sábado, agosto 11, 2012

PUBLICADOS AC:1956-1991-I


SURREALISMO & SURREALISTAS

35 ANOS DE CAMPANHA



  • Aqui fica a cronologia possível com a maioria dos textos publicados (1956-1991) onde refiro nomes, obras e factos relacionados com o «surrealismo» e os «surrealistas».

1956.5.1 – In « A Planície», «Moral de Epicuro com Citações de S. Paulo»

1959. 4. 2 - In «Diário de Notícias», Suplemento literário , «Uma Nova Teoria da Criação Humana», texto sobre o livro «Luz Central», de Ernesto Sampaio
1959.4.30 - In «Diário Popular», suplemento literário, «Cultura Imóvel e Cultura Fascinante», responde ao artigo de João Palma Ferreira, no mesmo suplemento, em 16.4.1959

1963.3. 00 - In «Surreal-Abjeccionismo», antologia organizada por Mário Cesariny de Vasconcelos, o texto intitulado «A Falência do Neo- Realismo», já publicado no caderno «Zero» nº1
1963 (?) - In «Notícias da Amadora», sob o pseudónimo de Henrique Pires Ventura - «Surrealismo-Abjeccionismo, uma antologia de indesejáveis»
1963.5. 63 - In "Jornal do Fundão" - «A Antologia – um Poema Colectivo»
1963.5.16 - In « Jornal de Notícias», suplemento literário, «1924-1964: surrealismo-Abjeccionismo»
1963. 4. 10 -In «Jornal de Letras e Artes», «Surrealismo-Abjeccionismo, uma sessão na Casa da Imprensa»
1963.8.14 - In semanário " Letras e Artes", «O Surrealismo é uma Filosofia»
1963.11.6 – Fernando Barros contra A.C. in «Jornal de Letras e Artes», «A Filosofia não é um Surrealismo»
1963.12.4 – In «Jornal de Letras e Artes», «Filosofia e Surrealismo», resposta de A.C. a Fernando Barros
1963.12.12 – In "Jornal de Notícias" (Porto), suplemento literário, «O Surrealismo e o que se traduz»,
1963-12-12- In «Diário de Notícias», suplemento literário, «Arte e Anti-Arte»
1963+- In « Bandarra-Artes e Letras Ibéricas», «Surrealismo e Lugar-Comum»

1964. 1.23 – In «Jornal de Notícias»(Porto), «suplemento literário, «O Teatro e a Morte»
1964.11.13 – In Jornal "República", «O Surrealismo em Portugal»

1965.8.24 – In Jornal "República ", «Planète» e os Cometas de Cauda»,
1965.7.28 – In « Jornal de Letras e Artes», «Surrealismo, a mais Importante Encruzilhada Intelectual do Nosso Tempo»

1966.3.20 - In Jornal "República" , suplemento «Bastidores», «Do Fantástico Surrealista à Antecipação Abjeccionista» ( ou «O Surrealismo e a Reabilitação do Fantástico»?)
1966.4.7 - In “Jornal de Notícias”, (Porto), «O Surrealismo e a Reabilitação do Fantástico»
1967.6.22 – “Jornal de Notícias”, Porto, suplemento literário, «Alguns Apontamentos sobre Surrealismo Ainda»

1968.7.19 – In Jornal « A Capital» , recensão de livros, «A Literatura e o Mal», de Georges Bataille

1971. 5. 8 – In semanário «Notícias da Amadora», «Georges Bataille nas Mãos das Bruxas»
1971.11.3 – In «Jornal da Costa do Sol», suplemento «Seara», «Os Temas de Antecipação»

1972.2.6 – In « Diário de Coimbra», Suplemento Juvenil, «1942-1966: Cronologia Incompleta do Surrealismo Em Portugal»
1972.3.29 – In Jornal « A Capital/ Literatura e Arte» «As Leis da Imaginação, o Acaso Objectivo»
1972.4.11 – In «Diário do Alentejo», «Crime na Catedral»

1973.1.16 – In «Diário do Alentejo» , «Georges Bataille: descer aos Infernos sem Escafandro»

1975.0.00 – In «Cronos – Cadernos de Literatura e Arte», «A Posição Histórica do Surrealismo» (1975.7.28 )

1989. 8. 19 – In Jornal «A Capital» , Afonso Cautela entrevista Mário Cesariny

1991.3. 26 – In Jornal «A Capital» coluna «Livros na Mão», «Bataille Desafia Habermas»

*
2012.7. 31 - Inédito até agora, sábado, 4 de Agosto de 2012 mas já publicado no Blogger -> «Voltas e reviravoltas do abjeccionismo»

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PUBLICADOS AC:1959-1985

Lista com marcasAO ESCRUTINADOR DO ESPÓLIO AC

O PING-PONG DAS POLÉMICAS

TEXTOS QUE LHE FORAM DIRIGIDOS

  • Confirmo a boa disposição com que os deuses hoje me agraciaram, para levar de vencida esta tarefa de organizar uma parte bastante ingrata do ingrato espólio AC : O Ping-Pong das Polémicas.

A seguir, um conjunto que autonomizei:

Textos que lhe (me) foram dirigidos – RI e dois só DM :

1. Herberto Helder , in «Diário Ilustrado» - Lisboa (4.7.1959)
2. Arnaldo Pereira, in «Jornal de Notícias», Porto,suplemento literário (10.9. 1964)
3. Virgílio Martinho, in jornal «E Etc» - Lisboa (8.10.1967)
4. Nuno Teixeira Neves, in «Jornal do Fundão» ( 20.7.1969)
5. Jaime de Sá, in «República» - Lisboa ( 6.12.1972)
6. José Subtil – DM (16.5.1971)
7. Apeles Espanca, in «Barlavento» - Lagos ( 20.11.1980 )
8. Armando Pereira da Silva, in «O Diário» (23.5.1982)
9. Jorge Fidalgo, in «Terra Mágica» - Portimão ( 1985)
10. Anónimo , in «Diário de Lisboa» (28-2-1972)
11. Gina de Freitas , in «Eva» - Lisboa (Abril de 1972)
12. Anónimo , in República» - Lisboa (8.9.1973)
13. Luís de Miranda Rocha, in «Mar Alto» - Aveiro ( 12.5.1971)
14. João Gonçalves da Costa , in «Gazeta do Sul» - Montijo- ( 8.12.1979)
15. Eurico da Fonseca – DM – ( 6.9.1980)
16. Norberto Pires dos Santos, in «Notícias do Sul» - Évora ( 9.12.1976)

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domingo, fevereiro 08, 2009

PROSPECTIVA 1972

1-1 - quinta-feira, 24 de Abril de 2003
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PENSAR É PENSAR PROSPECTIVAMENTE

[(*) Este inédito de Afonso Cautela, apenas ingénuo, fica como uma data. Ou nem sequer]

Falar de Prospectiva é ainda, para alguns sorumbáticos e nostálgicos ruminadores de cadáveres, pouco menos do que uma infâmia. Para alguns, uma manobra subversiva; para outros, um colaboracionismo traidor com o invasor...Até há quem ligue a palavra Prospectiva com tendências marciais do pensamento, como se essa metodologia não pudesse, tal como qualquer outra técnica, ficar ao serviço do Bem e do Mal, inspirar-se numa ideologia de esquerda ou da direita (ou do centro), aberrar para um ou outro extremismo.
Fundamentalmente, a Prospectiva até se está nas tintas para a ideologia e então surge contra ela a acusação de "tecnocrática,".
“ Preso por ter cão e preso por não ter”. Quando não é por uma arreata é pela outra que se pretende levar o burrico ao nosso bebedouro.
Mas quem pense, terá de pensar em termos prospectivos. Toda a crítica - analisando um status quo indesejável por acomodatício e apelando para uma transformação (chame-se reforma, chame-se revolução) do que se acomodou - é Prospectiva.
E a provar que ela não entretenga de senhores técnicos ruminando uma cabala que ninguém entende ou de que a comunidade não retira o mínimo proveito, está por exemplo a carta que transcrevo a seguir, de um leitor à secção Opinião Pública do seu diário.
Dir-me-ão, por favor, se qualquer pessoa de bom senso não terá fatalmente que adoptar uma atitude prospectiva (quer dizer, lúcida) como a que estas palavras de um leitor ao seu jornal revelam:
"A propósito do mau tempo e dos seus efeitos na cidade de que os jornais tanto gostam de falar, convinha referir que nada mudou de há 25 anos para cá. Ou seja: há 25 anos já que se falava dos estragos da chuva e do vento nas mesmas zonas de Lisboa e arredores que hoje são cidades. Campo Grande, Praça de Espanha, Marginal, Linha de Sintra, etc. Toda a gente sabe que somos conservadores, mas não tanto... Temos de chegar à triste conclusão que nada, ou quase se fez para remediar a situação nessas zonas-vitimas.”
Isto é o que um leitor vê. O que qualquer de nós, raciocinando um pouco, vendo, olhando, concluiria. Mas só os técnicos não vêem nem concluem. Nem fazem. Nem deixam fazer. E ainda são capazes de ir dizer que a Prospectiva é um Papão que come meninos. Uma enxurrada que os leve!
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(*) Este inédito de Afonso Cautela, apenas ingénuo, fica como uma data. Ou nem sequer

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domingo, dezembro 28, 2008

LUGAR AOS AMIGOS

1-2- segunda-feira, 1 de Agosto de 2005

ANTÓNIO QUADROS, O JORNAL «57» E EU

Data, pelo menos, de 1957, a amizade que me ligou ao escritor António Quadros.
Aceitou-me no jornal «57», que dirigia e onde colaborei com vários artigos.
No quinzenário «A Planície», de Moura, escrevi sobre um livro seu que muito me interessou: «A Angústia do Nosso Tempo e a Crise da Universidade» (1956).
É um dos documentos que deixo no meu site «O Gato das Letras», secção «Lugar aos Amigos» .
Mas os melhores documentos são manuscritos e dactilmanuscritos, dele e meus, que guardo para a história na pasta preta vulgaris, Nº 48 (bola azul) do meu espólio.
Além das cartas trocadas entre nós, há uma dactilografia minha, extensa, sobre o jornal «57» , e que nunca talvez venha a saber se foi publicada: é provável que sim, porque se trata de uma cópia a papel químico do original
As minhas dissidências com a gente d’ A Planície, nunca com o Miguel Serrano mas com o núcleo do Porto que se tornou dominante no jornal, começaram exactamente por essa minha amizade com António Quadros. Para os esquerdistas meus «amigos» era proibido escrever sobre o filho de António Ferro e colaborar no jornal por ele dirigido.
Anos mais tarde, num dos meus muito desempregos, foi ele, como director das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Gulbenkian, que me deu oportunidade de trabalhar na itinerante de Tavira.
Volto sempre a ler os seus livros, incluindo aqueles em que estuda a filosofia portuguesa e não preciso de dizer que concordo com a maioria das suas teses, correctíssimas num país de intelectuais desalmados, para não dizer de «estrangeirados» sem remédio.
Voltarei sempre que possível a reler o António Quadros, repertório inesgotável de ideias e lucidez inexcedível.

A sinopse biográfica de António Quadros ( 1923-1994) no quadro da filosofia portuguesa, pode ser visto no site do Instituto Camões:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/filosofia/1910g.html

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NOVOS AMIGOS 2005

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[2-12-2005]

ANTES DA SERRA MECÂNICA

Agradeço ao Canal Odisseia que, num pequeno intervalo, me deu quase uma hora sobre os carvalhos de uma região da Alemanha que nos dizem estar «protegida». Ainda bem. Agradeço aos esquilos e outras criaturas visíveis que apareceram no documentário, felizes no seu habitat e antes que chegue a serra mecânica. Agradeço a todos os que, mais do que sobreviver, ainda conseguem descobrir o maravilhoso que apesar de tudo persiste em existir neste mundo de tsunamis provocados por rebentamentos nucleares subterrâneos. Ou de pandemias virais provocadas por uso e abuso de antibióticos.
Para que conste, deixo a notícia do «Diário de Notícias», pela qual soube do referido documentário:
«« A história do carvalho no Canal Odisseia
«O carvalho é considerado como a árvore entre as árvores, símbolo de força, sabedoria, perseverança e resistência. Um documentário que o Canal Odisseia apresenta em estreia em Portugal, vai dar a conhecer melhor esta espécie.
«O ciclo vital do carvalho corresponde ao de dez vidas humanas e a abertura do seu tronco serve de casa a mais de 500 espécies diferentes de animais e plantas.
«O documentário do Canal Odisseia, que pode ser sintonizado no cabo, intitulado «A Árvore Entre as Árvores», foi realizado por Yves Riou e Philippe Pouchain e produzido pela Cinétévé, de França, em 2005.
«Este documentário acompanha a vida destes gigantes naturais, através de cada uma das estações do ano.
«O carvalho vai ter de superar as altas temperaturas do Verão, as tempestades de Outono e as quedas de neve do Inverno, antes de chegar à Primavera.
«Esta história natural é contada do ponto de vista biológico, cultural, histórico e até mitológico.
«A Árvore Entre as Árvores estreia-se às 21.00, voltando a ser exibido amanhã em duas sessões: 05.00 e 12.00.»»

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CRÍTICA 1991

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sábado, 25 de Janeiro de 2003
[23-4-1991]


NA CRÍTICA DOMINANTE

Em matéria de modas literárias, há um sectarismo, expresso ou latente, na crítica dominante :

é proibido -- decretam eles -- escrever assim, porque tem que se escrever assado
é proibido fazer ficção com a história ou história com a ficção
é proibido abordar zonas demoníacas, transcendentes, místicas, metafísicas ou surreais da realidade, em nome do realismo pequenino e de via reduzida
é proibido manifestar simpatias ideológicas (apenas piedosas) pelo ambiente, que tem más tradições no nazismo alemão e no seu ideal de limpeza total e a qualquer preço
é proibido escrever em registo «kitsch» e com frases feitas, jogos de idioma, reconversão de discursos menores, perspectivas de escala que não sejam a do homem ocidental, branco, culto, poderoso, rico e com pratas na mesa da casa de jantar
é proibido praticar a «crítica impressionista», porque a crítica científica já distribuiu regras regulamentares por todos os sítios onde se analisam livros
é proibido não ser realista segundo a receita da escola neo-realista
é proibido glosar e gozar os discursos menores e os léxicos subdesenvolvidos
é proibido escrever versos com rima
é proibido escrever modernista desde que chegou o pós-modernismo, é proibido ser pós modernista para os críticos que ainda são modernistas, etc
é proibido glosar e gozar os discursos menores e os léxicos subdesenvolvidos
é proibido usar a primeira pessoa do singular em qualquer narrativa que se queira de ficção
é proibida a confissão autobiográfica, usar a primeira pessoa do singular, eu, eu, eu, excepto...
é proibido não adoptar cada género no seu género, estanque, cada regra na sua lei, cada prescrição no seu regulamento, conforme o regimento ordenado pelo crítico em exercício, excepto se o crítico decretar o contrário
é proibido, enfim, ser escritor fora dos mandamentos da santa madre instituição
Mas tudo isto é proibido, apenas, até ao momento em que a douta instituição, através dos seus ideólogos de serviço, não der ordens para que seja tudo exactamente ao contrário: quanto mais autobiográfico, kitsch, surreal, demoníaco, místico, melhor.
As modas mudam, neste reino flutuante, todos os anos. Quanto menos personagens, intriga e suspense, melhor! Até à próxima época.

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HÁ JÁ 44 ANOS

1-1-abstenção-1-pp = ping pong das polémicas
Segunda-feira, 4 de Agosto de 2003

POLÉMICA OU ABSTENÇÃO (*)


Talvez haja saída (no Sud, quanto antes...) mas parece não haver outra alternativa. Aqui, parece que não: ou polémica (na acepção pejorativa da palavra) ou abstenção. Ou permanecer mudo e quedo, ou intervir, publicar, agir mas sabendo que as melhores energias se irão desgastar numa pugna , numa polémica de baixo estofo, numa luta que não é luta mas mero arremesso de palavras.
Na selva sem fim de uma cultura que é incultura, de uma vida que é morte literária, de umas artes que são malazartes, - a fatuidade, o bafio, a sobresuficiência dogmática,  a falta de sentido do "que importa", a falta absoluta do verdadeiro "connaitre" que é nascer com e de dentro (e não apanhar de fora e a frio), a falta de intuição, de imaginação e até de "charme", a falta de verdadeiro amor pelas ideias em vez de tanto amor próprio - tudo isto deixa pouca margem à respiração de quem respira, ainda respira.
Querer abrir as janelas e dizer que há mundo, impossível. Querer andar para a frente e dizer que há futuro, impossível. Querer ter esperança e acreditar, impossível. Porque logo surge a má fé, a má vontade, a má consciência e, se a polémica há-de estalar saudável, higiénica, civilizada, o que estala é o insulto, o ponteiro da autoridade, a palmatória de cinco olhinhos revirados para o que ousou sair para a rua - com um livro ou um artigo - em absoluta independência e disponibilidade de espírito, sem as "costas quentes" por nenhuma autoridade, força, instituição ou ideologia, apenas ele e mais nada.
Ah! se fosse possível dialogar! Se fosse possível conhecer serenamente as razões de cada qual e com razões responder! Se fosse possível civilizarmo-nos, mesmo sem ir a Paris! Se fosse possível um esforço heróico de vontade para abater barreiras e barreiras de equívocos que nos lançam, cega, absurdamente, uns contra os outros! Se fosse possível uma nesga de fraternidade neste inferno! Se fosse possível um raio de (sol) que rasgasse este espesso, extenso, inultrapassável, asfixiante nevoeiro!
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(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no semanário «Notícias da Amadora, 31-10-1964, suplemento literário «Artes e Letras», coordenado por Joaquim Benite e colaborado por Deodato Santos, Vítor Anjos, Fernando Cabrita, Mário Dionísio

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domingo, junho 15, 2008

CUCOS NO NINHO 1990

1-1 quinta-feira, 5 de Dezembro de 2002 - cucos-3- diario90

A METÁFORA ORGÂNICA
UMA IDEIA MESTRA DA IDEIA ECOLÓGICA

18/Agosto/1990 - Era fatal. Agora que a metáfora orgânica surgiu como ideia-mestra da narrativa que me propunha (proponho) escrever, começo a ver essa ideia aproveitada e usada em tudo o que é escritor ou escriba, e por tudo quanto é sítio.
Até um ensaísta como Edgar Morin, de formação científica tão ortodoxa e tão crítico relativamente aos vitalismos, tão certo dos dados exactos das ciências positivas, até ele usa a «metáfora orgânica» quando, na obra «Questões do Nosso Tempo» (1981), compara o sistema de uma teoria (ou de uma doutrina) a um sistema orgânico (um ecossistema) que cria as suas próprias autodefesas contra os «vírus» das influências e críticas, externas ou internas, exógenas ou endógenas.
Pensei que um ensaísta com as responsabilidades «escolares» de Edgar Morin não quisesse rebaixar-se à sedução de ver todo o cosmos (e todos os microcosmos) como uma enfiada de ecossistemas (tipo boneca chinesa), à tentação de usar símiles do corpo e dos organismos para analisar fenómenos políticos, ideológicos e sociais.
William Borroughs, no livro «Cidades da Noite Vermelha», desenvolve a mesma intuição - fazer passar todas as vivências, ideias e terrores pelo metabolismo. Mas em Borroughs trata-se de uma coincidência e não de um rapinanço, de uma intuição fulcral ou crucial e não de um leit motiv ou de um fait-divers. Aliás, foi lendo as suas «Terras do Poente» que se me consolidou a ideia da importância do metabolismo, numa literatura de vanguarda, como aliás já o disse, há dias, a propósito de Rabelais e do seu gigantesco «Pantagruel».
Há, com Borroughs e Rabelais, uma identidade de objectivos, pensamento e sensibilidade que explica a coincidência e me lisonjeia.
Mas já me é muito mais difícil aceitar (engolir) que o senhor Kundera, no romance « A Imortalidade» (*) se divirta também com uma metáfora orgânica, ao contar a anedota ocorrida com o casal Salvador Dali-Gala: colocados, ao ir de férias, perante a perplexidade de não saber onde deixar um coelho de estimação que adoravam, Gala resolve realisticamente o problema dando de comer a Dali o coelho num delicioso guisado. «Deve comer-se o que se ama» é a lição moral que indirecta e vagamente Kundera extrai deste episódio, desta anedota surrealista.
Mas a questão em Kundera é se o melhor da sua literatura de consumo não serão as anedotas que ele conta ou invoca, nem que para isso tenha de as pedir emprestadas a Dali ou a Goethe. É que, mesmo para plagiar, há que estar naturalmente investido de autoridade moral e poética para o fazer, o que não me parece ser o caso de Kundera.
De qualquer modo, a ideia de um «canibalismo» latente em todo o acto de amor começa a escapar-me das mãos como uma intuição querida de tantos anos e que supunha minimamente original .
Espero poder vir a explorá-la antes que surja um  ficcionista ou ensaísta da moda a fazê-lo, porque está a dar. ■

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EVOCAÇÃO DE MANUEL LARANJEIRA

1-1 92-02-03-ls> leituras do afonso - sábado, 12 de Abril de 2003-novo word - laranjei> [solta - «Largo - 1745 caracteres]

CONSCIÊNCIA DO PESSIMISMO NACIONAL

3-2-1992

[(*) Este texto de Afonso Cautela terá sido publicado no «Diário do Alentejo», suplemento «Largo» , dirigido por Miguel Serrano, em data por determinar ]

Representante do «pessimismo nacional», como ele próprio o designou, Manuel Laranjeira, médico, filósofo e escritor, morreu (suicidou-se) aos 35 anos, em 1912, praticamente inédito. Lentamente, sazonalmente, a edição recupera-o como um caso perdido e um precioso achado, através de três das suas colectâneas, textos reunidos e cremos que póstumos: «Diário», «Prosas Perdidas», «Cartas».
São estes dois últimos títulos que voltam agora em reedição Relógio d' Água, para nos confrontar de novo com a estranheza deste meio estrangeirado no mundo e em qualquer pátria.
Laranjeira incarna a frustração pessoal de muitos ideais e mitos da civilização cristã ocidental (contra a qual geneticamente se encontrava incompatibilizado desde anteriores reencarnações) mas, curiosamente, e na perspectiva em que o tempo já o colocou, podemos ver hoje que ele reflecte também as mais profundas frustrações de um povo que, sem querer e sem saber, sintonizou.
Mas, tal como Laranjeira, também o povo português vive amarrado a esses fantasmas, sem compreender que a sua pátria está algures, no centro da sabedoria. Como o seu homólogo e contemporâneo de Salamanca, Miguel de Unamuno, logo bem notou, poucos homens há que «tenham juntado a uma inteligência tão clara e penetrante um sentimento tão profundo.
Nele, como em Antero, a cabeça e o coração travaram renhida batalha.»
Como Antero também está na moda, mercê de uma universidade açoriana que se revê separatisticamente no génio desse poeta, humanista e apóstolo, perdoando-lhe o tresloucado acto, temos com Laranjeira o dueto do «pessimismo nacional» que ajuda, como um espelho, ao diagnóstico e à radiografia do nosso destino colectivo.
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(*) Este texto de Afonso Cautela terá sido publicado no «Diário do Alentejo», suplemento «Largo» , dirigido por Miguel Serrano, em data por determinar. Foi republicado no jornal «A Capital», «Leituras de Verão», 12-8-1991 ■

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O MEU AMIGO QUADROS

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segunda-feira, 1 de Agosto de 2005

ANTÓNIO QUADROS, O JORNAL «57» E EU

Data, pelo menos, de 1957, a amizade que me ligou ao escritor António Quadros.
Aceitou-me no jornal «57», que dirigia e onde colaborei com vários artigos.
No quinzenário «A Planície», de Moura, escrevi sobre um livro seu que muito me interessou: «A Angústia do Nosso Tempo e a Crise da Universidade» (1956).
É um dos documentos que deixo no meu site «O Gato das Letras», secção «Lugar aos Amigos» .
Mas os melhores documentos são manuscritos e dactilmanuscritos, dele e meus, que guardo para a história na pasta preta vulgaris, Nº 48 (bola azul) do meu espólio.
Além das cartas trocadas entre nós, há uma dactilografia minha, extensa, sobre o jornal «57», e que nunca talvez venha a saber se foi publicada: é provável que sim, porque se trata de uma cópia a papel químico do original
As minhas dissidências com a gente d’ A Planície, nunca com o Miguel Serrano mas com o núcleo do Porto que se tornou dominante no jornal, começaram exactamente por essa minha amizade com António Quadros. Para os esquerdistas meus «amigos» era proibido escrever sobre o filho de António Ferro e colaborar no jornal por ele dirigido.
Anos mais tarde, num dos meus muito desempregos, foi ele, como director das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Gulbenkian, que me deu oportunidade de trabalhar na itinerante de Tavira.
Volto sempre a ler os seus livros, incluindo aqueles em que estuda a filosofia portuguesa e não preciso de dizer que concordo com a maioria das suas teses, correctíssimas num país de intelectuais desalmados, para não dizer de «estrangeirados» sem remédio.
Voltarei sempre que possível a reler o António Quadros, repertório inesgotável de ideias e lucidez inexcedível.
A sinopse biográfica de António Quadros ( 1923-1994) no quadro da filosofia portuguesa, pode ser visto no site do Instituto Camões:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/filosofia/1910g.html

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domingo, março 30, 2008

KUNDERA & Cª

1-1 quinta-feira, 5 de Dezembro de 2002 - cucos-3-diario90

A METÁFORA ORGÂNICA E AS (MINHAS) IDEIAS
Lisboa, 18/Agosto/1990 - Era fatal. Agora que a metáfora orgânica surgiu como ideia-mestra da narrativa que me propunha (proponho) escrever, começo a ver essa ideia aproveitada e usada em tudo o que é escritor ou escriba, e por tudo quanto é sítio.Até um ensaísta como Edgar Morin, de formação científica tão ortodoxa e tão crítico relativamente aos vitalismos, tão certo dos dados exactos das ciências positivas, até ele usa a «metáfora orgânica» quando, na obra «Questões do Nosso Tempo» (1981), compara o sistema de uma teoria (ou de uma doutrina) a um sistema orgânico (um ecossistema) que cria as suas próprias autodefesas contra os «vírus» das influências e críticas, externas ou internas, exógenas ou endógenas.
Pensei que um ensaísta com as responsabilidades «escolares» de Edgar Morin não quisesse rebaixar-se à sedução de ver todo o cosmos (e todos os microcosmos) como uma enfiada de ecossistemas (tipo boneca chinesa), à tentação de usar símiles do corpo e dos organismos para analisar fenómenos políticos, ideológicos e sociais.
William Borroughs, no livro «Cidades da Noite Vermelha», desenvolve a mesma intuição - fazer passar todas as vivências, ideias e terrores pelo metabolismo. Mas em Borroughs trata-se de uma coincidência , de uma intuição fulcral ou crucial e não de um leit motiv ou de um fait-divers. Aliás, foi lendo as suas «Terras do Poente» que se me consolidou a ideia da importância do metabolismo, numa literatura de vanguarda, como aliás já o disse, há dias, a propósito de Rabelais e do seu gigantesco «Pantagruel».
Há, com Borroughs e Rabelais, uma identidade de objectivos, pensamento e sensibilidade que explica a coincidência e me lisonjeia.
Mas já me é muito mais difícil aceitar  que o senhor Kundera, no romance « A Imortalidade» (*) se divirta também com uma metáfora orgânica, ao contar a anedota ocorrida com o casal Salvador Dali-Gala: colocados, ao ir de férias, perante a perplexidade de não saber onde deixar um coelho de estimação que adoravam, Gala resolve realisticamente o problema dando de comer a Dali o coelho num delicioso guisado. «Deve comer-se o que se ama» é a lição moral que indirecta e vagamente Kundera extrai deste episódio, desta anedota surrealista.
Mas a questão em Kundera é se o melhor da sua literatura de consumo não serão as anedotas que ele conta ou invoca, nem que para isso tenha de as pedir emprestadas a Dali ou a Goethe. É que, mesmo para plagiar, há que estar naturalmente investido de autoridade moral e poética para o fazer, o que não me parece ser o caso de Kundera.
De qualquer modo, a ideia de um «canibalismo» latente em todo o acto de amor começa a escapar-me das mãos como uma intuição querida de tantos anos e que supunha minimamente original . Espero que escape de vez.

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LUGAR AOS AMIGOS

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segunda-feira, 1 de Agosto de 2005

ANTÓNIO QUADROS, O JORNAL «57» E EU

Data, pelo menos, de 1957, a amizade que me ligou ao escritor António Quadros.
Aceitou-me no jornal «57», que dirigia e onde colaborei com vários artigos.
No quinzenário «A Planície», de Moura, escrevi sobre um livro seu que muito me interessou: «A Angústia do Nosso Tempo e a Crise da Universidade» (1956).
É um dos documentos que deixo no meu site «O Gato das Letras», secção «Lugar aos Amigos» .
Mas os melhores documentos são manuscritos e dactilmanuscritos, dele e meus, que guardo para a história na pasta preta vulgaris, Nº 48 (bola azul) do meu espólio.
Além das cartas trocadas entre nós, há uma dactilografia minha, extensa, sobre o jornal «57», e que nunca talvez venha a saber se foi publicada: é provável que sim, porque se trata de uma cópia a papel químico do original
As minhas dissidências com a gente d’ A Planície, nunca com o Miguel Serrano mas com o núcleo do Porto que se tornou dominante no jornal, começaram exactamente por essa minha amizade com António Quadros. Para os esquerdistas meus «amigos» era proibido escrever sobre o filho de António Ferro e colaborar no jornal por ele dirigido.
Anos mais tarde, num dos meus muito desempregos, foi ele, como director das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Gulbenkian, que me deu oportunidade de trabalhar na itinerante de Tavira.
Volto sempre a ler os seus livros, incluindo aqueles em que estuda a filosofia portuguesa e não preciso de dizer que concordo com a maioria das suas teses, correctíssimas num país de intelectuais desalmados, para não dizer de «estrangeirados» sem remédio.
Voltarei sempre que possível a reler o António Quadros, repertório inesgotável de ideias e lucidez inexcedível.
A sinopse biográfica de António Quadros ( 1923-1994) no quadro da filosofia portuguesa, pode ser visto no site do Instituto Camões:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/filosofia/1910g.html

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ETOLOGIA COM T

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quinta-feira, 3 de Maio de 2007

Já escolhi a especialidade que vou ter quando voltar na minha 669 ª reencarnação (espero que seja mesmo a penúltima): geomancia egípcia, que agora se chama arqueoastronomia, ou astroarqueologia, outra forma (mais simples) de explicar (ajustar) a hipótese vibratória de Etienne Guillé.
O meu primeiro e próximo DVD, da colecção «Banalidades de Base» que tenciono editar, será sobre estes itens. O segundo será sobre Etologia, a minha segunda especialidade quando cá voltar. Fica combinado. Desta vez e nesta reencarnação fui parar à ecologia, troquei o t pelo c. Porque afinal era mesmo Etologia a minha paixão.
Hei-de ser bom em alguma matéria, caramba!

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domingo, fevereiro 24, 2008

CULTURA GERAL

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CLÁSSICOS DO SÉCULO XXI

28 de Novembro de 2013

Após a mudança de era, sinto-me obrigado a dar ordens para que o paradigma humano coincida com o paradigma cósmico.
E começo, como é óbvio, pelos livros que serão a partir de agora obrigatórios em todos os graus de ensino e em todas as hierarquias da sociedade.
Hoje, dia 28 de Novembro de 2013, deixo mais um posted do meu projecto order book – clássicos do século XXI.
O estudo deve começar pelos clássicos, como desde sempre se tem ensinado mas pouco praticado.
São livros e autores que eu fui seleccionando mas que já não vou ter tempo nem oportunidade nem capacidade de estudar como a sua profundidade exige e o seu alcance impõe.
Por isso os lego, na minha Biblioteca do Gato, à posteridade e às novas gerações que os devem estudar. Espero que respeitem as indicações contidas neste meu testamento.
São livros e autores que fui definindo como prioritários de uma perspectiva macro-microcósmica.
Alguns, como a Geopolítica da Fome, de Josué de Castro, acompanharam-me desde os anos 70 do século passado, anos cruciais para a temática ecológica e dos valores eco-sociais.
Mas outros, como Rupert Sheldrake, são revelações mais recentes a chamo recente ao período da minha vida marcado, desde 1992, pela descoberta de Etienne Guillé e pelo meu encontro providencial com a Gnose Vibratória.
Também recente é a revelação de Jeremy Rifkin, autor dessa obra placa giratória chamada Entropia.
São todos esses clássicos do século XXI que irei relembrando aqui, dia após dia, deixando algumas pistas da Net para quem quiser aprofundar o seu estudo.
Repito: são livros e autores que deverão tornar-se de estudo obrigatório nas escolas de todos os graus de ensino de um presente futuro muito próximo.
São livros que, escritos por um autor, deverão ser estudados, pela sua densidade, por equipas de estudantes e estudiosos.
São livros, como disse, que excedem a minha capacidade e por isso os remeto às novas gerações, que terão para isso de organizar equipas de trabalho.
O paradigma cósmico foi-nos oferecido de bandeja mas o coincidente paradigma humano (microcósmico) deverá ser pesquisado. O que exige trabalho e aplicação.
Chamei-lhes clássicos do século XXI porque fazem a viragem do velho paradigma analítico para o paradigma holístico (de convergência holística). Vão, portanto, ao arrepio da tendência verificada no ensino moderno para a especialização e a super-especialização.
Com alguma ironia, diria que são livros e autores de «cultura geral». E cada um que entenda o que eu quero dizer por «cultura geral», no contexto deste meu projecto e desta minha proposta: os livros que deverão tornar-se obrigatórios em todos os graus de ensino e em todos os estratos da sociedade.
Bom dia e bom trabalho a todos. ♥♥♥♥♥

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ATÉ QUANDO?

3840 bytes - ogdg-2> 1ª linha de edição no jornal do gato – última revisão: 25-12-2001

ATÉ QUANDO VAI HAVER CHORO E RANGER DE DENTES?

Quando temos os concertos para flauta e orquestra de Carl Philipp Emanuel Bach
Quando temos as suites de João Sebastião Bach ou os Brandenburgueses
Quando temos os 20 Km de sagrado alquimicamente puro nas fragas xistosas do Rio Côa
Quando temos o Alentejo pejado de estações de «relais» (megalitos) entre Céu e Terra
Quando temos Santiago de Compostela, a estrada das Estrelas, aqui mesmo ao pé da fronteira
Quando temos as divinas árvores que continuam a ensinar- nos, através dos milénios, o alfabeto ogâmico dos velhos druidas
Quando temos a grelha das letras criada por Etienne Guillé que é uma latinização do alfabeto das árvores
Quando temos a grelha dos metais igualmente criada por Etienne e podemos «medir» as frequências vibratórias, ou seja, aprender a ouvir a música de todas as energias
Quando temos a companhia divina dessa criatura adorável que são os gatos
Quando temos os Remédios Florais do Dr. Bach e as próprias flores para nos erguer o tónus três oitavas acima da vulgaridade, da desordem, dos charcos do Virtual
Quando temos em milhares de fotografias, de centenas de livros, o percurso do sagrado no legado egípcio, no legado maia, no legado azteca, no legado atlante e no legado lemuriano (Continente Mu), mas também no legado dos aborígenes australianos
Quando temos a Nova Idade de Ouro à mão de semear, com o nascimento do Novo Canal Cósmico em 26 de Agosto de 1983
Quando a nova ordem do universo é visível, audível e tocável (palpável) atrás de todo o horror e tecno-terror com que o dinheiro, o poder e a política nos enchem os 5 sentidos
Quando o fim da Era Zodiacal é um facto consumado e as ratazanas têm mesmo que aproveitar o dia 13 para se imiscuirem nos negócios internos de cada um
Como é possível andar ainda a rastejar pedindo especialistas, mestres, catedráticos, enfim, todos os cargos e funções que fizeram o Velho Cosmos, a Velha Ordem, a Velha Era?
Como é possível tanta queixa e tantas neuroses e tantas aflições e tantas lamúrias, tanto choro e ranger de dentes?
Como é possível estar tão enredado na teia dos próprios egos, na estupidez, na resignação, na raiva, na inveja, no ressaibiamento, na depressão?
Como é possível continuar a correr para o sr. doutor, o sr. especialista, o sr. catedrático, sem ver que a vida e a saúde estão nas mãos de cada um?
Quando estão reunidas todas as condições cósmicas para poder voar e subir na vertical, porque há quem insista em rastejar e em obrigar os outros a rastejar com eles?

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sábado, fevereiro 23, 2008

EU SOU UM DELES

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De uma revista recolhida do lixo, transcrevo um texto do Jornalista Rui Pêgo sobre os nossos velhos miseráveis. Sem comentários.

««In revista «domingo», jornal «Correio da Manhã», 27 de Novembro de 2006

«FAZER O MÁXIMO

«Por Rui Pêgo

O país está encurralado. Portugal tem dois milhões de pobres, velhos na sua esmagadora maioria, desqualificados, irremediavelmente excluídos do futuro

«Jorge Sampaio escolheu os velhos para a sua última jornada presidencial. Não podia ter escolhido melhor. Os velhos são, certamente, a face mais sombria e miserável do país. E ao mesmo tempo a última reserva de equilíbrio, de estabilidade, de uma sociedade em transformação. São um peso tremendo para o Estado e, simultaneamente, muitas vezes, o único suporte sólido, estruturado, de filhos e netos. São uma força eleitoral temível mas socialmente irrelevante, sem uma efectiva capacidade de intervenção.

«Esta autêntica legião de doentes de doenças várias, quase todas crónicas, órfãos de afecto, que cresce a uma velocidade inquietante - dentro de menos de 50 anos o número de velhos será duas vezes e meia superior ao número de jovens -, está atascada em problemas: pobreza; nalguns casos extrema, iliteracia, também funcional, solidão. O país está encurralado. Portugal tem dois milhões de pobres, velhos na sua esmagadora maioria, desqualificados, irremediavelmente excluídos do futuro.

«Desgraçadamente, poucos responderam com consequência quando, há uns anos, o dr. Cavaco exortou a Nação a empenhar-se, garbosamente, na batalha da natalidade. Agora, com a crise, é muito mais difícil e capaz de ser tarde. De facto, desde 2000 que os velhos vêm a crescer em relação aos jovens até aos 14 anos; em 2004 já existiam mais de 108 idosos por cada 100 jovens desta faixa etária. Em 2050, estima-se, Portugal será o 4.° país mais velho da União Europeia. Como não se pode matar os velhos, como recorda Medina Carreira, a única solução para atenuar a gravidade desta realidade é crescer economicamente. O que, desgraçadamente, nós não temos conseguido. Também por isso, parece ainda mais importante a iniciativa do Presidente de querer inscrever o assunto na agenda política e suscitar um debate que ajude a encontrar soluções para quebrar o ciclo infernal que engole a maioria dos velhos: são excluídos porque são pobres e são pobres, cada vez mais pobres, porque são excluídos.

«A esperança pode estar no aumento da esperança de vida. E na chegada a este segmento da população de cada vez mais gente qualificada, com energia, capacidade de trabalho e sabedoria acumulada. Talvez esses novos velhos tenham o génio necessário para se manterem activos e arrastarem outros. Sampaio fez bem em dedicar-se aos velhos. Que, pelo visto, são o nosso futuro. E começou bem, o Presidente. Com uma mulher de 78 anos, feitos esta sexta-feira, que numa cadeira de rodas e há nove anos a viver sozinha, é o retrato de uma nova força que começa a despontar entre a "classe". A energia de Maria Helena Coelho, de Arroios, em Lisboa, perturba. "Procuro dentro daquilo que posso fazer, fazer o máximo", disse ela aos jornais. Sampaio comoveu-se. Também eu. Temos o futuro todo à nossa frente, é o que é!»»

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JÁ ESCOLHI

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quinta-feira, 3 de Maio de 2007

Já escolhi a especialidade que vou ter quando voltar na minha 669 ª reencarnação (espero que seja mesmo a penúltima): geomancia egípcia, que agora se chama arqueoastronomia, ou astroarqueologia, outra forma (mais simples) de explicar (ajustar) a hipótese vibratória de Etienne Guillé.
O meu primeiro e próximo DVD, da colecção «Banalidades de Base» que tenciono editar, será sobre estes itens. O segundo será sobre Etologia, a minha segunda especialidade quando cá voltar. Fica combinado. Desta vez e nesta reencarnação fui parar à ecologia, troquei o t pelo c. Porque afinal era mesmo Etologia a minha paixão.
Hei-de ser bom em alguma matéria, caramba!

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TUDO OU NADA 1991

1-1- bigmania> leituras> ficcoes>-3207 caracteres - [discurso aberto quase inventário] para leituras moraes – tese de 5 estrelas

A BIGMANIA CONTRA A GRANDE NOITE DO CAOS

12/5/1991 - A negra maré, o caos, a dissolução, o vazio, o mistério da origem e do fim, as trevas, que pode o ser mísero e mesquinho, o rasteiro mortal para não se desintegrar face ao nada?
Tudo o que ele tenta é contra o Terror Horror. O que ele procura -- na tortura e nas viagens, nas lutas e conquistas, nas novas e antiquíssimas tecnologias, na política e na electrónica -- é o que totaliza, unifica, contrai, uniformiza, ordena. O que lhe dá, enfim, a ilusão temporária de eternidade.
De oceano infinito. De superfície espelhada, uniforme, sem rugas.
A ideologia consumista tenta responder a essa necessidade premente, a esse permanente horror de um confronto, de um frente a frente com o vazio, de cada um consigo mesmo, quer dizer, com Deus, quer dizer, com a Morte, o Nada, o Infinito, o Caos, o Universo, pela proliferação infinita de gadgets e objectos.
Hitler respondeu com a ideologia do sacrifício e da totalidade totalitária, com o ideal rácico e patriótico, capaz de abranger semanticamente uma fatia do real que imita, a olho nu, a Realidade.
Marshall Mac Luan respondeu com a Aldeia Global dos «media» electrónicos.
Salazar respondeu com as Finanças assimiladas com a Nossa Senhora de Fátima e o Milagre da Pátria.
Gandhi respondeu com a resistência satiagrai ao invasor ocidental, branco e ateu. Britânico, essência de todos os horrores.
Pedro o Grande respondeu com as glórias da Grande Rússia que tinha a vantagem de ser, comparativamente a Portugal, efectivamente grande -- o que se diz imensa.
A Alquimia respondeu com a Transmutação do Chumbo em Oiro!
O ideal de Riqueza, Beleza, Longevidade, Poder responde, entre greco-latinos & anexos mediterrânicos, e seus cânones, na tentativa de substituir o Caos por uma Ordem, pequena ou média, formal ou visionária, mas ordem.
As ordens iniciáticas, as sociedades secretas, respondem, pelo rigor e pela disciplina, pela comida espartana, pela cama rija de palhas ao desatino do que fica de fora e é disforme, dissonante, inarmónico.
O mito do Preste João, do Graal, da Taça templária, responde com um simulacro de ordem à Desordem, de alma ao Vazio, de Deus ao Buraco Negro e ao vazio da Morte.
Religiões, Seitas, Publicidade, Propaganda, especialmente a Propaganda, os Media, a Aldeia Global respondem electronicamente à necessidade de um Éden, mesmo ilusório, mas de um Éden onde o gozo só por si faça sentido e não tenha do outro lado um Cancro galopante.
A expomundial 93, a Europália 91, o Centro de Belém -- mausoléu de todos os poderosos -- o Mercado Único 92, as Olimpíadas 92, a Expo 98, [---] respondem à necessidade metafísica de calar o Remorso do Primeiro Mundo que expolia o Segundo, o Terceiro e o Quarto mundos.
Os Óscares, o Nobel, o Pulitzer, o prémio Lenine [- - -]
A repressão sangrenta unifica no Curdistão, no Tibete, no Timor-Leste.
O Papa dá, por dois dias, por dois tostões per capita, a ilusão de pertencermos à mesma ordem, ao mesmo casulo protector onde as ondas do Caos vêm bater raivosas mas aparentemente com menos violência.

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sexta-feira, janeiro 25, 2008

VERSOS AC 1961

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26-05-2005 11:55:28

DOSSIÊ VULGARIS Nº 46, BOLA AZUL

Conforme verifico em visita rápida ao dossiê vulgaris pequeno «Sobre poesia» (nº 46 bola azul), digitalizei quase todos os manuscritos que havia sobre poetas e poesia. Verifico que a maioria senão todos pertencem ao ano de 1961, cartas a Casimiro e Gastão, etc.
Mais um auge de uma parvoíce autobiográfica, mas que fique na pasta certa das antiguidades. Alguns ainda copiei para aqui. Não sei se cheguei ao fim do dossiê. Se houve paciência para tanto.
Escusado será dizer que o dito dossiê vulgaris contém os preciosos manuscritos devidamente autografados pelo autor, não fosse haver engano sobre a sua (deles) proveniência. Cuidados cautelares, sempre...
«Porque escrevo» é um título de 15 de Março de 1961, significativo da toada (autobiográfica) em geral desse referido dossiê vulgaris preto pequeno, nº 46, bola azul.
Ainda: são quase sempre cartas para aqui e para ali, as de 1961, procedentes de Tavira: posso evocar o estado de espírito nessa vila deprimida e deprimente sobre a minha depressão.
Devo confessar: são das páginas mais tristes que manuscrevi e mais tarde digitalizei. Tudo com pouco ou nenhum sentido mas paciência.
Mas nem tudo nesta pasta foi digitalizado: no final, existem manuscritos (cópias a papel químico) de textos alegadamente publicados (menos subjectivos) sobre poetas e poesia: 1964, 1967, 1968, 1969, 1971 são alguns dos anos assinalados. E nomes de poetas falados, Raul de Carvalho, Herberto Helder, Fernando Namora, Fiama Hasse, Poesia 61, Eduardo Lourenço, Luiza Neto Jorge, Eugénio de Andrade.
À excepção de Raul de Carvalho (de que penso ter digitalizado tudo o que tinha sobre) , nomes pouco relevantes para a minha selecção autobiográfica.

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quinta-feira, janeiro 24, 2008

VERSOS AC 1960

aaa-ml-1960-> 25-05-2005 10:38:13

ELE EXPLICA-SE EM PROSA SOBRE OS VERSOS QUE ESCREVEU

[A data do texto a seguir digitalizado deve ser mais ou menos o ano 1960 ou 1961, à volta da publicação do segundo livro de versos e quando já se preparava para um terceiro de poemas só sobra cidade. Como ele diz no file , ao compilar dez anos de versos de sua autoria , quis explicar-se sobre o tipo de versos que escrevia. Toda a vida dele se andou a auto-justificar não se sabe muito bem porquê nem para quê: manias.]


NOTA FINAL

Só uma necessidade quase obrigação poderia justificar hoje a reincidência do autor em publicar versos.
Na verdade, o silêncio significa, por um lado e em relação a determinadas constantes históricas que se eternizam, um quase religioso dever a que ninguém de consciência se deve furtar; por outro lado, o silêncio pode querer dizer também, mais do que abdicação, uma covardia de implícitas condescendências.
Vive-se, não há dúvida, um tempo de agrestes contradições e nunca se sabe ao certo o que deixa de ser coerência para aparentar abdicação e o que parece demissão e vem afinal a ver-se que foi teimosia na fatalidade, compensação do desespero.
Não fica, neste livro, a parte submersa do «iceberg»: como se sabe é sempre a maior. Nele se insere, em 10 anos de viagem pelo papel, o que ao mesmo tempo seja documento, testemunho, presença. O que representa atenção ao quotidiano que, se nos parte e reparte na fragmentação da violência, da doença, da solidão, é também o húmus onde o escritor ou o escritor de versos pode ouvir o coração dos outros de quem tão afastado anda pelas subserviências da estúpida sobrevivência profissional.
Queria de facto que o sofrimento humano fosse, mais uma vez, o protagonista da história. Desta história, contada em breves episódios e apontamentos do dia a dia da cidade. Desta história dos que não têm história. Não canto o anónimo por regozijo, mas porque só vale a pena cantar o sagrado e, no mundo des-sacralizado a que vamos chegando, só a dor dos humildes e humilhados é ainda sagrado, quer dizer, uma hipótese de absoluto a que referir tudo.
Os que entre nós sabem de poesia, já sabem que o autor não procura a forma: em vão, portanto, o tentariam detectar desta feita. Dos versos se serve ele, porque são murro mais directo (na mesa do jogo) ou abraço mais terno.
É uma afirmação que leva consigo a consciência colectiva que houver, as esperanças comuns a construir.«Engagé», se assim o rotularem. Péssimo poeta, se assim o quiserem também. Mas cantar é sina de todos os que, na efemeridade e fragilidade do tempo destinado a uma vida, não se resignam ao cor de rosa de nenhum optimismo mas muito menos aos becos sem saída dos desesperos.
Quando se canta, pesa menos a vida, e é mais fácil a comunicação. Só por isso o autor reincidiu nesta asneira que ele considera a literatura em geral e os versos em particular.
AFONSO CAUTELA
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ANEXO A NOTA FINAL

Em livros e artigos de jornais, os críticos portugueses têm proclamado, já por várias vezes, diversos decretos-lei definindo o que é e o que não é poesia.
Atento a esse intenso movimento legislativo, fui verificando, através dos textos teóricos e dos exemplos práticos com que esses críticos costumam ilustrar as suas palavras de ordem, que os versos deste volume não obedecem às normas dali emanadas e que, por isso, não esperam estar de acordo com eles nem que eles venham a estar de acordo comigo.
Fora, portanto, do que os mais avançados teóricos pressupõem que seja a poesia, se não desisti de publicar parte da produção que , através dos anos, a gaveta guardou, um motivo devo invocar: parece-me necessário um discurso que testemunhe em duas frentes - a da abjecção e a da fraternidade. O trabalho profissional, que faz de nós ridículas sombras de nós próprios, não consegue, porém, matar de todo a figura humana que teimamos em manter sobreviva.
E o discurso literário - os versos, pela síntese do essencial que facultam - parece-me o único meio daquele testemunho. É uma forma de equilíbrio de consciência que nada terá a ver com poesia - mas quem disse que tem, ou que não tem? - mas que tem a ver tudo com a posição do autor nas ruas desta cidade e nas cidades deste mundo.
Afonso Cautela ■

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