopolítica.
Era urgente porque:
Ninguém até hoje o tentou. Poucos desejariam levantar problemas pouco populares nas cinturas industriais das grandes cidades onde os partidos operários recrutam a sua maior força e clientela, lisonjeando as indústrias e a capacidade das indústrias para absorver mão-de-obra. A luta ecológica é assimilada ainda , por alguns quadrantes reaccionários ditos de esquerda, a uma luta de direita, conservadora, retrógrada.
Porque revistas, organizações e movimentos ecológicos estrangeiros perguntam o que se passa em Portugal quanto a ecologia e luta de classes, convencidos de que se passa alguma coisa...
Para definir uma estratégia revolucionária total é imprescindível e urgente saber o que já se fez, o pouco que já se fez para instrução e alento dos que desejem prosseguir ou encetar via idêntica de luta, dos que sabem poder reforçar o poder popular e a unidade popular através da luta ecológica, desde que p reconceitos tecnofascistas não emperrem a investigação e a luta.
Por todas estas razões, tentámos mais este ensaio de ecopolítica, num quadro de iniciativas em que há dois anos temos empenhado tempo, energia, bolsa e saúde, sob a indiferença e a hostilidade sensacional das elites pensantes e actuantes e governantes deste sensacional País.
Daí que, como esforço individual que é, o dossier da luta de classes e ecopolítica em Portugal fique apenas encetado para que outros mais habilitados, mais espertos, mais endinheirados e seguramente mais revolucionários (trinta vezes mais, por certo) não só possam emitir sobre esse trabalho as críticas sobresuficientes do costume, não só o utilizem como base de trabalho e ponto de partida omisso depois nas beligerantes bibliografias exaustivas exibidas, mas para que façam muito mais , muito melhor e com muito melhor resultado, no mercado da edição.
O Autor
Nasceu em Ferreira do Alentejo a 19 de Fevereiro de 1933. Professor Primário em Faro, foi afastado por pressões políticas. Depois de ser bibliotecário e funcionário público, tornou-se jornalista profissional em 1965. Em 1968, entrou para a redacção de «O Século», onde se mantém. Dirige o jornal «Frente Ecológica» e é autor do livro «O Alentejo na Reforma Agrária» (Diabril).

Etiquetas:

CUCOS NO NINHO 1990

1-1 quinta-feira, 5 de Dezembro de 2002 - cucos-3- diario90

A METÁFORA ORGÂNICA
UMA IDEIA MESTRA DA IDEIA ECOLÓGICA

18/Agosto/1990 - Era fatal. Agora que a metáfora orgânica surgiu como ideia-mestra da narrativa que me propunha (proponho) escrever, começo a ver essa ideia aproveitada e usada em tudo o que é escritor ou escriba, e por tudo quanto é sítio.
Até um ensaísta como Edgar Morin, de formação científica tão ortodoxa e tão crítico relativamente aos vitalismos, tão certo dos dados exactos das ciências positivas, até ele usa a «metáfora orgânica» quando, na obra «Questões do Nosso Tempo» (1981), compara o sistema de uma teoria (ou de uma doutrina) a um sistema orgânico (um ecossistema) que cria as suas próprias autodefesas contra os «vírus» das influências e críticas, externas ou internas, exógenas ou endógenas.
Pensei que um ensaísta com as responsabilidades «escolares» de Edgar Morin não quisesse rebaixar-se à sedução de ver todo o cosmos (e todos os microcosmos) como uma enfiada de ecossistemas (tipo boneca chinesa), à tentação de usar símiles do corpo e dos organismos para analisar fenómenos políticos, ideológicos e sociais.
William Borroughs, no livro «Cidades da Noite Vermelha», desenvolve a mesma intuição - fazer passar todas as vivências, ideias e terrores pelo metabolismo. Mas em Borroughs trata-se de uma coincidência e não de um rapinanço, de uma intuição fulcral ou crucial e não de um leit motiv ou de um fait-divers. Aliás, foi lendo as suas «Terras do Poente» que se me consolidou a ideia da importância do metabolismo, numa literatura de vanguarda, como aliás já o disse, há dias, a propósito de Rabelais e do seu gigantesco «Pantagruel».
Há, com Borroughs e Rabelais, uma identidade de objectivos, pensamento e sensibilidade que explica a coincidência e me lisonjeia.
Mas já me é muito mais difícil aceitar (engolir) que o senhor Kundera, no romance « A Imortalidade» (*) se divirta também com uma metáfora orgânica, ao contar a anedota ocorrida com o casal Salvador Dali-Gala: colocados, ao ir de férias, perante a perplexidade de não saber onde deixar um coelho de estimação que adoravam, Gala resolve realisticamente o problema dando de comer a Dali o coelho num delicioso guisado. «Deve comer-se o que se ama» é a lição moral que indirecta e vagamente Kundera extrai deste episódio, desta anedota surrealista.
Mas a questão em Kundera é se o melhor da sua literatura de consumo não serão as anedotas que ele conta ou invoca, nem que para isso tenha de as pedir emprestadas a Dali ou a Goethe. É que, mesmo para plagiar, há que estar naturalmente investido de autoridade moral e poética para o fazer, o que não me parece ser o caso de Kundera.
De qualquer modo, a ideia de um «canibalismo» latente em todo o acto de amor começa a escapar-me das mãos como uma intuição querida de tantos anos e que supunha minimamente original .
Espero poder vir a explorá-la antes que surja um  ficcionista ou ensaísta da moda a fazê-lo, porque está a dar. ■

Etiquetas:

EVOCAÇÃO DE MANUEL LARANJEIRA

1-1 92-02-03-ls> leituras do afonso - sábado, 12 de Abril de 2003-novo word - laranjei> [solta - «Largo - 1745 caracteres]

CONSCIÊNCIA DO PESSIMISMO NACIONAL

3-2-1992

[(*) Este texto de Afonso Cautela terá sido publicado no «Diário do Alentejo», suplemento «Largo» , dirigido por Miguel Serrano, em data por determinar ]

Representante do «pessimismo nacional», como ele próprio o designou, Manuel Laranjeira, médico, filósofo e escritor, morreu (suicidou-se) aos 35 anos, em 1912, praticamente inédito. Lentamente, sazonalmente, a edição recupera-o como um caso perdido e um precioso achado, através de três das suas colectâneas, textos reunidos e cremos que póstumos: «Diário», «Prosas Perdidas», «Cartas».
São estes dois últimos títulos que voltam agora em reedição Relógio d' Água, para nos confrontar de novo com a estranheza deste meio estrangeirado no mundo e em qualquer pátria.
Laranjeira incarna a frustração pessoal de muitos ideais e mitos da civilização cristã ocidental (contra a qual geneticamente se encontrava incompatibilizado desde anteriores reencarnações) mas, curiosamente, e na perspectiva em que o tempo já o colocou, podemos ver hoje que ele reflecte também as mais profundas frustrações de um povo que, sem querer e sem saber, sintonizou.
Mas, tal como Laranjeira, também o povo português vive amarrado a esses fantasmas, sem compreender que a sua pátria está algures, no centro da sabedoria. Como o seu homólogo e contemporâneo de Salamanca, Miguel de Unamuno, logo bem notou, poucos homens há que «tenham juntado a uma inteligência tão clara e penetrante um sentimento tão profundo.
Nele, como em Antero, a cabeça e o coração travaram renhida batalha.»
Como Antero também está na moda, mercê de uma universidade açoriana que se revê separatisticamente no génio desse poeta, humanista e apóstolo, perdoando-lhe o tresloucado acto, temos com Laranjeira o dueto do «pessimismo nacional» que ajuda, como um espelho, ao diagnóstico e à radiografia do nosso destino colectivo.
----
(*) Este texto de Afonso Cautela terá sido publicado no «Diário do Alentejo», suplemento «Largo» , dirigido por Miguel Serrano, em data por determinar. Foi republicado no jornal «A Capital», «Leituras de Verão», 12-8-1991 ■

Etiquetas:

O MEU AMIGO QUADROS

quadros-ol-2>

segunda-feira, 1 de Agosto de 2005

ANTÓNIO QUADROS, O JORNAL «57» E EU

Data, pelo menos, de 1957, a amizade que me ligou ao escritor António Quadros.
Aceitou-me no jornal «57», que dirigia e onde colaborei com vários artigos.
No quinzenário «A Planície», de Moura, escrevi sobre um livro seu que muito me interessou: «A Angústia do Nosso Tempo e a Crise da Universidade» (1956).
É um dos documentos que deixo no meu site «O Gato das Letras», secção «Lugar aos Amigos» .
Mas os melhores documentos são manuscritos e dactilmanuscritos, dele e meus, que guardo para a história na pasta preta vulgaris, Nº 48 (bola azul) do meu espólio.
Além das cartas trocadas entre nós, há uma dactilografia minha, extensa, sobre o jornal «57», e que nunca talvez venha a saber se foi publicada: é provável que sim, porque se trata de uma cópia a papel químico do original
As minhas dissidências com a gente d’ A Planície, nunca com o Miguel Serrano mas com o núcleo do Porto que se tornou dominante no jornal, começaram exactamente por essa minha amizade com António Quadros. Para os esquerdistas meus «amigos» era proibido escrever sobre o filho de António Ferro e colaborar no jornal por ele dirigido.
Anos mais tarde, num dos meus muito desempregos, foi ele, como director das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Gulbenkian, que me deu oportunidade de trabalhar na itinerante de Tavira.
Volto sempre a ler os seus livros, incluindo aqueles em que estuda a filosofia portuguesa e não preciso de dizer que concordo com a maioria das suas teses, correctíssimas num país de intelectuais desalmados, para não dizer de «estrangeirados» sem remédio.
Voltarei sempre que possível a reler o António Quadros, repertório inesgotável de ideias e lucidez inexcedível.
A sinopse biográfica de António Quadros ( 1923-1994) no quadro da filosofia portuguesa, pode ser visto no site do Instituto Camões:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/filosofia/1910g.html

Etiquetas: